“Uma anedota sem piada”. Trégua humanitária na Síria foi violada

Ghith Sy / EPA

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirma a retomada de confrontos, esta terça-feira de manhã em Ghouta Oriental, perto de Damasco, apesar da trégua humanitária decretada na segunda por Moscovo.

“Os confrontos continuam esta manhã, são as informações que recebemos”, disse o porta-voz do Escritório de Ajuda Humanitária da ONU, Jens Laerke, a jornalistas em Genebra, confirmando relatórios de explosões.

O general russo Viktor Pankov dá conta de “bombardeamentos massivos”, impedindo a retirada de civis sírios de Ghouta Oriental.

“Os rebeldes estão neste momento a bombardear intensamente e nenhum dos civis conseguiu sair da área”, disse à imprensa o oficial militar russo responsável pela monitorização do campo Al-Rafidain.

“O regime sírio lançou desde as 09h00 (hora de Ghouta Oriental) nove ataques no total, incluindo seis de artilharia, dois com explosivos e uma invasão aérea”, disse à AFP Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com a agência EFE, três projéteis atingiram a população de Harasta, enquanto um caiu em Duma, a maior cidade de Ghouta Oriental, e outro numa área que separa ambos os locais. Além disso, vários projéteis atingiram também a área de Mesraba.

Ao longo destas primeiras cinco horas de trégua, o OSDH documentou a morte de uma criança devido ao disparo de foguetes pelas forças governamentais sírias contra a localidade de Yisrin, nessa região.

Por sua vez, a oposição síria atribui a violação do regime de trégua ao Presidente da Síria, Bashar al-Assad. “O regime sírio não cumpre a trégua humanitária e bombardeia Ghouta Oriental sob o pretexto de luta contra a Al-Qaeda”, disse hoje um porta-voz do Exército Sírio Livre à agência de notícias Interfax.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou na segunda-feira uma trégua humanitária que começou hoje na região, mas foi logo interrompida.

Desde o dia 18 de fevereiro que Ghouta oriental tem sido alvo de ataques da aviação de combate síria e russa e da artilharia de campanha governamental. A ação militar já fez 568 mortos, entre os quais 141 crianças e 85 mulheres, de acordo com os últimos dados do OSDH, organização não-governamental sediada em Londres.

“Uma anedota sem piada”

Em entrevista à TSF, Ahmad Kanshour, um sírio de 33 anos que vive em Ghouta oriental, diz que, apesar de todo o sofrimento, não quer abandonar a região e recusa-se a ser mais um refugiado.

Questionado sobre as tréguas diárias impostas pelo Kremlin, Kanshour diz que não traz grandes benefícios para a população e que se trata de “uma anedota sem piada”. “É algo inaceitável. Ficámos chocados por António Guterres ter dito que este cessar-fogo é algo positivo. Não é. Isto é o inicio de uma alteração demográfica. O regime prepara-se para exilar 400 mil pessoas”, critica.

“A forma como o regime propõe que as pessoas saiam é humilhante. É como se estivesse a prender 400 mil pessoas ao mesmo tempo. Depois mata as que não gosta e permite às outras refugiarem-se noutros países. Como seres humanos, ninguém devia ser obrigado a aceitar uma proposta destas”, defende o agora ativista, em declarações à rádio.

Reino Unido admite intervir contra uso de armas químicas

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, disse hoje que o Reino Unido devia “ponderar seriamente” uma intervenção militar contra a Síria se existirem “provas indiscutíveis” sobre o uso de armas químicas pelo Governo.

Em declarações à BBC Radio 4, o diplomata reconheceu que “é muito importante reconhecer que não existe uma solução militar que o Ocidente possa impor agora” no conflito na Síria, mas acrescentou que é preciso responder às ações de Bashar al-Assad.

“Temos de perguntar a nós próprios, enquanto país, e creio que os países ocidentais devem perguntar-se a si próprios, se podemos permitir o uso de armas químicas, se podemos permitir que a utilização de armas ilegais fique sem resposta, que fique impune, e creio que não podemos”, disse.

Segundo o político conservador, citado pela agência espanhola EFE, “se existem provas indiscutíveis sobre a utilização de armas químicas, verificada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas, se sabemos que isso aconteceu e se podemos prová-lo, e se existir uma proposta de ação na qual o Reino Unido poderia ser útil, então sim, creio que devíamos ponderar seriamente“.

ZAP // Lusa

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