Putin nega envolvimento da Rússia no envenenamento de Navalny. “Teríamos terminado o trabalho”

Yuri Kochetkov / EPA

Vladimir Putin negou o envolvimento da Rússia no envenenamento de Alexei Navalny, ativista anticorrupção e crítico do Kremlin, depois de uma investigação conjunta de três órgãos de comunicação ter imputado responsabilidades ao país.

Na sua habitual conferência de imprensa de fim de ano, o Presidente russo falou sobre a investigação levada a cabo pelo site de jornalismo Bellingcat, o site russo The Insider, o jornal alemão Der Spiegel e a emissora norte-americana CNN, que sugere que um grupo de agentes do Serviço de Segurança Federal Russo (FSB) – principal agência sucessora da KGB da era soviética – esteve por detrás da tentativa de assassinato de Alexei Navalny.

Vladimir Putin afirmou que Navalny não era “suficientemente importante” para ser um alvo do Kremlin, considerando ainda que a investigação, publicada esta semana, faz parte de uma campanha para desacreditá-lo.

“Se [nós] quiséssemos envenená-lo, [teríamos] terminado o trabalho (…) Em vez disso, a sua esposa pediu-me e eu concedi autorização para sair do país para ser tratado”, disse o Presidente russo, citado pelo jornal britânico The Independent.

O líder russo pareceu, no entanto, confirmar algumas das alegações do relatório agora divulgado, especialmente as que sustentam que um grupo composto por elementos estaduais seguiu Navalny durante, pelo menos, três anos.

Putin admitiu que os serviços de segurança russa se aperceberam de que as suas comunicações estavam sob escuta: “Claro que sabemos que estamos a ser seguidos. Mas o facto de o paciente estar a ser sustentado por serviços secretos ocidentais é interessante por si só. Quem precisa de Alexei Navalny?”, questionou.

Militante anticorrupção e fervoroso crítico do Kremlin, Alxei Navalny adoeceu gravemente em 20 de agosto a bordo de um avião na Sibéria. Três laboratórios europeus concluíram que foi envenenado por um agente neurotóxico do tipo Novitchok, concebido para fins militares na época soviética. As acusações foram rejeitadas por Moscovo.

Sara Silva Alves, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Fónix… “teríamos terminado o trabalho…”?!!!!??!!!
    Esta frase tem muito que se lhe diga. Depreende-se desde logo que quando querem fazem-no e já deverão ter uma ampla experiência na matéria. O que dito publicamente é no mínimo ao nível do das Filipinas.

  2. Todos réus perante um tribunal se dizem inocentes. O Terribilíssimo já pertenceu aos quadros da KGB e sabe muito como eliminar “inimigos” do Estado. E o caso do cientista ocorrido na Inglaterra a pouco tempo atrás? Inclusive foi repudiado por diversos governos europeus, o que levou a diversos governos da UE a expulsar inúmeros diplomatas russos d seus países! É triste sabermos que nada acontece ao tirano. A ONU e seu órgão de Direitos Humanos só agem quando esses atos acontecem nos pequenos países da África ou da América Central.. É lamentável. É uma vergonha. A Inquisição vaticana está de volta. Ainda bem que que Alexei Navalny saiu vivo, o que nao ocorreu aos coitados Giordano Bruno e Galileo Galilei. É o que pensa joaoluizgondimaguiargondim…- [email protected]

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