Emocionada, Temido pede desculpa “do fundo do coração” aos médicos e fala de um “mal-entendido”

Mário Cruz / Lusa

A ministra da Saúde pediu desculpa aos profissionais de saúde, esta quinta-feira, pelas suas declarações sobre “resiliência”, tendo considerado que se tratou de um “mal-entendido”.

“Não disse, em momento nenhum, que é necessário recrutar profissionais mais resilientes. Disse que era necessário haver um investimento em mais resiliência, sobretudo em quem trabalha em áreas tão exigentes como as da Saúde”, começou por dizer Marta Temido aos jornalistas.

“Se causei uma má interpretação, peço desculpa por isso, genuinamente e do fundo do coração. Os profissionais de saúde, os portugueses, o Serviço Nacional de Saúde conhecem-me”, continuou a ministra, começando a ficar emocionada.

“Eu trabalho há muitos anos no setor da Saúde, trabalhei com muitos profissionais de saúde e fico muito e genuinamente indignada com essa receção, com esse mal-entendimento. Se fui mal entendida, peço desculpa”, afirmou ainda, já com algumas lágrimas.

Em causa está a posição da Ordem dos Médicos, que considerou que Marta Temido “perdeu toda a credibilidade” ao ter afirmado esta quarta-feira, durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, que é preciso pensar “nas expectativas e na seleção” dos médicos.

A governante, que respondia a perguntas dos deputados sobre as dificuldades que o Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) está a enfrentar, disse que a “resiliência” deve ser um fator a ter em conta na contratação de profissionais de saúde.

Na conferência de imprensa depois do Conselho de Ministros, questionado pelos jornalistas sobre as primeiras declarações da ministra, António Costa disse ser “absolutamente indiscutível” que o SNS e todos os seus profissionais mostraram “uma total dedicação, resiliência e empenho”.

“Aquilo que nós pudemos constatar é que, mesmo nos momentos mais terríveis desta pandemia, como foram os meses de janeiro e fevereiro do ano passado, o Serviço Nacional de Saúde e todos os seus profissionais, desde os assistentes operacionais aos médicos, todos mostraram uma total dedicação, resiliência, empenho, esforço no cumprimento da sua função e isso é absolutamente indiscutível e todos estamos gratos àquilo que é o esforço extraordinário dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde”, respondeu.

No entanto, Costa assumiu que “não corre tudo bem” no SNS e garantiu que o “trabalho diário” do Governo é procurar fazer, “todos os dias, mais e melhor pelo Serviço Nacional de Saúde”.

“Todos tempos bem consciência que Serviço Nacional de Saúde algum no mundo pode estar capacitado para responder às suas necessidades correntes e ainda a uma pandemia desta dimensão”, afirmou.

Assim, de acordo com primeiro-ministro, “não há serviço de saúde nenhum do mundo que não tenha sofrido na sua atividade regular” devido à pandemia de covid-19, uma “situação imprevista e anómala”.

Questionado sobre o mesmo tema, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também já tinha garantido hoje que “na cabeça de todos os portugueses” e do Governo está a noção de que os profissionais de saúde “são resistentes”, destacando a sua “resiliência e resistência” durante a pandemia.

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  ZAP // Lusa

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