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“Soube através da comunicação social.” Marcelo não comenta nomeação de Centeno para o BdP

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António Cotrim / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

Esta quinta-feira, o Presidente da República escusou-se a comentar a proposta do Governo para nomear o ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, para o cargo de governador do Banco de Portugal, alegando que o soube através da comunicação social.

No final da distribuição de refeições e contacto com sem-abrigo apoiados pelos voluntários da organização “Coração na Rua”, Marcelo Rebelo de Sousa não comentou a nomeação de Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal e adiantou que o soube através da comunicação social.

“Não comento. Vi-a [a informação] nas notícias, portanto não vou comentar. Agradeço muito à comunicação social o ter transmitido, mas não vou comentar (…) aquilo que soube através da comunicação social”, limitou-se a afirmar o chefe de Estado quando confrontado com a proposta do Governo.

O primeiro-ministro escreveu, esta quinta-feira, ao presidente da Assembleia da República a comunicar a proposta do Governo para nomear o ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal. “É intenção do Governo, na sequência de proposta do senhor ministro de Estado e das Finanças [João Leão], designar o professor doutor Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal”, lê-se.

Na mesma carta, à qual a Lusa teve acesso, António Costa pede depois que “seja requerida a audição do indigitado na comissão parlamentar competente, nos termos do disposto na lei orgânica do Banco de Portugal”.

Esta quinta-feira, no final do Conselho de Ministros, António Costa afirmou que já transmitira aos partidos com representação parlamentar a intenção do Governo em relação à sucessão de Carlos Costa no cargo de governador do Banco de Portugal.

“Já tive a oportunidade de ter um contacto telefónico diretamente entre mim e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares [Duarte Cordeiro]. Já falámos com todos os partidos para os ouvir sobre a matéria. Transmitimos qual a nossa intenção”, referiu o primeiro-ministro.

BCE pede mais quatro semanas

O Banco Central Europeu (BCE) pediu à Assembleia da República mais quatro semanas para emitir parecer sobre o projeto de lei do PAN que altera as regras de nomeação do governador do Banco de Portugal. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que o comunicou à Comissão de Orçamento e Finanças, onde o projeto de lei do PAN está a ser debatido na especialidade.

No documento, a que a Lusa teve acesso, “o BCE solicita respeitosamente à Assembleia da República Portuguesa a extensão do prazo por um período de quatro semanas suplementares” para a emissão do parecer que lhe foi pedido pelo parlamento português, com caráter de urgência.

Este pedido do BCE foi conhecido quase em simultâneo com o anúncio do primeiro-ministro, António Costa, de que o Governo já falou telefonicamente com todos os partidos representados na Assembleia da República sobre a nomeação no novo governador do Banco de Portugal.

O projeto de lei do PAN em causa foi aprovado na generalidade com a oposição do PS, abstenções de PCP e PEV e votos a favor dos restantes partidos, e, entre outras normas, impede que alguém que tenha sido primeiro-ministro ou governante responsável pelas Finanças ocupe nos cinco anos seguintes o cargo de governador do Banco de Portugal.

Neste diploma, o PAN propõe também que a Assembleia da República passe a ter a competência de emitir um parecer vinculativo sobre a nomeação do governador do Banco de Portugal, que compete ao Governo, em vez de se limitar a realizar uma audição parlamentar.

Na mensagem dirigida ao presidente da Assembleia da República, o BCE acusa a receção do pedido de parecer sobre este projeto de lei e menciona que isso se enquadra no disposto no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, por se tratar de um diploma “relativo a um banco central nacional”.

De acordo os regulamentos europeus, as autoridades dos Estados-membros podem fixar “um prazo para a emissão desse parecer, que não pode ser inferior a um mês a contar da data de receção” do pedido, e “em caso de extrema urgência, este prazo pode ser encurtado”, mas também está previsto que o BCE pode “solicitar na devida altura a extensão do prazo, até um máximo de quatro semanas suplementares, e este pedido não deve ser indevidamente recusado”, lê-se na carta de resposta a Ferro Rodrigues.

  ZAP // Lusa

12 Comments

  1. Sr.Presidente da Republica deste maravilhoso país de bananas, não faça de todos nós estúpidos.
    Toda a gente já sabia que isto ia acontecer. Qual é a novidade?
    O esquema já estava todo montado e não é de agora. Só faltava saber quando se dignavam a anunciar.

    • “não faça de todos nós estúpidos.”
      Tu fazes bem isso sozinho!…
      Ele não disse que não sabia; disse que soube pelos media – são coisas bem diferentes!

      • Afinal para que queres a língua?… senão para ser o lambe botas oficial do treteiro mor. Tu nem categoria tens para ser estúpido. A esquizofrenia de que padeces vai levar-te em breve ao coletes de forças.

      • Este gajo “Eu”, defende acerrimamente a dupla Costa-Marcelo. Fosca-se que quando se trata de assuntos referidos a esta dupla conivente, o “Eu” está sempre ao lado dela.
        Sabe-se que este caso foi uma panelinha entre os dois e o desfecho já se se sabia qual era. Como estratégia, Centeno foi fazendo birras, queria sair. O Marcelo chamou-o a Belém e pediu-lhe que ficasse mais um tempo. Em troca, já se sabe qual o presente de Marcelo. Algum português atento desconhece ou tem dúvidas sobre isto? Isto só prova que Marcelo faz muita vez jogo subrreptício. E a dupla anda bem sincronizada: lembram-se do anúncio da sua recandidatura, feita curiosamente pelo próprio Costa, na Auto-Europa ?

        • Errado – estou sempre do lado oposto ao da carneirada!!
          Como se pode comprovar pelo meu comentário, não defendi nada – muito menos o Marcelo ou o Costa – apenas clarifiquei a situação!
          Admito que isso possa ser muito complexo para mentes mais simplórias!…

  2. Pois, confesso que me envergonho cada vez mais com o modo de estar do nosso país.
    Confesso que me entristece cada vez mais a perspectiva do futuro no nosso país.
    Dantes, haveria muitos acontecimentos errados que ocorreriam à sombra do desconhecimento geral. Sempre achei que, sendo esses casos descobertos, a sociedade teria capacidade para reagir e obrigar à “reposição da normalidade”. Parece, infelizmente, que a normalidade afinal tem a bitola muito baixa. Parece, afinal, que boa parte da sociedade convive bem com isso. Tenho pena…

  3. A treta do Presidente ! Ele quando há pouco tempo chamou Centeno a Belém para lhe pedir que ficasse mais um tempo como ministro das Finanças e elaborasse o Orçamento para o restante do ano, certamente que lhe terá falado do Banco de Portugal e do seu apoio na indigitação para o cargo de governador.

  4. Esta gente querem fazer dos outros parvos. Ele devia ter vergonha de dizer que só soube pela comunicação social. O que andou ele a falar com o costa e com o cativador-mor do reino? Nunca falaram nisso e não acertaram todos os cordelinhos?? Alguém acredita nisto??

  5. Ó sr. Presidente, eu pensava que o senhor fosse um bocadinho mais honestozinho do que a maioria dos políticos mas. ultimamente, aliou-se a eles e as trafulhices têm sido muitas! Mas que bicho vos mordeu para fazerem de todos nós parvos desta maneira? Será que anda por aí outra pandemia? Qual será o antídoto para ela? Eu receio muito que seja a abstenção!! E depois venham, com falinhas mansas, implorar-nos que votemos porque é um dever cívico. E um dos vossos não será “não mentir” a quem, talvez ingenuamente, vos deu o voto?

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