Banco de Portugal contrata assessoria por 800 mil euros em ajuste directo

José Sena Goulão / Lusa

O governador do banco de Portugal, Carlos Costa

O assessor financeiro escolhido pelo Banco de Portugal (BdP) para a resolução do BES e venda do Novo Banco foi o BPN Paribas, mas em outubro o BdP requisitou serviços de outro assessor financeiro: a empresa de um antigo diretor do UBS, banco suíço onde também trabalhou António Varela, atual vice-governador do Banco de Portugal.

O BNP Paribas foi o assessor financeiro escolhido pelo Banco de Portugal em julho de 2014, no auge da crise do Banco Espírito Santo, para prestar serviços de assessoria na resolução do BES e venda do Novo Banco – o “projeto Hermes” – um contrato de 15 milhões de euros.

No entanto, além do BPN Paribas, o BdP requisitou em outubro serviços da TC Capital, uma “boutique financeira” sediada em Londres, com quem assinou em abril deste ano um contrato de 800 mil euros, em ajuste direto, por dez meses de prestação de serviços.

A TSF noticia esta sexta-feira que TC Capital pertence a Phillipe Sacerdot, antigo diretor-adjunto para a área da banca de investimento no UBS, banco suíço onde também trabalhou o atual vice-governador do Banco de Portugal, António Varela, que foi representante do UBS em Portugal entre 2000 e 2009 e assumiu o cargo no BdP em setembro do ano passado.

No contrato assinado pelos vice-governadores António Varela e José Ramalho, disponível no portal BASE (a base de dados dos contratos públicos), pode ler-se que a TC Capital é contratada para “prestar serviços de assessoria sénior para o projeto Hermes”. O contrato fixa uma remuneração mensal de 30 mil euros, e um prémio de sucesso (success fee) de 500 mil.

O contrato com o BNP Paribas, formalizado na mesma data da contratação da TC Capital – 7 de abril de 2015 -, prevê uma remuneração mensal de 250 mil euros, durante dois anos, e um success fee de 10 milhões de euros.

A TSF cita fontes ligadas ao processo que estranham a escolha de uma “boutique financeira unipessoal sem grande histórico”, e ainda a contratação por ajuste direto numa altura em que já não existia qualquer urgência, e refere que também a equipa técnica que acompanha a venda do Novo Banco manifestou incómodo com esta contratação.

ZAP

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9 COMENTÁRIOS

  1. 30 mil euros mês!! Miseraveis, com ordenados desses querem que o povo produza mais… Menos de 100 mil por mês é explorar o trabalhador
    IIIIINNCHAAAAA!!! rebetem com este aterro sanitário que (ainda) se dá pelo nome de Portugal.

  2. Estes “mânfios” fazem o que querem neste pobre país sem lei, é revoltante ler estas noticias e os gajos a rirem-se, sinceramente!

  3. Comportamentos próprios de países de terceiro mundo onde a democracia é uma miragem e onde impera a ladroagem! E depois temos taxas absurdas ( + de 100%) sobre multas e acréscimos de custos administrativos para financiarmos estas aberrações. Não temos pessoas sérias no Governo, não temos pessoas de bem a gerir Instituições que servem para conferir conforto e segurança, não temos o que merecemos!

  4. E a PGR não consegue pôr esta gente toda na cadeia e confiscar-lhe os bens todos a favor do Estado?
    É urgente um levantamento popular para correr com esta gatunagem “legalizada” por uma maioria parlamentar que é pior do que ela.

  5. Não há mais ”desviadores de recursos” em Portugal? Qual é a posição do governo quanto a este caso? Não temos neste pobre país quem saiba assessorar o Banco de Portugal neste negócio? E é este mesmo (des)governador que o governo quer reconduzir no cargo? E um negócio desta monta é assinado pelos vice-governadores do BdP?
    NÃO É DE ESTRANHAR QUE:
    ”A TC Capital pertence a Phillipe Sacerdot, antigo diretor-adjunto para a área da banca de investimento no UBS, banco suíço onde também trabalhou o atual vice-governador do Banco de Portugal, António Varela, que foi representante do UBS em Portugal entre 2000 e 2009 e assumiu o cargo no BdP em setembro do ano passado”.
    Como este caso apresenta contornos pouco claros, deveria ser enviado para a PGR investigar? Corta-se na saúde, na educação, nas reformas, etc e agora aparece dinheiro para pagar o desvario de dois ou três senhores? Achamos que já é demais.

  6. O atual Governador de Portugal, tal como o anterior, deveriam ter sido demitidos pelo facto de não terem sido capazes de supervisionar adequadamente os problemas financeiros que tinham obrigação de prevenir. O anterior, Vítor Constâncio, teve um prémio: Banco Europeu. Quanto a este, veremos o que lhe darão em troca da incapacidade que demonstrou.

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