Um volte face, uma deslealdade, e as ganas de honrar a palavra dada

Tiago Petinga / Lusa

A deputada do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, intervém durante o debate parlamentar

A deputada bloquista Mariana Mortágua marcou o encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado para 2018 acusando o Executivo de não ter “honrado a palavra dada”.

A deputada do BE Mariana Mortágua condenou o “volte face” e a “deslealdade” do PS quanto à contribuição sobre as renováveis, acusando esta segunda-feira os socialistas de cederem perante o “poder das elétricas”.

“Não nos queixamos apenas da deslealdade de ter rasgado o compromisso com o Bloco, o que já não seria pouco, porque a lealdade parlamentar baseia-se na palavra dada. Queixamo-nos da oportunidade que o país perdeu“, afirmou.

Em causa está o chumbo de uma proposta dos bloquistas, num volte face de última hora, que previa uma taxa extraordinária para as empresas produtoras de energias renováveis, que renderia aos cofres do Estado mais de 250 milhões de euros.

Esta segunda-feira em plenário, o PS votou contra, mas a proposta tinha já merecido o voto favorável do PS na sexta-feira passada. Para a deputada do Bloco, o que fica à vista “é que o Partido Socialista preferiu amarrar-se aos mesmos setores que já protegeu nos seus governos anteriores”.

Na sua intervenção, a líder parlamentar do BE justificou depois o voto favorável do partido, afirmando que o Bloco de Esquerda negociou com seriedade e não voltaria atrás na decisão anteriormente anunciada porque, para o BE, “palavra dada é mesmo palavra honrada“.

A deputada defendeu que “nada justifica o volte face do Partido Socialista a não ser a subserviência de sempre ao poder das elétricas” e sublinhou que as “rendas excessivas são o reflexo de uma economia refém dos interesses de uns poucos”.

Costa “momentaneamente cansado” mas com ganas

António Costa rejeitou, esta segunda-feira, a tese de que o Governo já cumpriu o seu programa, afirmando que está “com ganas” de abrir novos caminhos e com ambição de levar “mais longe” o país.

O primeiro-ministro garante que “a palavra dada será sempre honrada” e diz estar com “ganas de continuar a levar o país para a frente” e de ir além do programa do Governo.

Manuel De Almeida / LUSA

António Costa discursa durante o jantar comemorativo dos 2 anos de Governo.

Depois do debate aceso entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, sobre a contribuição solidária a incidir sobre as elétricas, e depois de Mariana Mortágua acusar o PS de ser desleal, o secretário-geral do PS respondeu ao BE no comício do PS, em Lisboa, que marcou os dois anos de Governo.

“A confiança que conquistámos com a garantia da estabilidade política, a confiança que conquistámos no respeito pelos compromissos que assumimos, os nossos compromissos com a União Europeia, com os nossos parceiros parlamentares e, sobretudo, os nossos compromissos com as portuguesas e os portugueses, porque como sempre temos dito: palavra dada será sempre palavra honrada”, afirmou.

Segundo fontes do grupo parlamentar e do governo, a razão que levou o PS a este volte face foi um “erro de coordenação” dentro da bancada. Na sexta-feira passada, o PS deveria ter votado contra, mas votou a favor. Ao DN, um deputado do partido afirma que este erro refletiu as visões diferentes sobre o assunto dentro da bancada.

Numa altura em que o Governo comemora dois anos de vida, António Costa garante que há muito mais por fazer e que “aqueles que dizem que já esgotámos o nosso programa não conhecem a nossa ambição de ir mais além”.

O secretário-geral do PS prometeu ainda que, enquanto houver estrada pela frente, o seu Governo vai “continuar a andar”. E mesmo quando o caminho estiver todo percorrido, Costa promete ir mais além, “porque a nossa estrada não tem fim”.

O primeiro-ministro respondeu também àqueles que “simpaticamente” lhe dizem “para descansar um bocadinho” por estar com um ar cansado.

“Quero dizer a todos o seguinte: Posso estar momentaneamente cansado, mas isso em nada diminui as minhas ganas, a minha vontade e a minha força e a determinação de continuar a levar para a frente o PS, o Governo e o país, porque é isso que os portugueses esperam de nós”, declarou, recebendo uma prolongada salva de palmas.

ZAP // LUSA

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4 COMENTÁRIOS

  1. Neste caso os bloquistas têm razão porque afinal o senhor “PALAVRA DADA É PALAVRA HONRADA” acabou por deitar a máscara abaixo uma vez mais, no entanto para os bloquistas isto não deixa de ser bem feito e acabarão como sempre também eles subservientes do PS e continuarão tal como os seus camaradas comunistas a lamber as botas ao PS imaginando assim não darem parte de fracos e mantendo a clientela que esta por seu lado poderá começar a achar o amor intenso demais.

      • diga la os nomes dos administradores do cds e do psd, nas empresas eletricas ou telefonicas ou outras quiasquer……. nao me diga que é o mexia? o bava? o granadeiro? o pedro soares? o pai penedos e o filho penedos ?? talvez sejam do cds e o vara do psd ?????kkkkkk.
        voce gosta de lavar a cara como os gatos, cospe nas maos, a agua ainda nao esta racionada para os lados do hotel vitoria nem na rua da palma. quando quizer por veneno na conversa… faça o com frontalidade e imparcialidade. nos ja ja sabemos que gentinha com os vicios de mortagua e as praticas do marxismo durante 100 anos nao se pode pedir mais.

  2. “a minha vontade e a minha força e a determinação de continuar a levar para a frente o PS, o Governo e o país” o país não é de certeza. A usar a economia dos portugueses para fazer teatro. Quanto ao BE fala muito mas também não faz nada.

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