Vieira da Silva defende que teletrabalho “levanta problemas muito delicados”

Miguel A. Lopes / Lusa

O ex-ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva

O ex-ministro do Trabalho José Vieira da Silva afirmou que o regime de teletrabalho não deve permanecer como regra após a pandemia, visto que pode potenciar situações de excesso de horas de trabalho difíceis de controlar.

“Nós ainda temos uma lei do trabalho que fixa as 40 horas de trabalho como o limite médio das horas de trabalho. Todos nós ouvimos relatos de pessoas que em teletrabalho trabalham 12 horas seguidas”, indicou, numa entrevista publicada esta quarta-feira no Jornal de Negócios.

Embora considere que existem vantagens nas tecnologias que permitem o trabalho à distância, este não deve substituir totalmente o trabalho presencial.

“A interpenetração da vida pessoal e familiar das pessoas com a vida profissional não é isenta de riscos para a nossa saúde coletiva”, assegurou, apontando: “Tudo isto levanta problemas muito delicados e por isso sou um pouco conservador”.

“Temos de aproveitar, obviamente, mas temos de saber que a organização do trabalho tem aspetos que são positivos do ponto de vista da socialização e do controlo global da sociedade sobre a forma como as pessoas prestam a sua atividade e são remuneradas”, frisou o antigo ministro.

Sobre as medidas de apoio ao emprego necessárias, respondeu que “o papel do Estado na fase de estabilização e recuperação terá de continuar a ser importante”, sublinhando que é preciso ter cautela quando se pensa em soluções que passem por proibir despedimentos.

“Numa crise mais prolongada a decisão de proibir o despedimento é, na minha opinião, um caminho que só pode ser tomado excecionalmente num período muito curto. Porque se uma empresa tem, por exemplo, 500 trabalhadores e tem uma redução de atividade estrutural que a leva a só ser viável com 400, se impedimos essa redução, estamos com elevada probabilidade a condenar os 500 trabalhadores ao desemprego”, sublinhou.

E acrescentou: “Teremos de utilizar toda a panóplia de instrumentos das políticas ativas de emprego, de apoio à contratação, à reconversão profissional, mas também instrumentos de proteção social e de apoio à capitalização das empresas”.

“Não tenho uma visão fechada, a originalidade [da crise] no mau sentido é de tal ordem que nós não podemos fechar a porta a qualquer instrumento”, disse ainda.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. É uma tristeza que este género de pessoa tenho algum crédito para opinar sobre que assunto seja. Assim Portugal não sai da cepa torta. É desesperante chegar à minha idade (61) e continuar a “levar” com estes velhos do Restelo.

    • Tem tanto crédito como tu!…
      Levas com eles e não sais da cepa torta porque queres!!
      Ele não é ministro nem está no governo, portanto, tal como tu, é só mais um a dar a sua opinião!…
      E, se calhar, quem tem 61 anos, tem alguma responsabilidade na situação actual…

  2. Também há muitos a trabalhar 12 e mais horas presencialmente. Nalgumas profissões é a regra. Quantas vezes sem ganharem essas horas.
    Desde que se garanta o nível de serviço, podemos trabalharmos mais horas um dia e pedirmos compensação trabalhando menos noutros. Só temos a ganhar.
    O teletrabalho, quando possível e adequado, representa uma excelente oportunidade a diversos níveis, para todos e deve ser encorajado. Há sim, que modernizar, dar formação e apoios específicos.
    Só para dar alguns exemplos, ao empregador sobra espaço no escritório, o trabalhador terá mais tempo e flexibilidade, e todos nós beneficiamos do facto de haver menos deslocações, com menores despesa, horas de ponta mais desafogadas e poluição reduzida.
    Pensar de outra forma representa um apego ao mais convencional modelo de trabalho, uma forma de expressão dos Velhos do Restelo desajustado face à realidade atual.

    • Concordo com o Nuno. E arrepia-me o desplante deste Sr. Falou do contrato de geração e anos passaram, nada aconteceu é hoje preconiza ideias contrárias; conciliação de vida profissional e familiar, agora vem hipocritamente dizer que para haver teletrabalho é necessário acordo com o empregador e (ridículo) porque esse acordo beneficia o trabalhador. Hipócrita

    • Boa resposta.
      A soluça é fechar o máximo empresas, escolas…
      Vejam o que o governo gastou para abrir várias repartições sem grande necessidade.
      Com novas tecnologias podemos evitar gastos.
      Emails, internet, Skype, menssager, As refeições, as compras tudo isto podemos fazer através da internet.
      Limpo, fácil.
      Distanciando das pessoas, objectos, cheiros, dos contágios…

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