“A rutura do Bloco foi anunciada aquando da formação do Governo”

partidosocialista / Flickr

José António Vieira da Silva

Ainda que admita a existência de um fosse entre o PS e o Bloco de Esquerda, o antigo ministro Vieira da Silva não o vê como “irreversível”.

O ex-ministro Vieira da Silva defendeu que a rutura entre o Bloco de Esquerda e o PS data da altura da formação do Governo, após as eleições legislativas de 2019, mas não a vê como “irreversível”.

“Quem estivesse a observar com atenção os resultados eleitorais [de 2019] e a nova relação de forças que resultou entre os partidos que formavam a chamada geringonça, perceberia que da parte do Bloco havia muito menos disponibilidade de trabalhar da mesma forma”, diz em entrevista à Lusa o agora conselheiro da presidência portuguesa da União Europeia para os direitos sociais.

Segundo Vieira da Silva, devido à “derrota séria” do PCP (que perdeu cinco deputados), “a relação entre os outros dois parceiros da geringonça mudou e isso tem impacto na forma como eles estão disponíveis para colaborar”, sublinha. “Foi uma rutura anunciada”, sintetiza.

Questionado sobre o facto de o BE ter apresentado na altura uma proposta escrita de acordo ao PS, recusada por este, Vieira da Silva lembra que também “há documentos escritos de separação”, sobretudo quando as condições que se colocam “têm uma dimensão inultrapassável” para o outro parceiro.

Mas o antigo ministro do Trabalho sustenta, no entanto, que a atual crise pode ser revertida, porque, segundo disse, a chamada geringonça “mudou as regras da vida política e muitas dessas mudanças mantêm-se, as pessoas e os partidos continuam a falar e a negociar”.

Todavia, destacou, “a excecionalidade [da atual crise] deve levar a todos a maior flexibilidade”.

Apesar da crise, o conselheiro do comissário europeu para o Emprego e Assuntos Sociais, Nicolas Schmit, rejeita que o sistema político esteja degradado, embora reconheça que é “sempre muito difícil governar numa crise e estar ou querer estar associado a essa crise do lado de quem governa”.

Em relação ao futuro do atual Governo, Vieira da Silva não vê que “seja uma impossibilidade” que ele dure até ao fim da legislatura, elogiando o talento do atual primeiro-ministro, António Costa, para “encontrar soluções momentos de dificuldade”.

“Está certo que vamos ter uns seis meses de grande tensão, de grande dificuldade, mas por tudo o que acontece e porque temos trabalho a dobrar com uma presidência europeia (…) não está escrito [que o Governo não dure a legislatura]”, concretiza.

Já quanto ao acordo feito entre o PSD e o Chega para viabilizar o governo dos Açores, Vieira da Silva considera que “é inevitável que ele tenha um alcance nacional”. “Somos um Estado unitário, com duas regiões autónomas, que fazem parte de nossa vida política e cultural, com um contributo político de relevo para o nosso país, não tenho nenhuma dúvida sobre isso”, afirma.

Para Vieira da Silva, o acordo surgiu como uma “novidade um pouco surpreendente, talvez quem a tenha desenhado não tenha feito todas as interações sobre os efeitos em cadeia que podem daí advir”. “Talvez tivesse sido melhor que não tivesse acontecido”, concluiu.

ZAP // Lusa

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