Caso Tancos. Houve uma operação paralela de infiltrados (sem autorização)

Paulo Novais / Lusa

O Caso Tancos teve uma investigação paralela de 14 meses, com agentes infiltrados da Polícia Judiciária (PJ), e visou, segundo a revista Sábado, o principal acusado do processo das armas de Tancos, João Paulino.

De acordo com a revista Sábado, a investigação, que começou a 31 de julho, terá sido utilizada pelo atual diretor da PJ, Luís Neves, para investigar os dois processos do caso Tancos.

Chamada “Operação Lua” nos documentos internos na PJ, foi usada pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público (MP) com o objetivo de manter sob vigilância João Paulino, o principal suspeito do assalto aos paióis militares.

O problema é que, segundo a revista Sábado, a PJ e o MP terão recolhido outras informações sem a autorização dos juízes dos inquéritos, Ivo Rosa e João Bártolo. Essas informações recolhidas sem autorização podem ter sido utilizadas no processo de Tancos.

Arguidos vão pôr em causa a investigação

O informador da Polícia Judiciária, Paulo “Fechadura” Lemos, vai ser um dos alvos principais das defesas no caso do assalto de Tancos que entra na próxima quarta-feira na fase de instrução. Alguns dos advogados disseram ao semanário Expresso que vão jogar ao ataque, tentando colocar em causa a investigação.

Uma fonte disse ao Expresso que Paulo “Fechaduras” Lemos foi contratado em março de 2017 por João Paulino, o alegado líder do grupo de assaltantes num restaurante em Sete Rios, para abrir as portas de dois paióis de Tancos. Paulino ter-lhe-á mesmo mostrado fotos do quartel e o tipo de fechaduras que iriam arrombar. Cinco dias depois, três meses antes do furto, “Fechaduras” decidiu contar à procuradora Teresa Morais, do DIAP do Porto, tudo o que sabia sobre o assalto que se estava a preparar.

A informação foi transmitida pela magistrada à PJ de Vila Real e à secção de combate ao banditismo da Judiciária do Porto. Porém, o assalto não foi evitado. “Porque razão os inspetores da Judiciária não avisaram as estruturas militares de que havia um plano para assaltar uns paióis na região centro se já o sabiam três meses antes do crime ocorrer?”, interrogou-se um dos advogados, citado pelo semanário.

O processo de Tancos conta com 23 acusados, incluindo o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes, o diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, os quais respondem por um conjunto de crimes que vão desde terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação até falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

Nove dos 23 arguidos foram acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

O caso do furto das armas em Tancos foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

ZAP //

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