Rio foi à Madeira dizer que votar em Rangel é desperdiçar derradeira “oportunidade” de derrotar Costa

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ppdpsd / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

A estratégia continua a ser a mesma: sublinhar, vezes e vezes sem conta, que Paulo Rangel não está preparado para ser primeiro-ministro. Rui Rio entende que o caminho é escolher o próprio, no próximo sábado.

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Rui Rio foi à Madeira, na qualidade de candidato à liderança do PSD, falar para uma plateia de mais de uma centena de militantes. Entre os presentes estavam ex-secretários regionais, o antigo vice-presidente do Governo regional, autarcas e o ex-deputado Guilherme Silva.

No Museu da Imprensa da Madeira, o candidato ao trono laranja mostrou “aos militantes, que também são portugueses como os outros, quem é o melhor candidato a primeiro-ministro de Portugal”.

À semelhança da retórica que usou na segunda-feira, no debate possível transmitido pela RTP, Rio bateu na tecla da falta de preparação de Paulo Rangel.

“O meu adversário disse ontem que achava estranho dois dirigentes do PS [Ferro Rodrigues e Santos Silva] terem dito que era melhor ganhar eu. Pois eu digo ao dr. Paulo Rangel, que houve realmente dois dirigentes que disseram isso, mas pode ter a certeza que eu nas ruas oiço muito mais: tenho ouvido muita gente do PS que diz que se for eu o candidato votam em mim“, atirou o líder.

Rio quer ir buscar candidatos ao centro e acredita que o PSD tem margem para ganhar as eleições legislativas antecipadas, marcadas para dia 30 de janeiro.

“O PS anda a dizer que quer reanimar a geringonça, mas não se vai reanimar algo que já morreu”, disse o social-democrata.

O PSD tem todas as hipóteses de ganhar precisamente pelo recentramento que fez: não podemos estar concentrados à nossa direita a tentar roubar 1 ou 2% ao CDS ou à IL, temos de ir ao centro buscar aqueles que, tendo votado no PS, agora estão disponíveis para votar no PSD.” A estratégia está traçada.

Se Rio entende ser a escolha mais acertada do eleitorado do centro, tenta então colar Rangel à direita. E frisou, várias vezes, que escolher o próximo presidente do PSD não é “escolher o que está em melhores condições para dizer mal do primeiro-ministro”, porque “o que queremos é ser primeiro-ministro”.

Se um dos candidatos tem de se preparar para essa função “em apenas 60 dias“, o risco de o partido morrer na praia é grande. “Estou convencido de que os militantes estão cientes de que não podemos perder esta oportunidade.”

O piscar de olhos aos militantes madeirenses não foi em vão, muito menos irrefletido. Segundo o Expresso, quase 3 mil militantes da Madeira pagaram as quotas para votar no próximo sábado.

O que é preciso para Governar Portugal

Se António Costa foi um mau primeiro-ministro por não ter feito reformas no país, Rui Rio insiste que “reformar significa ir contra interesses instalados” e que está pronto para essa missão.

Reforma fiscal, reforma da Segurança Social, reforma da Justiça, reforma do sistema político e revisão da Constituição estão à cabeça, na lista de prioridades de Rui Rio.

Acresce ainda os serviços públicos, com particular atenção para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Mas se a saúde “tem de ser o pilar essencial do novo Governo”, o “objetivo central” tem de ser ter melhores rendimentos e melhores salários.

Além de apoiar as pequenas e médias empresas, “o salário mínimo tem de subir arrastado por uma economia melhor e não apenas porque fazemos um decreto todos os anos para subir o salário mínimo”.

Ainda antes de Rio subir ao palco, Alberto João Jardim pisou-o para elogiar o líder do partido. “Sei que Rui Rio será um grande primeiro-ministro de Portugal. É um político de coluna e duro de roer. Eu tenho é medo de umas figurinhas que aí andam e que fazem da política um processo de tirar fotografias”, atirou.

A decisão está agora nas mãos dos militantes sociais-democratas. São mais de 46.000 que vão poder escolher o próximo presidente do partido, já este sábado.

  Liliana Malainho, ZAP //

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