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“Um verdadeiro campo de concentração”. Navalny transferido para a notória colónia penal IK-2

O crítico do Kremlin, Alexei Navalny, foi transferido para a colónia penal IK-2 na região de Vladimir para cumprir a sua sentença de dois anos e meio.

A informação foi confirmada esta segunda-feira pela sua conta no Instagram.

O paradeiro de Navalny era desconhecido desde sexta-feira, quando a sua equipa disse que o opositor russo foi transferido de um centro de detenção preventiva nos arredores de Moscovo, onde estava em quarentena.

Relatórios que citam fontes da prisão e de aplicação da lei revelaram, de acordo com o jornal russo The Moscow Times, que foi transferido para IK-2, um campo de prisioneiros na cidade de Pokrov conhecido pelo seu isolamento psicológico e condições adversas.

Numa publicação no Instagram, Navalny confirmou que tinha sido transferido para o IK-2, chamando-o de “um verdadeiro campo de concentração a 100 quilómetros de Moscovo”.

“Acho que alguém lá em cima leu ‘1984’ de Orwell e disse: ‘Sim, fixe. Vamos fazer isso. Educação pela desumanização’. Mas se se tratar tudo com humor, consegue-se viver. Então, no geral, estou bem”, escreveu, ao lado de uma fotografia antiga de si mesmo com um corte de cabelo curto.

A agência de notícias estatal TASS relatou anteriormente que um tribunal da guarnição militar notificou o chefe do IK-2 que analisará esta terça-feira uma reclamação dos advogados de Navalny sobre a inação dos investigadores russos em relação ao envenenamento de agosto na Sibéria.

A notificação, datada de 1 de março, pede à administração da colónia que garanta a participação de Navalny na sessão do tribunal através de videoconferência.

Navalny adoeceu gravemente durante um voo da Sibéria para Moscovo em agosto. Foi levado primeiro a um hospital em Omsk, no sudoeste da Sibéria e, depois, para Berlim para receber tratamento. Laboratórios alemães, franceses e suecos determinaram que foi envenenado por um agente nervoso Novichok da era soviética.

Navalny foi preso ao regressar à Rússia em janeiro por violar o seu liberdade condicional no estrangeiro. A sua prisão gerou protestos nas ruas de várias cidades russas, obrigando as forças de segurança a deter milhares de manifestantes.

Navalny há muito considera o Kremlin responsável pelo seu envenenamento. Moscovo nega as acusações e o Presidente russo Vladimir Putin afirmou que Navalny não era “suficientemente importante” para ser um alvo do Kremlin – e, se fosse, a Rússia teria “terminado o trabalho”.

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A Rússia recusou-se a abrir uma investigação criminal sobre o envenenamento de Navalny, apesar da pressão do Ocidente.

  Maria Campos, ZAP //

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