Aquarius vai para Espanha com ajuda de barcos militares italianos

Christophe Petit Tesson / EPA

O navio Aquarius, da ONG francesa SOS Mediterranée, que as autoridades italianas e maltesas se recusaram a acolher

O barco com mais de 600 migrantes, que Itália e Malta se recusaram a acolher, vai fazer a viagem até Espanha com a ajuda de dois barcos militares italianos.

Após Espanha se ter oferecido para receber, no porto de Valência, o barco Aquarius, onde se encontram 629 migrantes – 123 das quais são menores não acompanhados e sete grávidas – o responsável pelas operações marítimas da SOS Mediterranée, ONG francesa responsável pelo navio, informou que não havia condições para chegar em segurança.

No entanto, a viagem, que deverá demorar quatro dias a ser feita, já está assegurada, uma vez que dois barcos militares italianos vão ajudar a processar toda a operação, avança o Observador. O Aquarius vai transportar uma centena de migrantes e está previsto que os restantes viajem em duas embarcações da Guarda Costeira e da Marinha Italiana que, esta manhã, também se dispuseram a levar alimentos e medicamentos.

Esta terça-feira, o presidente do conselho executivo da Córsega, Gilles Simeoni, também anunciou estar disponível para acolher o barco.

A oferta de acolher o navio em Valência foi uma decisão direta e pessoal do novo presidente do Governo, Pedro Sánchez, considerando ser a sua obrigação “ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a estas pessoas, cumprindo desta forma as obrigações do direito internacional”.

Recorde-se que os migrantes foram resgatados do Mediterrâneo no fim-de-semana e o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, proibiu o barco de atracar num porto do país, embora várias cidades – Palermo, Nápoles, Messina e Régio de Calábria – tenham desafiado o Governo e mostraram-se disponíveis para receber o Aquarius.

european_parliament / Flickr

Matteo Salvini, líder da Liga e novo ministro do Interior italiano

Itália pediu a Malta que acolhesse os migrantes, mas o Executivo maltês defendeu que a responsabilidade era de Itália porque as operações de salvamento ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.

Entretanto, a presidente da Câmara de Madrid, Manuela Carmena, disse que a capital pode acolher 20 famílias, até um máximo de 100 pessoas. Numa mensagem no Twitter, a autarca afirmou que “com a ajuda de todos a situação pode ser resolvida em breve”.

A Câmara de Madrid está a aguardar que o Governo central aceite a oferta, segundo fontes municipais, e a vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, pediu ao presidente da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP), Abel Caballero, que coordene as ofertas que estão a chegar aos municípios para hospedar os 629 migrantes.

O ministro dos Negócios Estrangeiros já afirmou que Espanha, ao oferecer-se para acolher os migrantes a bordo do Aquarius, quer pressionar os líderes da União Europeia a discutir as políticas de migração ainda este mês.

Josep Borrell disse à radio espanhola Ser que o gesto de Espanha procura impedir que os países ignorem a situação ao “permitir que um membro da UE lide com o problema enquanto os restantes descartam responsabilidades”.

O governante prometeu levar o problema aos chefes de Estado ou de Governo da UE, no Conselho Europeu a realizar-se nos dias 28 e 29 de junho.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Prasitas a ajudar parasitas, mas os conflitos acabaram, portanto hora de retornar as origens. A Europpa tem 40 milhoes de pobres e andamos a sustentar originarios de paises ricos cheios de petroleo

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