Trump quis atacar Irão na semana passada (mas terá sido dissuadido)

Stefani Reynolds / EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O Presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, quis atacar o Irão na semana passada por causa do programa de enriquecimento de urânio, mas os conselheiros dissuadiram-no, noticiou na segunda-feira o jornal The New York Times.

O diário nova-iorquino detalhou que Trump discutiu o assunto numa reunião na quinta-feira, um dia após as Nações Unidas, através da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), indicarem um aumento nas reservas iranianas de urânio enriquecido.

A reunião na Sala Oval contou com a presença do vice-Presidente, Mike Pence, do secretário de Estado, Mike Pompeo, do novo secretário de Defesa interino, Christopher Miller, e do chefe do Estado-Maior, general Mark Milley.

Todos eles dissuadiram o Presidente de lançar um ataque militar contra as instalações iranianas, considerando que tal agressão “podia facilmente escalar para um conflito mais amplo”, num momento de incerteza política nos Estados Unidos.

No final da reunião, o ataque às instalações nucleares foi descartado, disseram fontes, que pediram para não serem identificadas, citadas pelo The New York Times.

Um ataque militar, que segundo o jornal podia ser com mísseis, mas também cibernético, teria como alvo as instalações nucleares iranianas na cidade de Natanz, onde inspetores da AIEA deram conta de reservas de urânio enriquecido de 2.449 quilogramas, bem acima do limite máximo de 300 quilos estabelecido no pacto nuclear firmado com as grandes potências mundiais.

O Irão começou a produzir urânio de maior pureza no ano passado, numa violação ao acordo nuclear para pressionar os países europeus, em resposta à saída dos Estados Unidos do pacto em 2018.

O acordo, assinado em 2015, previa certas limitações ao programa nuclear do Irão para que este não pudesse fabricar uma bomba nuclear a curto prazo.

Em troca, as sanções internacionais contra Teerão foram suspensas, embora os Estados Unidos tenham restabelecido medidas punitivas em 2018, incluindo um embargo ao petróleo.

Trump retira tropas dos Estados Unidos no Afeganistão e Iraque

A administração de Donald Trump pretende reduzir o número de tropas norte-americanas no Afeganistão para metade até 15 de janeiro de 2021, indicou esta segunda-feira um responsável oficial norte-americano citado pela agência noticiosa Associated Press (AP).

A ordem fica aquém do objetivo do Presidente Donald Trump, que deverá abandonar o cargo em 20 de janeiro após as recentes presidenciais, quando admitiu previamente a retirada total das tropas até ao final de 2020, uma posição que enfrentou a oposição de conselheiros militares e diplomáticos.

O Pentágono também pretende cortar o número de tropas norte-americanas no Iraque para 2500, uma redução de mais de 500 efetivos. As decisões não causaram surpresa, na sequência das alterações promovidas na liderança do Pentágono por Trump durante a passada semana, quando promoveu pessoas de confiança que partilham a sua frustração com a contínua presença militar em zonas de guerra.

Estas reduções constituem um sucesso de Trump nas suas semanas finais no poder, apesar de continuar a recusar reconhecer a sua derrota nas presidenciais de novembro face ao democrata Joe Biden.

O responsável oficial indicou que os chefes militares foram informados durante o fim de semana sobre a planificação das retiradas, estando a ser delineada uma ordem executiva que ainda não foi entregue aos comandos.

O responsável oficial solicitou o anonimato pelo facto de constituírem deliberações internas. Atualmente, os Estados Unidos mantêm entre 4.500 e 5.000 tropas no Afeganistão, e mais de 3.000 no Iraque.

De acordo com esta ordem, a redução das tropas estará finalizada apenas cinco antes de Biden assumir a presidência, uma cerimónia prevista para 20 de janeiro, e transmitindo-lhe uma pequena presença militar em duas zonas de guerra decisivas.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. O imperialismo é como uma tóxicodependência. Por mais que se tente parar, nunca se consegue. E por fim morre-se de overdose… Só espero que a overdose dos EUA não nos atinja a nós, que não conseguimos libertar-nos do vício da vassalagem aos americanos…

      • Os meus “pontapés” – muito voluntários – impediram-no de perceber o que eu estava a dizer? É como dizer: “Não como este magnífico bife do lombo porque está servido num prato cujo desenho não me agrada…”

  2. Caros Sr.s

    Pretende-se que o V/ serviço seja escrito em português. Para o efeito é bom que as pessoas que produzem estes textos sejam portugueses falantes e que saibam um mínimo de protuguês.
    Quando afirmam “…os Estados Unidos mantêm entre 4.500 e 5.000 tropas …” cometem um erro terrível. Tropa é uma palavra que designa um colectivo. Tropa é um conjunto de soldados. Assim, aquilo que se lê é que “… os USA mantêm entre 4.500 e 5.000 grupos de militares (ou grupos de soldados). e como um grupo tem de 0 a infinito, temos que a presença militar dos EUA no Afeganistão e no Iraque é de … não se consegue saber …

  3. O que o Donald Trump fez, e como qualquer outro presidente tem sempre feito, foi reunir com os seus conselheiros seniores numa reunião na “Oval Office” para discutirem se ele tinha ou não opções para tomar medidas contra a principal instalação nuclear do Irã nas próximas semanas.
    O anterior presidente fez muito, mas mesmo muito, pior. Ele bombardeou países, iniciou guerras, usou a chamada “Kill List” (lista de matança) e tudo sem ir ao Congresso. Afirmando que, e pelas suas próprias palavras “há momentos em que a força militar é necessária”.
    Só em 2016, ele mandou lançar 26.171 bombas no Iraque, Afeganistão, Líbia, Iémen, Somália e Paquistão. Matando centenas de civis inocentes.
    E mais, o Donald Trump é o primeiro PRIMEIRO presidente dos EUA que não deu início a novas guerras em mais de 40 anos. Aliás, ele retirou as tropas Norte Americanas das guerras em que a administração Obama/Biden iniciaram.
    https://www.nytimes.com/2020/11/16/us/politics/trump-iran-nuclear.html

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