“O segundo vinho é melhor do que o primeiro”. Marcelo pede mais a Costa

António Pedro Santos / Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que o Governo anterior superou as expectativas criadas há quatro anos e avisou o primeiro-ministro de que “as exigências dos portugueses são [hoje] muito superiores às de 2015”.

Este sábado, Marcelo Rebelo de Sousa deu posse ao XXII Governo Constitucional e alertou para o aumento das expectativas. O Presidente da República recorreu à parábola evangélica das Bodas de Caná para pedir a António Costa que o Governo seja melhor do que o primeiro presidido pelo atual primeiro-ministro.

O segundo vinho é melhor do que o primeiro“, afirmou Marcelo, citado pela Renascença, recordando a história do casamento em que falta o vinho. Na passagem, Jesus transforma a água em vinho e os convidados acabam por dizer que esse segundo vinho é melhor que o primeiro.

No seu discurso que fez no Palácio da Ajuda, o Presidente apresentou-se ainda como um defensor da estabilidade política, ou o “fusível de segurança do sistema de governo constitucional”, uma “indeclinável missão” que quer salvaguardar em permanência. E, dirigindo-se diretamente ao primeiro-ministro, afirmou que António Costa “sabe que não há recursos para tantas e tamanhas expectativas e exigências” dos portugueses e que os próximos tempos serão difíceis.

“E que o segredo da legitimidade do exercício deste Governo residirá na escolha, na hierarquização, na concentração e na clareza das respostas que entender ser possível dar”, disse, na cerimónia de posse ao XXII Governo Constitucional.

O Presidente elogiou o anterior Governo, apoiado pela esquerda, acordo que ficou conhecido como “geringonça”, apontando o “mérito inquestionável dos últimos anos”, como as “medidas sociais”, embora também tenha lembrado a “herança” do executivo PSD-CDS, durante o tempo da troika, com o “contributo” em “matéria de défice e de início de crescimento” económico.

O executivo da “geringonça”, admitiu, teve resultados que “claramente superaram a expectativas existentes”, apesar das “fortíssimas objeções internas e externas” no início do mandato.

No entanto, ficaram por resolver, total ou parcialmente, questões importantes para os portugueses, de que deu como exemplos “mais amplos entendimentos de regime, mesmo quanto ao sistema político, ao combate à corrupção, à transparência”, ou ainda a “durabilidade do crescimento e do equilíbrio das contas externas” e um “significativo avanço na produtividade e competitividade e maior equidade salarial”.

“O Presidente da República está onde sempre entendeu dever estar, representante uninominal de todos os portugueses, institucionalmente solidário e cooperante com os demais órgãos do poder político”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

De forma a “garantir a estabilidade, salvaguardando em permanência a sua indeclinável missão de fusível de segurança do sistema de governo constitucional”, concluiu.

Missão “não é fácil”

Marcelo avisou o novo primeiro-ministro que “não é fácil a tarefa que o espera” à frente do XXII Governo, face às mudanças na Europa e no mundo, hoje “mais complexos e mais imprevisíveis”.

No discurso após a posse, em que se dirigiu sempre a Costa como “senhor primeiro-ministro”, Marcelo falou da conjuntura externa, mas também em termos internos, e em que multiplicou os avisos ao Governo. “Não é fácil e não será fácil a tarefa que o espera. A Europa e o mundo estão hoje muito diferentes do que 2015, mais complexos, mais imprevisíveis”, afirmou.

Além de reconhecer e alertar para as dificuldades, algumas delas universais, do “envelhecimento acelerado às emergências ambientais”, outras são internas, como o “mais rápido desendividamento público e privado”.

A seguir enumerou uma lista de “conselhos”, começando todas as frases, dirigidas a Costa, com a palavra “sabe”. “Sabe que, mais do que nunca, será necessário agir com humildade” para servir com “isenção e perseverança, com sobreposição no interesse nacional a interesse de pessoas e de grupos, com proximidade aos portugueses, que impeça a sensação de afastamento entre os que governam e os que são a razão de ser desse governo”, disse.

E lembrou a António Costa que “sabe que preferiu uma fórmula governativa parcialmente, mas só muito parcialmente, nova, para um quadro parlamentar em apreciável parte, também novo”, ou seja, um executivo minoritário, sem acordos com outros partidos, como aconteceu há quatro anos, com a esquerda.

“Sabe”, ainda, que será ele a “pilotar” um governo com uma orgânica e composição “à sua medida” para conseguir a “viabilização e eficácia” de “orçamentos e medidas estruturais”.

Como também “sabe que conta com um reforço significativo dos votos expressos, em urnas e mandatos, e os apoios e oposição próprios do pluralismo democrático, num quadro parlamentar inédito”.

ZAP ZAP // Lusa

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14 COMENTÁRIOS

  1. Ó Sr. Presidente… isso depende muito do produtor do vinho. E também depende muito das condições de cada ano.
    As castas já sabemos que são as mesmas. Touriga César, Tinta Centeno, Alicante Cabrita e por aí fora. Agora, quanto às condições, há quem diga que a colheita pode ser pior. Andam por aí muitas nuvens negras e o tempo promete ser mau. Vamos ver se a vindima não se dá mais cedo do que o habitual…

    • Pois… é mais um diabo que se anuncia. Já conhecemos, pois… claro! Foi a colheita das castas Passos, Portas, Maria Albuquerque e Montenegro, que nos trouxe o pior “ano vinícola” dos últimos anos, que deixou a maior ressaca e grandes dores de barriga ao povo bebedor. Ao invés a colheita dos últimos quatro anos, apesar do anúncio sistemático das mesmas nuvens negras e tempo mau na vinha, pelos mais ressabiados “pois…” e quejandos, conseguiu uma produção reconhecida e admirada pelos apreciadores locais e estrangeiros. A ponto de, na última prova, ter havido um aumento significativo de encomendas. Pois …e quejandos anseiam desesperadamente para que as próximas vindimas corram mal, mesmo que a Adega Nacional se afunde, para se substituirem com o seu vinho a martelo. Pois… não deixaremos!

      • O amigo claramento não será um entendido em vinhos. A adega cooperativa estava falida quando os vitivinicultores Passos e Portas assumiram a sua gestão. Nos anos que antecederam essa gestão, tivemos à frente da adega cooperativa um grupo de bêbados que faziam questão de consumir grande parte da produção anual de vinho. Como resultado, no final desse período a adega não tinha meios para pagar aos seus credores.
        Os vitivinicultores Passos e Portas tiveram de contrair empréstimos, cortar nos custos e ainda tiveram más condições climatéricas. Ainda assim conseguiram endireitar o barco e no final da sua gestão a produção até já estava a aumentar como resultado da melhoria das condições climatéricas.
        Depois seguiu-se um novo vitivinicultor que geriu em anos de condições fantásticas para a produção de vinho. Ainda assim por toda a Europa os seus colegas conseguiram produzir mais e melhor vinho. Por cá esse vitivinicultor gabava-se de um enorme feito. Era cada vez mais último na Europa mas há quem se contente com pouco, como parece ser o caso do amigo. E pelo meio ainda conseguiu explorar os produtores de uva, tirando-lhes tudo e, pasme-se, ainda conseguiu aumentar a dívida global da adega. Um feito, de facto. Assim temos agora um mau vinho, muito embora as condições sejam fantásticas, uma adega com custos de funcionamento cada vez mais altos, uma adega com maior endividamento e estamos cada vez mais na cauda dos produtores europeus. Se acha que isto é um feito, faz-me lembrar aquele menino que seja a casa todo contente e diz aos pais: tive suficiente mais a matemática! Muito bem referem os paizinhos da criança. E que notas é que tiveram os teus colegas. Responde o menino: tiveram todos muito bom.

        • Tudo muito bem exceto quando diz que os vitivinicultores Passos e Portas tiveram de contrair empréstimos. Não foram eles mas o bêbado anterior. Chamou a troika e deixou o berbicacho para os outros resolverem.

      • O senhor Evidentemente esquece-se que o produtor do tal vinho foi o senhor Sócrates dono da Cooperativa PS e portanto os senhores que se seguiram viram-se obrigados e sob escolta internacional a impingir ao povo o que havia, pois já nada mais existia para dar, só não vê quem não quer mesmo ver!.

      • Pois não sei beber com “moderação” por apenas beber água toda a vida, já no seu caso pelo seu comentário o vinho substitui se calhar a água.
        Seja como for a carapuça assenta-lhe como uma luva.

  2. Certo é que o nosso Marcelo poderia ter escolhido outra metáfora, não pensou nas consequências de tal !……. Estes comentários aqui expostos, dão para uma monumental bebedeira !

  3. Só vamos esperar que o vinho seja fabricado em boas condições e que não venha a azedar e então aí confirmaremos se ele é de facto bom ou não.

  4. Pois eu acho que estas castas vao dar um vinho pior que o primeiro porque a sorte (conjuntura) nao vai ser a mesma, apesar do adegueiro ter quem lhe chegue o pipo ao ZePovinho depois de lhe juntar umas colheradas de açucar. Esse sim, tem obrigacao de fazer o segundo vinho melhor do que fez o primeiro e nao impingir mais agua pé da cooperativa.

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