Boris esteve “desaparecido em combate” e Reino Unido teme segunda vaga de covid-19

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi acusado de estar “desaparecido em combate” nos primeiros dias da pandemia. O Governo teme uma segunda vaga de covid-19, mas pondera aligeirar as medidas de contenção.

Boris Johnson tem muito a provar nos próximos dias no que toca à gestão da pandemia de covid-19. O seu plano para controlar o surto do novo coronavírus foi muito criticado e chegou a altura do primeiro-ministro britânico provar que consegue manter a situação sob controlo.

O Governo está dividido entre os que defendem alívio das restrições e os que privilegiam supressão do vírus, mas está já a preparar a discussão sobre o calendário para o alívio das medidas de contenção. O medo é que uma segunda vaga da doença volte a colocar o país de joelhos, escreve o jornal Público.

Johnson tem estado no centro das críticas após a imprensa britânica ter revelado que falhou cinco reuniões ministeriais de emergência no início da pandemia, numa altura em que foram tomadas decisões importantes sobre como gerir a crise. De acordo com o The Times, o primeiro-ministro do Reino Unido entendeu não ser prioritário marcar presença nestas reuniões.

Jonathan Ashworth, “ministro-sombra” da Saúde, acusa o chefe do Governo britânico de ter estado “desaparecido em combate” numa altura em “o mundo inteiro já tinha percebido a gravidade do que estava para vir”.

A primeira abordagem do Reino Unido à pandemia foi relaxada, procurando criar imunidade de grupo. No entanto, apenas dez dias depois, esta estratégia foi abandonada.

“Todos os governos cometem erros, incluindo o nosso. Procuramos aprender e melhorar todos os dias. No futuro teremos a oportunidade de olhar para trás, de refletir e de retirar algumas lições importantes”, justificou o líder do Conselho de Ministros, Michael Gove.

Entretanto, acabou por ser imposto o confinamento obrigatório no Reino Unido, no dia 23 de março. Agora, o Governo discute o possível levantamento ou suavização de algumas das medidas de contenção impostas. O Executivo está dividido entre aliviar gradualmente as medidas ou prolongar a quarentena.

Atualmente, com a capacidade de realizar 38 mil testes por dia, o Reino Unido está longe da meta de 100 mil testes por dia que se propôs a atingir até ao final deste mês.

“A grande preocupação é um segundo pico”

O número de óbitos no Reino Unido durante a pandemia covid-19 subiu para 16.509 após ter sido registada a morte de mais 449 pessoas infetadas nas últimas 24 horas, informou esta segunda-feira o Ministério da Saúde britânico. O número total de casos de contágio é agora de 124.743, mais 4.676 do que no dia anterior, referiu.

Na conferência de imprensa diária do Governo sobre a crise, no domingo, a sub-Diretora Geral da Saúde, Jenny Harries, recusou dizer se o Reino Unido já tinha ultrapassado o pico da curva epidemiológica, mas admitiu que “as coisas estão a ir na direção certa”.

A responsável acrescentou que se as medidas de distanciamento social forem relaxadas, existe o risco de uma segunda vaga de infeções, opinião que hoje o porta-voz do primeiro-ministro, Boris Johnson, também reiterou, a propósito do fim do regime de confinamento.

A grande preocupação é um segundo pico. É isso que, em última análise, vai causar mais danos à saúde e mais danos à economia. Se avançarmos depressa demais, o vírus pode começar a espalhar-se exponencialmente novamente”, referiu, citado pelo The Guardian.

O porta-voz disse hoje que Boris Johnson continua a recuperar da infeção do novo coronavírus e não está a trabalhar, mas que tem recebido atualizações sobre o combate à pandemia.

Johnson está em convalescença na sua residência de campo em Chequers Court, nos arredores de Londres, desde que recebeu alta a 12 de abril do hospital de St. Thomas, em Londres, onde passou uma semana internado devido ao agravamento dos sintomas do novo coronavírus, incluindo três noites nos cuidados intensivos.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Eu penso que os britânicos no geral levaram a situação de início para a brincadeira, mas agora estão a sofrer as consequências e até talvez tenha sido bom o senhor Boris Johnson ter sido vítima do vírus para se convencer de que ele não é apenas amigo dos pobres e não poderosos, talvez assim saiba tomar medidas mais adequadas à situação.

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