A era das calculadoras gráficas excessivamente caras pode estar prestes a chegar ao fim

Com o surgimento de novas alternativas grátis, as calculadoras gráficas excessivamente caras podem estar prestes a ver o seu império arruinado.

Quase todos os pais sabem o que é a chatice de ter de comprar uma calculadora gráfica para as aulas de Matemática dos filhos. Os preços são exorbitantes e podem ir dos 100 até mais de 200 euros. A Texas Instruments e a Casio têm quase um monopólio das calculadoras gráficas, colocando preços altos para uma tecnologia que não o justifica.

Com um design dos anos 80 e uma tecnologia dos anos 90, os preços a rondar os 100 euros começam a esgotar a paciência dos pais, que se vêm obrigados a comprá-la para os filhos. Contudo, como noticia o The Hustle, o império destas empresas pode estar prestes a ruir, já que novas alternativas estão a surgir. A calculadora TI-84 provavelmente não deve ser estranha tanto a pais como a filhos.

Num mercado avaliado em mais de 300 milhões de dólares, a Texas Instruments detém cerca de 80% dele. E como conseguiram isto? Uma das formas foi estabelecer parcerias com grandes empresas de livros didáticos, que integraram exercícios específicos da TI.

Com a ameaça de novas aplicações para telemóvel, o ProPublica relata que a Texas terá pago a lóbistas para pressionar o ministério da Educação norte-americano, de forma a manter as calculadoras Texas Instruments como opção nas escolas.

“Muito do sucesso das calculadoras gráficas da TI foi devido a lobby agressivo para determinadas políticas. Eles fizeram isso para que o tipo de coisas que você poderia levar para um teste fossem essencialmente limitadas aos dispositivos deles”, disse uma fonte na área da educação ao The Hustle.

A TI-84, um dos seus modelos mais famosos, foi lançada em 2004 por um preço de 110 euros. Agora, 15 anos depois, o preço praticamente mantém-se o mesmo. De acordo com o The Washington Post, o preço para produzir uma destas calculadoras é de apenas uns meros 15 a 20 dólares.

Todavia, novas tecnologias grátis e iniciativas inovadoras podem destronar a empresa americana do topo da cadeia alimentar.

“Muitas famílias simplesmente não podiam gastar 100 dólares numa calculadora”, disse Eli Luberoff, licenciado em Matemática na Universidade de Yale. “E isso estava a criar um enorme desequilíbrio no acesso às ferramentas de matemática”.

Como solução, Luberoff criou uma aplicação grátis de uma calculadora gráfica para computador e smartphone, chamada Desmos. Hoje em dia, nos Estados Unidos, são mais de 40 mil alunos e professores que a usam.

“O nosso modelo de negócios é exatamente o oposto da Texas Instruments. O modelo deles sempre é dar a tecnologia gratuitamente às empresas de livros didáticos e forçar as famílias a comprá-la por um preço premium. O nosso modelo é dar a tecnologia gratuitamente aos estudantes e cobrar às empresas de livros didáticos para a incluírem”, explicou.

Ainda assim, Luberoff conta que tem sido um tarefa árdua convencer alunos e professores — habituados à TI — a fazer a transição para a Desmos.

“Você está a tentar convencer os professores que ensinam com TI há 20 anos a tentar algo novo. Já é difícil o suficiente ser professor sem lidar com mudanças tecnológicas, mas a maioria reconhece que a nossa ferramenta é mais justa. É uma tecnologia moderna. É o que as crianças usam agora”, disse ao The Hustle.

Aos poucos, os dados apontam que as vendas da Texas Instruments têm vindo a cair ao longo dos anos. Não só porque são procuradas outras alternativas, mas também porque as pessoas deixam de as comprar e usam modelos antigos de familiares ou compram-nas em segunda mão online.

“Há 15 anos, a TI-84 era um dispositivo incrível, com um enorme benefício para professores e alunos”, disse Luberoff. “Agora, é hora de o império ceder”.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Só há um problema. Não se pode utilizar smartphones nos testes e exames. Logo, as Casio e as TI vão continuar a ser usadas nas escolas.

  2. É estranho ouvir que se pode usar calculadora gráfica em exames. Aqui no Brasil só é permitido o uso de uma caneta com tinta azul no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

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