Rio vence diretas e é reeleito líder do PSD. Rangel já reconheceu a derrota

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Tiago Petinga / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

Rui Rio foi reeleito presidente do PSD este sábado. A candidatura de Paulo Rangel já assumiu oficialmente a derrota.

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Contrariando todas as sondagens, que davam Paulo Rangel como favorito, Rui Rio venceu as eleições diretas à liderança do Partido Social Democrata (PSD).

Pelas 22h00, num momento em que faltam apurar 77 secções, dá-se como certa a vitória do atual líder do PSD, Rui Rio, e a derrota do eurodeputado Paulo Rangel.

À hora desta edição, o site oficial destas diretas no PSD apontavam Rui Rio à frente com 53.19% dos votos, contra 46,81% de Paulo Rangel.

De acordo com o Diário de Notícias, os candidatos à liderança do partido laranja estavam praticamente empatados por volta das 21h30. Rio seguia na frente, com 12.095 votos (50,88%), contra os 11.678 (49,12%) de Rangel. Nessa altura, estavam apurados 24.108 votos, mais de metade dos 46.663 registados.

Rui Rio venceu com larga margem no Porto, Vila Nova de Gaia e em Braga, duas concelhias cujas estruturas apoiavam Paulo Rangel, mas cujos militantes de base entregaram a vitória ao atual líder do partido.

O presidente do PSD venceu ainda em faro, Santarém, Leiria, Portalegre, Aveiro, Évora, Algarve, Açores, Madeira, Viseu e Bragança. Rangel venceu, sem surpresas e por larga margem, em Lisboa, bem como em Setúbal, Guarda e Coimbra.

Na sede da candidatura de Rui Rio não tardou a cantar-se vitória, com aplausos e cânticos de “Rui Rio” e “Portugal”.

Rio assumiu desde cedo que “parte do aparelho partidário” não estava do seu lado, mas o actual líder do PSD contava com o que chama de “militantes livres” para segurar a liderança — que viam nele o melhor candidato do PSD a primeiro-ministro.

À partida para estas eleições, Rangel tinha a seu lado 11 de 19 líderes distritais, entre os quais o do Porto — a maior estrutura do PSD no país. Além disso, contava com o apoio dos ex-ministros Miguel Relvas, Maria Luís Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz, conotados com Passos Coelho.

Rangel assume derrota

No discurso no qual assumiu a derrota, Paulo Rangel começou por felicitar o adversário, adiantando já ter conversado com Rui Rio, e fez “um apelo muito importante à unidade”.

“Que haja esse espírito. É muito importante que o partido esteja unido em torno da estratégia que hoje teve vencimento e do líder que teve esse programa”, disse Rangel.

No entender do eurodeputado, o PSD deve partir para as próximas eleições “com um único adversário: o PS de António Costa“.

“Apresentei-me com uma estratégia diferente da que teve hoje a vitória. Mas se vamos para as legislativas, temos de ir unidos com um adversário que é o Parido Socialista e o seu líder”, atirou o candidato derrotado.

Já sobre o facto de ter a maior parte da estrutura social-democrata do seu lado e, mesmo assim, ter perdido, o eurodeputado disse que “não há divórcio com as estruturas” e que todos “os militantes do PSD são livres”.

Rio canta vitória com legislativas na mira

Enquanto o reeleito presidente do PSD se preparava para o discurso da vitória, ouvia-se “I’m still standing” (“Ainda estou de pé”), música de Elton John.

Assim que entrou na sala, Rui Rio salientou que “esta é, antes de mais, a vitória dos militantes de base do PSD”. “Aqueles que são os dirigentes dos partido nas distritais e das concelhias têm de se ligar mais aos militantes“, atirou.

Além de agradecer à sua estrutura, Rio elogiou a “dignidade” de Rangel na hora da derrota. A seguir, virou a página: “Meus amigos, ponto final, parágrafo. Vamos mudar de capítulo. No dia 30 de janeiro temos um desafio pela frente que é ganhar as legislativas.”

Com a mira em António Costa, o líder do maior partido da oposição elencou as prioridades para a próxima grande prova de fogo que enfrenta. “Temos de ter mais riqueza e menos endividamento (…), temos de ter a força para reformar”, além de dar condições às empresas para que “possam pagar melhores salários”.

Na Saúde, apontou a necessidade de investir na melhoria dos serviços públicos por forma a dar “segurança aos portugueses”.

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“Queremos menos impostos e melhores serviços”, continuou o líder do PSD, salientando que “precisamos de um país mais descentralizado” – um apontar de dedo claro ao PS por ter impedido a transferência do Tribunal Constitucional para Coimbra.

Questionado sobre o futuro, nomeadamente o que fará se perder as eleições legislativas, Rio foi tenaz: “Eu vou ganhar”.

Com este resultado, Rui Rio, que lidera o PSD desde janeiro de 2018, manter-se-á como o 18.º presidente do partido.

Foram as terceiras eleições directas disputadas e vencidas por Rui Rio, depois de ter derrotado Pedro Santana Lopes (2018) por 54% e Luís Montenegro (2020) por 53%, numa inédita segunda volta no PSD.

O 39.º Congresso do partido vai realizar-se entre 17 e 19 de dezembro, na Feira Internacional de Lisboa.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Será o Gritante um novo Santana Lopes? Um satélite em orbita irregular? Parabéns a todos que não precisamos de ver a sua cara feia e o discurso a volta do Eu nas notícias dos próximos tempos. Afastados os neo-liberais mandados bugiar, pelo menos teremos um Parlamento decente nos próximos 4 anos

  2. Rio ganhou. O seu mandatário de campanha Salvador Malheiro é a figura do PSD que se destaca pelas suas exemplares qualidades pessoais , com um currículo intelectual de grande nível, atualmente Presidente da Câmara de Ovar.
    É um elemento destacado do PSD que teve um contributo decisivo para a vitória de Rio.
    Salvador Malheiro passou para mim a valer 1000%. A seu tempo o PSD vai reconhecê-lo como sendo mesmo um futuro Primeiro Ministro.

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