Segundo caso de português infetado no Japão confirmado. OMS aumenta risco para “muito elevado”

Luca Zennaro / EPA

Um segundo cidadão português hospitalizado no Japão está infetado com o novo coronavírus, confirmou hoje a diretora-geral da Saúde. A OMS aumentou hoje para “muito elevado” o nível de ameaça do novo coronavírus.

“Sim, ele está infetado, se tem um teste positivo, ele está infetado”, afirmou Graça Freitas ao ser questionada pelos jornalistas sobre a situação de um segundo tripulante português do navio de cruzeiros Diamond Princess hospitalizado por indícios relacionados com o Covid-19.

A diretora-geral da Saúde sublinhou que o facto de estar infetado não significa que o português “tenha sintomas” ou “que esteja mal”, mas não adiantou mais informações sobre o caso, afirmando que o doente pediu que os seus dados se mantivessem privados.

As declarações de Graça Freitas, à margem de uma visita a alguns estabelecimentos de comércio chineses em Lisboa, surgem após o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ter apontado aos jornalistas na quinta-feira à noite a existência de um segundo caso de um tripulante português no navio de cruzeiros que tinha sido hospitalizado no Japão “por indícios relacionados” com o Covid-19.

Este caso segue-se a um outro tripulante português no mesmo navio, Adriano Maranhão, ter acusado infeção por Covid-19 e sido transferido para um hospital de referência no Japão na terça-feira.

Sobre a situação em Portugal, Graça Freitas considerou que a prioridade tem sido detetar precocemente qualquer caso suspeito e agir o mais rapidamente possível, afirmando que “é preferível que sejam todos negativos, do que deixar passar um positivo”.

“Recebemos centenas de chamadas, de dia e de noite, e neste momento já validámos cerca de 60 casos suspeitos. Até à data, todos foram negativos”, afirmou.

A DGS registou 52 casos suspeitos de infeção, 16 dos quais ainda estavam em estudo na quinta-feira. Os restantes 36 casos suspeitos não se confirmaram, após testes negativos.

A resposta das autoridades portuguesas, garantiu, será proporcional à evolução do Covid-19 em Portugal, de forma a evitar “uma epidemia social, uma epidemia económica, uma epidemia do preconceito, e uma epidemia da má comunicação”.

“Numa primeira fase, com muitos poucos casos, os meios são proporcionais e adequados à fase em que estivermos”, sublinhou Graça Freitas, acrescentando que os meios e profissionais disponíveis serão reforçados à medida que o número de casos aumentar.

A diretora-geral da Saúde associou-se a uma campanha lançada hoje em Lisboa com o objetivo de desmistificar a relação entre a comunidade chinesa e o novo coronavírus.

OMS aumenta risco para “muito elevado”

“Aumentámos agora a nossa avaliação do risco de propagação do Covid-19 e do risco de impacto para um nível global muito elevado”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em conferência de imprensa em Genebra, na Suíça.

Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que os epidemiologistas da OMS acompanharam em permanência os desenvolvimentos da infeção por SARS-CoV-2, doença denominada Covid-19, e foi decidido aumentar a avaliação do risco de propagação e do risco de impacto do Covid-19 para o nível mais alto.

Avançou ainda que mais de 20 vacinas estão a ser desenvolvidas em todo o mundo e que vários produtos terapêuticos estão a ser testados, sendo os primeiros resultados esperados em “algumas semanas”.

Se a China era até há recentemente o único foco mundial do coronavírus, o risco multiplicou-se com o surgimento de novos casos em países como a Coreia do Sul, o Irão e a Itália. Segundo a OMS, cerca de 50 países estão agora afetados.

“O que estamos a ver agora são epidemias relacionadas com o Covid-19 em vários países, mas a maioria dos casos ainda pode ser atribuída a contactos conhecidos ou grupos de casos”, adiantou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Segundo o responsável, “a chave para conter o novo coronavírus é quebrar as cadeias de transmissão”.

Embora a OMS tenha aumentado o nível de ameaça internacional, não considera que sejam ainda uma pandemia. Uma pandemia é uma situação em que “todos os cidadãos estão expostos”, o que não é o caso, disse aos jornalistas o diretor de programas de emergência da OMS, Michael Ryan.

“Se fosse uma epidemia de gripe, teríamos falado de uma pandemia”, mas no caso do novo coronavírus, “com medidas de contenção, o curso da epidemia pode ser interrompido de maneira significativa”, explicou Michael Ryan.

ZAP // Lusa

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