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Seis advertências em 15 dias. Navalny diz estar ameaçado de transferência para solitária

Esta segunda-feira, o líder da oposição russa, Alexei Navalny, disse que temia ser colocado em confinamento solitário depois de ser acusado de várias infrações menores às regras da prisão. 

De acordo com o Deutsche Welle, Alexei Navalny disse, numa publicação no Instagram, que recebeu seis advertências em duas semanas – e que duas reprimendas seriam tecnicamente suficientes para um tribunal de prisão enviar um prisioneiro para uma cela disciplinar. “As condições lá são próximas da tortura”, escreveu.

Algumas das infrações que Navalny listou incluíam sair da cama 10 minutos antes das ordens, recusar-se a assistir a uma teleconferência e usar uma t-shirt durante uma reunião com advogados.

Um dos críticos do presidente russo Vladimir Putin, Navalny está atualmente a cumprir pena de dois anos e meio na colónia penal IK-2, cerca de 100 quilómetros a leste de Moscovo.

Navalny adoeceu gravemente durante um voo da Sibéria para Moscovo em agosto. Foi levado primeiro a um hospital em Omsk, no sudoeste da Sibéria e, depois, para Berlim para receber tratamento. Laboratórios alemães, franceses e suecos determinaram que foi envenenado por um agente nervoso Novichok da era soviética.

O russo foi preso sob a acusação de violação de liberdade condicional imediatamente após regressar da Alemanha para a Rússia.

Nas últimas semanas, houve vários relatos de que a saúde de Navalny se estava a deteriorar na prisão, sofrendo o opositor de dores nas costas e nas pernas.

No domingo, um grupo de cerca de 500 profissionais médicos publicou uma carta aberta a exigir que Navalny, de 44 anos, recebesse os devidos cuidados. “Tememos pelo pior. Deixar um paciente nesta condição pode levar a consequências graves, incluindo uma perda irreversível, total ou parcial das funções dos membros inferiores”, lê-se na carta.

Os médicos, que indicam não poderem permanecer indiferentes enquanto “uma pessoa sofre”, consideram que as autoridades devem “criar as condições para a normalização do estado de saúde de Navalny”.

A petição sublinha que “deixar uma pessoa que sofre uma dor aguda e que se encontra numa cela sem as apropriadas medidas anestésicas pode representar não apenas uma violação dos seus direitos mas, diretamente, tortura“.

Uma comissão pública russa de direitos humanos disse no domingo que os seus membros visitaram Navalny na prisão e que o opositor disse que lhe doía a perna e pediu ajuda para obter analgésicos, mas não fez nenhum outro pedido.

  Maria Campos, ZAP // Lusa

 

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