O “outsider” do costume contra o “político moderno”. PSD escolhe entre Rio e Rangel

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Paulo Novais / Lusa

Rui Rio e Paulo Rangel disputam, neste sábado, a presidência do PSD e há muito que não se via o partido tão dividido. É um combate entre “uma política antiga e uma política moderna” com desfecho imprevisível. Mas os apoiantes de Rio acreditam que vai haver “uma terceira vez” para ele vencer como um “verdadeiro outsider”.

Nestas eleições directas do PSD, podem votar perto de 46.000 militantes, aqueles que têm as quotas em dia.

A eleição decorre em todo o país entre as 14 e as 20 horas. A partir do fecho das urnas, a secretaria-geral do PSD irá disponibilizar a evolução dos resultados das eleições em tempo real no site Resultados.psd.pt, assim como o histórico das eleições anteriores.

Rangel tem a seu lado 11 de 19 líderes distritais, entre os quais o do Porto que é a maior estrutura do PSD no país. Além disso, conta com o apoio dos ex-ministros Miguel Relvas, Maria Luís Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz, conotados com Passos Coelho.

Rio já assumiu que “parte do aparelho partidário” não está do seu lado, mas o actual líder do PSD conta com o que chama de “militantes livres” para segurar a liderança. São o que define como “militantes do meio”, ou seja, os que se “identificam” mais com o “pensamento global da sociedade” e que veem nele o melhor candidato do PSD a primeiro-ministro.

Combate entre “política antiga e política moderna”

Neste combate entre dois homens do norte – Rio é natural do Porto e Rangel de Vila Nova de Gaia -, as diferenças são visíveis desde logo na postura de ambos. O estilo e a abordagem política são muito distintos.

Mas também o posicionamento os diferencia, com Rio mais ao centro, a piscar o olho ao PS na senda de um Bloco Central, e Rangel a dizer que quer um PSD que seja “uma verdadeira alternativa ao PS, com ambição de governar”.

Para o ex-deputado do PSD Pedro Duarte, estas directas são “uma disputa entre uma política antiga e uma política moderna“, conforme declarações divulgadas pela Rádio Renascença (RR).

E é evidente para Pedro Duarte que Rangel, “no actual contexto”, tem “o perfil mais adequado” porque é “moderno, cosmopolita, alguém que gosta de aprofundar os assuntos e matérias”, para “encontrar as melhores soluções e melhores respostas”.

Salientando que espera que as directas sirvam para que o PSD possa “reganhar uma nova energia”, Pedro Duarte ainda nota que Rio tem, “por vezes, hostilizado o partido”. Mas, ainda assim, o aparelho partidário “tem-no abraçado até excessivamente, porque a verdade é que já lhe deu duas vitórias em directas“, salienta.

Resultado vai ser decidido pelas 4 maiores distritais

Para Rui Rio, serão as suas terceiras directas depois de ter derrotado Pedro Santana Lopes (2018) por 54% e Luís Montenegro (2020) por 53%, numa inédita segunda volta no PSD.

Já Paulo Rangel disputará pela segunda vez a presidência do partido, depois de ter concorrido em 2010, contra Aguiar-Branco e Pedro Passos Coelho, tendo este vencido com mais de 60% dos votos, após uma derrota dois anos antes contra Manuela Ferreira Leite.

Desde que foram introduzidas as directas no PSD, em 2006, apenas um presidente em exercício se recandidatou e perdeu – Marques Mendes -, e dois recandidataram-se e ganharam, Passos Coelho e Rio.

A vitória de Rui Rio sobre Luís Montenegro há dois anos, na segunda volta, por cerca de 53,2% dos votos contra 46,8% foi a mais curta de sempre entre os dois primeiros candidatos em eleições directas na história do PSD.

Nestas directas, tal como há dois anos, a ‘chave’ do resultado deverá voltar a estar, como habitualmente, nas quatro maiores distritais do PSD: Porto, Braga, Lisboa e Aveiro.

Estas quatro distritais registam o maior número de militantes em condições de votar, centralizando 53,5% do total de votos, seguidas pela Madeira com quase 6%.

“Pode ser que haja uma terceira vez”

Apesar de haver um clima interno, nas estruturas do PSD, que parece estar contra Rio, o secretário-geral do partido, José Silvano, acredita que o actual líder vai, novamente, vencer como o “verdadeiro outsider” que é.

Silvano, que apoia Rio, destaca, em declarações à RR, que o ex-autarca do Porto “tentou fazer uma revolução interna nas estruturas” e que, por isso, é que as estruturas “se juntaram, quase na sua maioria, do lado do Paulo Rangel”.

O secretário-geral do PSD também constata que o partido “tem sido um triturador de líderes”, mas realça que Rio “tem contrariado essa lógica”.

“Depois de perder umas legislativas, ganhou o partido. Depois de ter um mau começo, ganhou o partido. E tudo contra as estruturas. Se reparar, nas outras candidaturas também a maioria das estruturas estava com o outro candidato. Portanto, pode ser que haja uma terceira vez. Pelo menos, nós confiamos nisso”, aponta ainda Silvano.

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Em caso de derrota, Rio despede-se da política

Durante a campanha interna, o tema da governabilidade esteve quase sempre no centro das diferenças entre os dois candidatos.

Rio foi manifestando abertura para entendimentos com o PS que permitissem viabilizar governos minoritários de um ou de outro lado para, pelo menos, meia legislatura.

Rangel nunca esclareceu se viabilizaria um Governo minoritário do PS, rejeitando teorizar sobre cenários em que o PSD fique em segundo lugar nas eleições legislativas antecipadas para Janeiro.

O eurodeputado foi repetindo que o seu objectivo nas legislativas é “uma maioria estável”, de preferência absoluta, embora também admitindo governar em minoria.

Ambos aceitam coligações com CDS-PP e Iniciativa Liberal após as eleições. Rio admite ainda um entendimento pré-eleitoral com os democratas-cristãos, mas Rangel prefere ir sozinho a votos. Ambos rejeitam também que o Chega possa ser incluído num Governo de direita.

Se perder hoje as directas, o actual presidente já disse que “acaba aqui” o seu percurso político, não pretendendo voltar a ser deputado.

Já Rangel, se for derrotado, cumprirá o seu mandato de eurodeputado até 2024.

  ZAP // Lusa

 

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8 Comments

  1. Se o Rangel for o ganhador garanto que não é a escolha dos PSD, é a escolha dos barões, dos boys, tachistas, e ficarão sozinhos, resultará na maior ajuda para o PS ganhar a maioria absoluta.

    • Assino por baixo. O Rui Rio é mal-amado porque rejeita o lobbysmo e o clubismo, tendo uma postura séria na política. Por isso é que o aparelho do partido sempre lhe mordeu as pernas. Se ganhar o Rangel, já sei para onde vai o meu voto.

  2. RANGEL: O HOMEM DA MAÇONARIA E UM DERROTADO EM TODA A LINHA

    Veja-se só quem apoia Rangel. Miguel Relvas e Maria Luis Albuquerque. Um falsifica cursos e aldraba na Tecnoforma… A outra é a corrupta das Swaps que vendeu o Banif a preço de saldo para agora ter um tacho na Arrow, que comprou o banco ao desbarato.

    Rangel é perdedor de nascença. Acabou de levar uma abada em Estrasburgo e perdeu já duas vezes a liderança do PSD. Mas não desiste porque a Maçonaria e a Opus Gay precisam de alguém de confiança no segundo maior partido nacional.

    Rui Rio é um outsider que é o que toda a gente devia querer quando se queixam de que o sistema está podre. Rui Rio não está refem da Maçonaria. Rui Rio não faz política-peixeirada nem política-pedra-no-charco, nem política “mise en scène”. Rui Rio tem o apoio de verdadeiros sociais democratas como Manuela Ferrereira Leite entre tantos outros. Rui Rio é conhecido pela sua integridade e rectidão, qualidades raras num político.

    Votar no Rangel pra quê???… Pra remover da cena politica a única pessoa que não tem os defeitos de que precisamente a sociedade civil se está sempre a queixar. Todos se queixam que os políticos são só paleio mas quando há um que não faz show-off… Ah e tal é porque é muito calado. Ainda bem!.. Mais uma razão pra votar Rio! Rangel não tem a menor preparação pra primeiro ministro. Algo de que o país se aperceberá amargamente se ele ganhar as directas.

    • Completamente de acordo. Rio tinha um mandatário da sua campanha Salvador Malheiro. Daqui se depreendia que ganhasse , tendo em conta também a experiência de Rio.
      Rangel é que não nem coisa que se pareça. Mesmo as suas confissões Etc.

  3. Veja-se só quem apoia Rangel. Miguel Relvas e Maria Luis Albuquerque. Um falsifica cursos e aldraba na Tecnoforma… A outra é a corrupta das Swaps que vendeu o Banif a preço de saldo para agora ter um tacho na Arrow, que comprou o banco ao desbarato.

    Rangel é perdedor de nascença. Acabou de levar uma abada em Estrasburgo e perdeu já duas vezes a liderança do PSD. Mas não desiste porque a Maçonaria precisa de alguém de confiança no segundo maior partido nacional.
    Rui Rio é um outsider que é o que toda a gente devia querer quando se queixam de que o sistema está podre. Rui Rio não está refem da Maçonaria. Rui Rio não faz política-peixeirada nem política-pedra-no-charco, nem política “mise en scène”. Rui Rio tem o apoio de verdadeiros sociais democratas como Manuela Ferrereira Leite entre tantos outros. Rui Rio é conhecido pela sua integridade e rectidão, qualidades raras num político.

    Votar no Rangel pra quê???… Pra remover da cena politica a única pessoa que não tem os defeitos de que precisamente a sociedade civil se está sempre a queixar. Todos se queixam que os políticos são só paleio mas quando há um que não faz show-off… Ah e tal é porque é muito calado. Ainda bem!.. Mais uma razão pra votar Rio! Rangel não tem a menor preparação pra primeiro ministro. Algo de que o país se aperceberá amargamente se ele ganhar as directas.

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