Rui Rio defende que solução para cargos da UE foi desaire para António Costa

Fernando Veludo / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata – PSD, Rui Rio

Rui Rio disse que António Costa “jogou alto de mais e por isso perdeu”, afirmando que solução dos cargos constitui também um desaire para o primeiro-ministro espanhol.

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu esta quarta-feira que a solução proposta pelo Conselho Europeu para os cargos de topo da União Europeia (UE) constitui um desaire do primeiro-ministro português, que “jogou alto de mais”.

“Os socialistas, não vou dizer que têm uma derrota, mas estão longe de ter uma vitória, e aí, até o primeiro-ministro português jogou alto de mais e por isso perdeu. Se não tivesse jogado tão alto não se exigia tanto, mas quer ele quer o primeiro-ministro espanhol têm aqui um pequeno desaire, para não exagerar”, afirmou Rui Rio no programa “Circulatura do Quadrado”, da TVI24.

Rio ressalvou que há que “esperar pelo resultado da votação para a Comissão no Parlamento Europeu”, considerando que “não é líquido” que Ursula Von der Leyen “consiga passar com a mesma facilidade com que passou Juncker”.

“Aquilo que me dá ideia é que o grupo socialista vai tentar tudo por tudo para que a ministra da Defesa alemã não passe no Parlamento Europeu, e aí temos um impasse de todo o tamanho”, afirmou.

O líder social-democrata vê na solução alcançada “um reforço da posição do eixo franco-alemão”: “Macron e Merkel conseguem entender-se colocado um, no BCE, uma francesa e a, outra, uma alemã na Comissão Europeia. São os dois principais lugares, o presidente do Parlamento Europeu dividido ao meio vale o que vale, como sabemos, e da Política Externa também vale o que vale”.

“Dentro do próprio PPE a opção não é completamente pacífica porque queixam-se que a chanceler alemã não consultou devidamente o grupo parlamentar do PPE”, referiu.

Apesar de, enquanto negociador dos socialistas europeus, o primeiro-ministro, António Costa, não conseguiu ‘convenceu’ os seus homólogos europeus a indicar Timmermans para a presidência da Comissão, António Costa disse na terça-feira sair de Bruxelas “confortado” por constatar que a “minoria”, integrada pelos Visegrado e Itália, não conseguiu bloquear a Europa no seu conjunto.

Em conferência de imprensa, Costa reconheceu que a dificuldade sentida pelos líderes dos 28 para fechar a negociação sobre o ‘pacote’ das nomeações para os altos cargos da União Europeia “seguramente não é bom sinal“, e revelou a sua apreensão com os efeitos do “canto de sereia” de Salvini, ministro do Interior de Itália, e do grupo constituído por Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia.

“O que acho que é verdadeiramente mais preocupante naquilo que aconteceu ao longo destes dias é constatar a fragmentação interna numa das grandes famílias políticas e a sua fragilidade e permeabilidade à pressão de minorias de bloqueio. Isso é mesmo o fator mais preocupante para o futuro da Europa. Espero que esta solução tenha, pelo menos, o mérito de reforçar quem nessa família política, ao longo de mais de uma década, tem assegurado a capacidade de ser um motor positivo na construção do projeto europeu”, disse.

O primeiro-ministro referia-se à chanceler alemã, que durante os três dias da cimeira europeia enfrentou a ‘rebelião’ dos seus colegas do Partido Popular Europeu (PPE), que se uniram ao grupo de Visegrado e à Itália para ‘vetar’ a proposta desenhada em Osaka por Angela Merkel, o presidente francês, Emmanuel Macron, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que ‘entregava’ a presidência da Comissão Europeia ao socialista holandês Frans Timmermans.

Na solução encontrada, Ursula Von der Leyen, ministra da Defesa da Alemanha desde 2013, foi nomeada pelo Conselho Europeu para suceder a Jean-Claude Juncker na presidência da Comissão, no âmbito de um acordo entre as três maiores famílias políticas europeias – conservadores, socialistas e liberais – para as nomeações para os cargos de topo da União Europeia (UE).

O acordo no Conselho Europeu, alcançado depois de uma ‘maratona’ negocial em Bruxelas que se prolongou por três dias, contempla ainda a nomeação do primeiro-ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, para a presidência do Conselho Europeu, do vice-presidente da assembleia europeia, o socialista David Maria Sassoli, para a presidência do Parlamento Europeu, do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, o socialista Josep Borrell, como Alto Representante da UE para a Política Externa e ainda da francesa Christine Lagarde para o Banco Central Europeu.

O acordo fechado entre os líderes dos 28 foi a solução encontrada depois da rejeição, pelo PPE, da proposta negociada à margem da cimeira do G20 pela chanceler alemã Angela Merkel (PPE), o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez (Socialistas), o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte (Liberais), para a designação do socialista holandês Frans Timmermans, candidato principal dos socialistas, para a presidência da Comissão Europeia, e Manfred Weber, ‘spitzen’ dos conservadores, para a presidência do PE.

// Lusa

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