Trump exige fim da incursão militar turca na Síria e impõe novas sanções a Ancara

Jim Lo Scalzo / EPA

O Presidente dos EUA, Donald Trump

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, exigiu na segunda-feira que a Turquia pusesse fim à incursão militar na Síria e impôs novas sanções ao aliado da NATO. Criticado por democratas e republicanos por abrir caminho ao avanço das tropas turcas, parece ter entrado em modo de contenção de danos.

“Os Estados Unidos simplesmente já não vão tolerar mais a invasão da Turquia na Síria. Apelamos à Turquia para que se retire, acabe com a violência e se sente à mesa das negociações”, disse o vice-Presidente americano, Mike Pence, noticiou o Expresso.

Durante uma chamada telefónica, Donald Trump instou o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, a concordar com um cessar-fogo imediato, revelou Mike Pence, que anunciou que viajaria em breve para a região para tentar mediar a crise.

A meio da semana passada, as autoridades de Ancara lançaram uma operação transfronteiriça no nordeste da Síria, poucos dias depois de Recep Tayyip Erdogan ter informado Donald Trump, através de um telefonema, que tencionava avançar com uma ação há muito planeada contra os curdos, aliados dos EUA na região.

Donald Trump anunciou então uma desmobilização abrupta de 50 soldados americanos da zona de conflito, rejeitando críticas de que esta operação deixaria os curdos diretamente expostos ao ataque.

A decisão do Presidente norte-americano foi amplamente considerada uma luz verde a Recep Tayyip Erdogan para a sua ofensiva. Os curdos, considerados terroristas pelo regime turco, foram fundamentais na luta dos EUA contra o Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico, na Síria.

Tolga Bozoglu / EPA

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

Com os congressistas americanos preparados para impor sanções, Donald Trump emitiu uma ordem executiva autorizando sanções contra atuais e antigos funcionários do Governo de Ancara por contribuírem para a operação militar no nordeste da Síria.

Em comunicado, o Presidente anunciou o aumento das tarifas sobre as importações de aço turco novamente para os 50%, seis meses depois da sua redução, e a suspensão imediata das negociações para um acordo comercial de 100 mil milhões de dólares com a Turquia. “Infelizmente, a Turquia não parece estar a mitigar os efeitos humanitários da sua invasão”, justificou.

O Presidente dos EUA acrescentou que a ofensiva turca está a precipitar uma crise humanitária e a “criar condições para possíveis crimes de guerra” mas deixou claro que não planeava reverter a sua decisão de retirada.

“Como disse, estamos a retirar os membros do serviço dos Estados Unidos que permanecem no nordeste da Síria”, reiterou. As tropas americanas que saem da Síria ficarão na região para monitorizar o Daesh e um pequeno contingente permanecerá na base militar americana de Al-Tanf, no sul da Síria, precisou.

Donald Trump esclareceu ainda que a sua ordem executiva permitirá a Washington impor sanções a funcionários turcos que possam estar envolvidos em violações de direitos humanos, além de autorizar sanções como o bloqueio de propriedade e a restrição de entrada nos EUA.

O Secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, acrescentou que Washington impôs sanções aos ministérios turcos da Defesa, do Interior e da Energia, bem como aos seus departamentos respetivos.

Uma nação sem país

Com mais de 26 milhões de cidadãos, os curdos são a maior nação sem território do mundo — à frente dos 7 milhões de palestinos, 6 milhões de tibetanos, 5 milhões de caxemires e 4.8 milhões de romanis, e mais numerosos do que estes povos somados.

Os curdos vivem num território que abrange partes da Arménia, Azerbaijão, Irão, Iraque, Síria e Turquia, e reivindicam a criação do Curdistão, entre o norte do Iraque, leste da Turquia e noroeste do Irão.

Anandaroop Roy

Mapa do Curdistão

A perda de partes importantes dos territórios destes países é apontada como origem das perseguições e massacres de que os curdos são vítimas há décadas. No caso da Turquia, que mais fortemente tem reprimido as pretensões nacionalistas curdas, a criação do Curdistão implicaria a perda de mais de um terço do seu território, no leste do país.

Até ao início do século 20, os curdos não reivindicavam a criação do seu próprio país. Com um estilo de vida de pastores itinerantes de cabras e ovelhas, o principal elemento de identidade nacional é a sua organização social, baseada na lealdade a clãs.

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o maior controle das fronteiras nacionais impediu o trânsito livre dos seus rebanhos, forçando a maioria dos curdos a fixar-se em aldeias e adotar a agricultura, fazendo surgir a luta pela criação de uma nação própria.

Taísa Pagno ZAP // //

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8 COMENTÁRIOS

  1. Este Trampa está cada vez mais louco… primeiro abandona os curdos às mãos do turcos e agora impõe sanções à Turquia por esta fazer o que toda a gente sabia que ia fazer!…

  2. “Trump está cada vez mais louco…”

    Já lhe ocorreu que o que o motiva são questões que desconhece completamente e que transcende aquilo que pasquins (dominados pelos interesses adversários) transmitem?
    Já pensou nessa possibilidade?

  3. O Erdogan está-se borrifando para as conversas do Trump, joga com um pau de dois bicos, ora virado para o Ocidente , ora virado para a Rússia, portanto se não tiver apoio de um lado, te-lo há do outro. O verdadeiro problema é que os curdos vivem colonizados por vários países sem direito a pátria própria, a ganância de uns impede o direito de outros e são vários os exemplos logo a começar aqui por tão perto de nós.

    • Claro, basta pensar que a Turquia é um país da NATO e ainda este ano fez o impensável: comprou defesas anti-aéreas à Russia!!
      Por isso mesmo, o Trampa e companhia já deviam saber o que iria acontecer mal eles retirassem os soldados americanos das suas posições perto da fronteira com a Turquia!…

  4. Pois, e enquanto vai e não vai e se sentam à mesa de negociações continua o massacre até o Sr. Erdogan fazer o que quer fazer. Aí está a trafulhice americana no seu melhor, já fizeram o que queriam fazer, vender armas à Turquia, agora querem deixá-los brincar com os brinquedos novos por um bocadinho.

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