/

Após demissão do Chega, Ventura volta a ir a votos em março

2

Pedro Reis Martins / Lusa

Depois de, no final de janeiro, formalizar o seu pedido de demissão como líder do Chega, como prometera, em virtude de ter ficado na terceira posição nas eleições presidenciais, atrás de Ana Gomes e do Presidente reeleito, Ventura vai voltar a ir a votos em março.

De acordo com o Observador, as eleições para escolher o presidente do partido Chega já estão marcadas e acontecem no próximo dia 6 de março.

Depois de prometer que se demitiria se ficasse atrás de Ana Gomes nas eleições presidenciais, André Ventura anunciou na noite eleitoral que iria “devolver aos militantes do Chega se querem ou não a continuidade” do seu projeto à frente do partido.

Até ao momento, André Ventura não tem oposição, sendo o único candidato à liderança do partido.

Em setembro, Ventura escreveu no Twitter que Ana Gomes ia ser a “pior candidata presidencial de sempre: histérica, obcecada com os seus inimigos de estimação, amiga das minorias que vivem do nosso trabalho”. “Se por acaso ficasse à minha frente demitia-me de líder do Chega. Não vai acontecer!”, disse.

Porém, Ana Gomes ficou em segundo lugar, com mais 1,07% do que Ventura.

O presidente do Chega pôs o lugar à disposição, formalizando o pedido de demissão numa reunião de direção do partido no final de janeiro.

As eleições diretas vão decorrer em todos os distritos do país. Porém, é preciso votar a  direção escolhida por André Ventura na Convenção Nacional para ser aprovada. Devido à pandemia, este ato não tem data marcada e deve acontecer apenas no verão quando a situação pandémica estiver mais controlada.

Até lá, o partido continua a ser gerido pela direção demissionária.

Os militantes vão também eleger os delegados à Convenção Nacional e algumas distritais aproveitam o ato para meter em dia mais eleições desde a Comissão Política, à mesa distrital, ao Conselho de Jurisdição de cada distrito e ainda a lugares vagos em alguns órgãos locais.

Esta não é a primeira vez que o líder do Chega se demite para se voltar a candidatar. Em abril de 2020, Ventura pôs o lugar à disposição depois de críticas relacionadas com a votação sobre o decreto do estado de emergência e foi reeleito em setembro, com 99% dos votos.

André Ventura, que é presidente do Chega desde o dia 30 de junho de 2019, depois de ter sido eleito na I Convenção Nacional, levou o partido ao Parlamento, onde é deputado único, e deu a cara nas eleições presidenciais, onde ficou em terceiro lugar.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

“Ana Gomes chamou-me animal e ninguém se incomodou”

A relação entre Ana Gomes e André Ventura tem sido complicada desde o início.

Numa entrevista ao Sol, divulgada no fim-de-semana, André Ventura disse que Ana Gomes “chamou-me animal e comparou-me a Hitler e ninguém se incomodou”.

Em dezembro, a candidata presidencial garantiu que, se fosse eleita, iria pedir a reapreciação da legalização do Chega. “O Chega nunca deveria ter sido legalizado. E porquê? Porque é um partido que claramente tem um discurso xenófobo, racista, quer confinar as pessoas de etnia cigana, e tem, sobretudo, um propósito de destruir a democracia”, afirmou Ana Gomes.

A ex-eurodeputada socialista disse ainda não perceber “como o Tribunal Constitucional o legalizou”.

Apesar de não ter sido eleita, Ana Gomes avançou com um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que haja uma reavaliação da legalidade do partido Chega. Ana Gomes pediu também que seja investigada a origem do financiamento do partido, os seus líderes e “as agressões, ameaças e incitamentos à violência que o referido partido, seus dirigentes e diversos militantes vêm desencadeando contra jornalistas e ativistas políticos, incluindo a signatária”.

  //

2 Comments

  1. Portugal precisa de um abanam muito forte.
    Sistemas instalados estao muito confortaveis.
    chega nao ‘e partido radical.

    Chega so veio alertar as mentes mais distraidas.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.