“Centeno fica no Governo, mas não fica até ao final da legislatura”

Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

No habitual espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes garantiu que Mário Centeno continuará nas Finanças caso o PS ganhe as eleições. Mas sairá em 2020 ou 2021, sem cumprir o mandato inteiro.

No espaço de comentário que protagoniza no Jornal da Noite da SIC, Luís Marques Mendes afirmou que Mário Centeno vai permanecer no ministério das Finanças, mas não para cumprir o mandato inteiro, caso o Partido Socialista vença as eleições legislativas.

“Há duas certezas e uma dúvida que posso deixar aos ouvintes, segundo as investigações que fiz e as informações que obtive. A primeira certeza é que, se o PS ganhar, Centeno fica mesmo no Governo. A segunda certeza é que não ficará no mandato inteiro. A dúvida é se sairá em 2020 para ser governador do Banco de Portugal ou se sairá em 2021 para um cargo internacional.”

A afirmação de Marques Mendes surge dias após António Costa, em entrevista à SIC, ter admitido que o ministro das Finanças se quer manter à frente do Eurogrupo. “Quando ele diz que pretende continuar a ser presidente do Eurogrupo e ser ministro das Finanças é uma condição para ser presidente do Eurogrupo, creio que esta é a melhor resposta que pode ser dada”, disse o primeiro-ministro.

Para o comentador político, Costa e Centeno “mantêm o tabu” porque o ministro estará “com dúvidas existenciais“.

“Mário Centeno está cheio de dúvidas. Não sabe se deve ficar no Governo. Já percebeu que, mais tarde, sairá sempre em piores condições que agora. Não tem garantias de, ficando e saindo mais tarde, haver algum cargo internacional relevante que possa ocupar. E não sabe se quer ir para o Banco de Portugal na mesma altura em que termina o mandato no Eurogrupo”, disse.

“Oportunismo eleitoral” de Catarina Martins

Luís Marques Mendes apontou, este domingo, o dedo a Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, por “dar uma imagem de moderação para enganar os eleitores“.

Numa entrevista concedida ao Observador a 2 de setembro, Catarina Martins afirmou que “o Bloco apresenta um programa que é, na sua essência, social-democrata“. Marques Mendes comparou esse posicionamento com o tomado pela líder partidária em janeiro, também ao Observador, quando confessou: “Até me agradam que nos definam como esquerda radical”.

Para ele, “estas afirmações confundem e descaracterizam o Bloco”: “Acho que foi um erro enorme preocupar-se com a imagem, mas o conteúdo continua no mesmo.”

Segundo o Observador, o comentador considera que esta é a “política das falinhas mansas”: “Nada disto é genuíno. Catarina e Bloco de Esquerda vestem uma roupagem de moderação, mas têm uma agenda radical. Uma imagem de cordeiro e uma real pele de lobo. É isto que assusta os eleitores, que pensam que há um disfarce. E que leva muita gente moderada em Portugal a votar no PS. Porque prefere ter um PS sozinho do que ter um PS moderado pelo Bloco.”

Em relação ao debate entre António Costa e Catarina Martins, os elogios foram direcionados ao primeiro-ministro. “Acho que o Bloco não foi nada feliz esta semana, sobretudo no debate entre Catarina Martins e António Costa. O primeiro-ministro conseguiu colar Catarina Martins a uma imagem de irrealidade. Ela teve uma oportunidade única de atacar, de lhe dizer cara a cara todos os malefícios de uma maioria absoluta. Tocou ao de leve nesse tema, mas não fez dessa matéria um tema centra.”

Já em relação ao frente-a-frente de Assunção Cristas e Rui Rio, o comentador disse que “foi mais uma entrevista do que um debate”.

“Diria que estiveram bem, soltos e afirmativos. Acho que fica a sensação que não estão a pensar em ganhar as eleições, mas em ganhar nas sondagens. Penso que o PSD nunca terá menos do que 25% e mesmo assim é um mau resultado. Mas também fico com a sensação de que, se os dois partidos juntos fossem coligados nas eleições, conseguiriam uma coisa que separados não conseguiam.”

Brexit sem acordo é “criminoso”

Usando um estudo da Universidade de Loven, Marques Mendes defendeu que uma saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo é “criminosa” para os restantes países do grupo.

“Os países menos afetados por um Brexit sem acordo serão a Grécia, a Croácia e a Espanha. Os mais afetados serão Irlanda, Malta e Bélgica. Portugal está ali na média, mas ainda assim é afetado. Se houver um Brexit selvagem, as trocas de comerciais podem ter uma quebra de 2,3 mil milhões de euros, sobretudo no ramo dos têxteis. E, em matéria de emprego, um Brexit selvagem também pode dar um prejuízo de 0,6%“, afirmou.

“É criminoso tudo o que está a acontecer. Se houver acordo, este prejuízo é quatro vezes menor. Por isso, valia a pena fazer um esforço para o entendimento“, rematou.

ZAP //

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