Centeno conquistou Eurogrupo com o lobby francês e o charme português

Olivier Hoslet / EPA

O ministro das Finanças, Mário Centeno, com Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo

Mário Centeno é o mais recente português a atingir um posto de topo, em organizações internacionais, depois de ter sido eleito presidente do Eurogrupo. É do “charme português” diz-se lá fora, onde alguma imprensa nota também a força do lobby francês na sua eleição.

Mário Centeno junta-se à galeria de portugueses ilustres que alcançaram lugares de topo em organizações internacionais, como são os casos de António Guterres, secretário-geral da ONU, e de Vítor Constâncio, vice-presidente do Banco Central Europeu.

Eleito presidente do Eurogrupo, que reúne os Ministros das Finanças dos Estados-Membros da Zona Euro, Centeno é o primeiro líder da estrutura proveniente dos chamados países do Sul da Europa, “e o primeiro de um dos países forçados a um resgate pela crise do Euro”, sublinha o site Politico.

Uma circunstância histórica que evidencia o feito de Centeno que “usou o seu estilo descontraído, como ministro das Finanças de Portugal, para transformar o país atingido por golpes de crise num pupilo modelo da Zona Euro“, escreve a Reuters.

Para a agência de notícias, “Centeno leva o charme português para o lugar de topo do Eurogrupo”. A Reuters define o ministro luso como “um adepto do trabalho que raramente perde o bom humor”, lembrando ainda que os bons resultados conseguidos pelas suas políticas económicas lhe valeram o cognome de “Cristiano Ronaldo” dos ministros das Finanças da União Europeia.

Já o Finantial Times nota que Centeno era um “desconhecido”, quando foi escolhido por António Costa para o cargo, e que chegou a ser comparado ao “agitador de esquerda” Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia.

Mas se Varoufakis criou uma verdadeira horda de “inimigos em Bruxelas”, escreve o jornal norte-americano, o ministro das Finanças português conquistou os seus pares da UE.

O EUobserver repara que o governante contou, especialmente, com o lobby de França para a sua eleição, uma vez que “partilha de ideias francesas” para a Zona Euro. A publicação diz ainda que França fez pressão perante os “aliados mais próximos, especialmente a Alemanha”, para que Centeno fosse eleito.

Um “gerador de consensos”

Obviamente satisfeito com a eleição, Centeno evidencia que se trata de “uma distinção sem paralelo para o país” e que só foi possível graças à política de “credibilização” seguida pelo Governo PS, em coligação com PCP e Bloco de Esquerda.

Centeno também assegura que “nada vai mudar” na coligação de Governo, em Portugal, quando assumir as funções no Eurogrupo a 13 de Janeiro de 2018.

Quanto à sua postura no novo cargo, o ministro das Finanças sublinha que vai procurar ser um “gerador de consensos”, cita o Diário de Notícias.

“Saber ouvir e debater ideias é algo que tem feito parte da descrição das minhas tarefas, nos últimos anos, e empregarei exactamente os mesmo princípios e o mesmo esforço nesta nova fase”, salientou ainda.

“Tudo tem um preço”, avisa Marcelo

“Era um patinho feio, para muitos, muito feio, há dois anos, e agora, de repente, é um cisne resplandecente“, afiança Marcelo Rebelo de Sousa, citado pela Renascença.

O Presidente da República constata que Portugal vai, agora, ter “uma voz mais forte” na Zona Euro, mas alerta que isto também tem “um preço de exigência acrescida” em termos financeiros.

“Tudo tem um preço na vida e o preço é o seguinte: é que não se brinca em serviço”, avisa Marcelo, realçando que “a execução de 2018 e o Orçamento para 2019 têm de corresponder àquilo que é a exigência de alguém que dá o exemplo no Eurogrupo”.

Com um discurso mais optimista, António Costa diz que a eleição de Centeno é “o reconhecimento da credibilidade internacional de Portugal, numa área tão sensível por onde passámos com tantos e tantos sacrifícios”.

O primeiro-ministro aproveita também o momento para reforçar as políticas seguidas pelo seu Governo, notando que “está hoje definitivamente virada a página”. “Hoje já não discutimos mais défices excessivos, já não discutimos mais sanções”, conclui Costa.

Susana Valente SV, ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. “alguma imprensa nota também a força do lobby francês na sua eleição.”
    Toda a gente sabe isso excepto o PS.

    “que só foi possível graças à política de “credibilização” seguida pelo Governo PS”
    Deve ser verdade, são é lobbies.

  2. O Centeno foi eleito porque de todos os candidatos que se apresentaram é aquele que mais se aproxima de uma marioneta. E isso dá jeito a muita gente que quer tomar decisões sem nunca dar a cara por elas.

  3. A eleição de Centeno serve para ir disfarçando os buracos das “Franças, Itálias e afins desta Europa”, e comprovar as boas relações maçónicas entre França e Portugal

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