“Não há tragédia maior do que esta”, escreveram os bastonários à ministra da Saúde

António Cotrim / Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido

“O que nos move nesta carta aberta, sra. ministra da Saúde, é a angústia de quem conhece os doentes pelo nome e sabe que o SNS, como está, sozinho não os poderá ajudar a todos.” Este é o alerta, em forma de carta aberta, do atual e cinco antigos bastonários da Ordem dos Médicos.

Numa altura em que Portugal vê os novos casos de infeção por covid-19 subir, o atual e cinco antigos bastonários da Ordem dos Médicos escreveram uma carta à ministra da Saúde, Marta Temido, para dizer que é urgente mudar a estratégia do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A carta aberta, assinada por Miguel Guimarães, Gentil Martins, Carlos Ribeiro, Germano Sousa, José Manuel Silva e Pedro Nunes, foi publicada esta quarta-feira no jornal Público.

Além de acusarem o ministério da Saúde de não ter aprendido a lição nos meses que passaram, os bastonários alertam que é preciso mudar já e confessam a preocupação que sentem com a segunda fase da covid-19.

“Já estamos na segunda semana de outubro, em pleno outono, e o que aconteceu, o que mudou de substancial na organização das pessoas e dos meios? Onde está o necessário e imprescindível plano – discutido, alterado e devidamente aprovado – para os dias e meses difíceis que enfrentamos?”, questionam.

Saber que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem capacidade de resposta nas próximas semanas e meses para ajudar os doentes é, para os bastonários uma tragédia. E “não há tragédia maior do que esta“.

Na segunda fase da pandemia, o SNS vai sofrer uma nova pressão e, sem mãos a medir, as consequências podem ser dramáticas para os doentes, avisam ainda. “Nesta segunda fase da pandemia, o SNS sofrerá toda a pressão da procura sem esta proteção, o que ameaça ter consequências dramáticas para os doentes confrontados com um SNS sem mãos a medir.”

Num apelo gritante à ministra da Saúde, os seis médicos frisam que é preciso um investimento de grande envergadura no SNS, envolvendo os setores de saúde sociais e privados.

Para os bastonários, não há dúvidas de que este é o momento de liderar uma resposta global, de recuperar as listas de espera e os potenciais doentes perdidos, valorizar os profissionais de saúde, proteger os idosos nos lares e unir os portugueses. “Não podemos voltar a deixar alguém ficar para trás.”

ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

  1. E propostas de e como melhorar Zero onde ir buscar mais profissionais de Saúde Zero, Portugal e nos restantes Países por esse Mundo fora não tem profissionais de Saúde que cheguem para tratar de tantos doentes seja do COVI-19 seja das restantes doenças, Portugal está como aquele que quer tapar a cabeça e destapa os pés tem a manta curta assim está Portugal

  2. Pois, quiseram aniquilar o SNS, exportando “excedentes” para muitos países europeus, e cuja formação tanto custou a todos nós, para os entregarmos, assim, de mão beijada a quem não investiu um cêntimo na sua formação e que, agora, lhes dão muito jeito, como aconteceu ao Boris! O governo de Passos Coelho empurrou-os da sua “zona de conforto” ( soam a ridículo estas palavras!) e, nessa altura, ninguém achou que o SNS ficaria exangue, agora é que clamam: “Aqui d el rei!”! Não me lembro de ter ouvido nenhum destes senhores bastonários a indignar-se com a medida! Claro que o problema sobra para muitos de nós mas, para os profissionais de saúde sobrará muito mais! A culpa não é só deste governo! Medidas podem ser tomadas mas, fabricar seres humanos, ainda por cima habilitados, por enquanto é completamente impossível!

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