Nova norma determina que contactos de alto risco deixam de ser testados. DGS desmente “categoricamente”

Tiago Petinga / Lusa

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas (E), e o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales (D)

A nova norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) determina que os contactos de alto risco deixam de ser testados, limitando as análises a casos secundários, como situações de surto, aglomerados ou coabitantes.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou, na semana passada, uma nova normal que está a gerar polémica na comunidade médica: a indicação para não testar a generalidade das pessoas mais próximas de um caso positivo de infeção por covid-19, avança o Expresso.

No ponto 19, sobre o “rastreio de contactos”, lê-se que fazer o teste de diagnóstico aos contactos de alto risco fica ao critério das autoridades de Saúde e é especialmente reservado para infeções em surtos, aglomerados ou coabitantes. Ainda assim, e na ausência de um resultado, terá de ser cumprido isolamento profilático de 14 dias.

À partida, as pessoas que contactaram com um infetado por covid-19 só serão sujeitas a teste se vierem a ter sintomas.

Dois especialistas consultores da DGS enviaram uma carta à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, a informar que cessam funções caso a regra não seja retirada. O gabinete de crise da Ordem dos Médicos (OM) está também “a ultimar um comunicado fortíssimo face à subjugação da saúde à política e à economia”.

António Diniz, pneumologista e antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida da DGS, é um dos signatários da missiva, e explicou que “se há contactos de alto risco que ficam em casa mas não fizeram o teste e são positivos podem eles próprios ter os seus contactos, e assim perde-se a possibilidade de fazer o diagnóstico precoce de contactos secundários e vai-se perpetuando a transmissão na comunidade”.

Por sua vez, a Ordem dos Médicos sublinhou que a realização de testes às pessoas mais próximas de um infetado também permite “evitar o permanente arrastar da propagação, que nos fragiliza para uma possível segunda onda no inverno”.

“Se porventura a diretora-geral da Saú­de entende que um contacto de alto risco não deve ser testado tem de o dizer taxativamente. A medida só faz sentido se for para reforçar o turismo, porque assim deixamos de ter novos casos”, referiu Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

“A DGS pode justificar-se com a poupança dos testes para o inverno ou ‘para inglês ver’, e até o podemos discutir, mas nunca com a defesa da saúde pública”, complementou António Diniz.

Rui Portugal, responsável pelo Gabinete de Crise da covid na região de Lisboa, disse que a explicação para a nova regra se divide em vários argumentos, desde a redução de casos para fortalecer a economia e a melhor gestão dos testes para o inverno, assegurando a contenção da pandemia.

O médico reconheceu que, com menos testes, Portugal terá menos novos casos, o que é bom. “A nova norma ajuda-nos a não passar uma imagem catastrofista e defende a saúde pública, que não fica posta em risco. Por isso, faz sentido.”

DGS desmente redução de testes

A norma, publicada no dia 24 de julho, refere-se ao rastreio de contactos que é um dos pontos-chave na estratégia de contenção da propagação da covid-19. “A norma formaliza procedimentos que já são realizados pelas autoridades de saúde e tem por base a melhor e mais atual evidência científica e os contributos de peritos em Saúde Pública, incluindo autoridades de saúde, que diariamente atuam no terreno”, justificou a DGS.

Num comunicado enviado às redações, o órgão desmente o teor da notícia do Expresso. “Não é verdade, portanto, que Portugal vá reduzir o número de testes, como afirma o jornal. Nem é verdade que a norma em causa exclua ou restrinja o universo de pessoas sujeitas à realização de testes. E muito menos é verdade que estejam a ser violadas quaisquer indicações da OMS”, escreve a Direção Geral da Saúde.

“Pelo contrário, as autoridades de saúde portuguesas continuam firmemente empenhadas na aplicação da estratégia de ‘testar, testar, testar’, o que já conduziu à realização em Portugal de mais de 1,6 milhões de testes laboratoriais para SARS-CoV-2, tendo a percentagem de testes positivos vindo a diminuir de forma consistente ao longo das últimas semanas (2,9% no dia 29 de julho)”, lê-se no comunicado.

A realização de testes a contactos de casos confirmados de covid-19 “sempre dependeu, e continua a depender, da estratificação de risco efetuada pelas autoridades de saúde”. “Por isso, a DGS desmente categoricamente a restrição da realização de testes a contactos de casos confirmados, tal como o fez, oportunamente, junto do jornal Expresso”.

ZAP ZAP //

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Eu gostava de saber porque razão esta tonta irresponsável, que incrivelmente é diretora geral da saúde, ainda não foi demitida do cargo que ocupa. É que são tantas as gaffes, contra informação e asneiras que no mínimo já se deveria ter posto em causa a sanidade mental da mesma. O compadrio e as decisões economicistas, que muito agradam ao governo e á sua BFF, Marta Temido, lá a vão mantendo. Triste.

RESPONDER

Bactérias benéficas do leite materno mudam ao longo do tempo

De acordo com um novo estudo, a mistura de bactérias benéficas transmitidas pelo leite materno muda significativamente com o tempo. Este pode atuar como uma injeção de reforço diário para a imunidade e metabolismo infantil. Os …

Quando um tigre vale mais morto do que vivo: A sórdida realidade das quintas de procriação

Em alguns países asiáticos, quintas de procriação de tigres exploram até ao tutano o valor económico do animal, submetendo-o a condições de vida degradantes. Tigres já foram puderam ser encontrados em grande parte da Ásia, do …

Ana Estrada Ugarte. Em decisão histórica, Peru abre as portas à eutanásia

Numa decisão histórica esta quinta-feira, o 11.º Tribunal Constitucional do Superior Tribunal de Justiça de Lima, no Peru, ordenou ao Ministério da Saúde do país que respeitasse a vontade de Ana Estrada Ugarte de acabar …

Árbitros estrangeiros na próxima época? APAF recusa "atestado de incompetência"

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) tem a certeza de que o Conselho de Arbitragem (CA) não irá passar um "atestado de incompetência" aos árbitros portugueses, chamando estrangeiros para encontros de Ligas nacionais. Segundo …

Depois do desconforto que a série causou na Família Real, Harry defende "The Crown"

Durante uma entrevista a James Corden, para o programa americano The Late Late Show, o príncipe Harry defendeu a série The Crown da Netflix, explicando que embora não seja “estritamente precisa”, retrata a pressão da …

Benfica vai apresentar queixa por ameaças de morte a Vieira e vandalismo

O Benfica vai avançar com queixas devido às ameaças de morte ao presidente do clube em tarjas colocadas nas imediações do Estádio da Luz, mas também pela vandalização de várias casas benfiquistas. Segundo o jornal online …

Submarino civil transparente pode levá-lo ao local do naufrágio do Titanic

A Triton, uma empresa com sede na Florida, fabrica submarinos civis de última geração há mais de uma década. Agora, vai fazer nascer o Triton 13000/2 Titanic Explorer, que para além de oferecer aos passageiros …

Catorze detidos nos novos protestos em Barcelona a favor de Pablo Hasél

Pelo menos 14 pessoas foram detidas pela polícia catalã, este sábado, durante os distúrbios que se seguiram a mais uma manifestação em Barcelona a reclamar a libertação do rapper Pablo Hasél. Segundo o jornal Público, pelo …

Procuradores avançam para tribunal contra nomeações de chefias

O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) está envolvido numa nova polémica, depois do concurso que culminou na indigitação de José Guerra para a Procuradoria Europeia. Segundo avança o Jornal de Notícias, este domingo, um concurso para …

A partir de segunda-feira, eletrodomésticos vão ter novas etiquetas energéticas

As organizações não-governamentais ambientalistas saúdam as novas etiquetas energéticas, que entram em vigor esta segunda-feira, mas pedem “mais atenção” ao consumidor e “maior rapidez” na reclassificação de “mais produtos”. Em comunicado, a cooligação Coolproducts, um grupo …