Contabilista assumiu “erros” por “absoluta lealdade”

Joanjo Aguar Matoses / Flickr

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O ex-contabilista da Espírito Santo International (ESI) Francisco Machado da Cruz revelou esta quinta-feira uma missiva na qual diz que assumiu pessoalmente “erros” na contabilidade por “lealdade” aos superiores hierárquicos e ao grupo.

“Em concretização da estratégia superiormente decidida e definida em reuniões recentes, e em coerência com o já comunicado a entidades exteriores, tenho alegado perante os auditores que existiu um certo descontrolo e que foram cometidos erros na contabilidade ao longo de alguns anos”, diz Machado da Cruz numa missiva datada de 7 de janeiro de 2014, hoje distribuída na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) e à qual a agência Lusa teve acesso.

O texto é endereçado aos membros do Conselho Superior do GES, e, nele, o contabilista – que está a ser ouvido esta quinta-feira pelos deputados no Parlamento à porta fechada – admite que a situação era já “muito difícil”.

“É uma situação muito difícil para mim, mas não creio ter alternativa considerando aquilo que está em causa”, escreveu então.

Machado da Cruz dizia também ter noção que o assumir dos referidos erros na contabilidade comprometia a “reputação pessoal e profissional perante os auditores, os colegas do grupo e eventualmente perante algum superior hierárquico”.

Vi-me forçado a assumir pessoalmente esses ‘erros’ em diferentes ocasiões. Fi-lo por absoluta lealdade aos meus superiores hierárquicos e ao grupo“, frisa contudo no texto.

O contabilista pôs então à consideração a sua “demissão e substituição, com a maior brevidade possível”, de comissaire aux comptes da ESI.

“É com muita mágoa que escrevo estas linhas ao fim de 21 anos no grupo. O que foi feito, foi feito por uma razão”, escreve ainda.

A audição do ex-contabilista da ESI Francisco Machado da Cruz no Parlamento arrancou cerca das 16h10, com os trabalhos a decorrerem novamente à porta fechada, à imagem de quarta-feira.

Machado da Cruz está a ser ouvido pelos deputados da comissão de inquérito à gestão do BES e do GES e, à imagem do controller financeiro José Castela, a sessão decorre à porta fechada com o contabilista a alegar segredo de justiça em virtude de processos em curso no Luxemburgo.

A audição de hoje é uma das mais esperadas de toda a comissão: Francisco Machado da Cruz foi acusado pelo ex-presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, de ter ocultado dívida da sociedade de topo do GES, por exemplo.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro e tem um prazo total de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades”.

/Lusa

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