Rui Rio desiste da candidatura a Belém

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O ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio

O ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio

O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio anunciou esta quinta-feira que não será candidato à Presidência da República, num artigo, publicado no Jornal de Notícias, em que critica a liberdade de voto dada pela coligação PSD-CDS/PP.

No artigo de opinião publicado pelo JN, apesar de se colocar fora da corrida a Belém, Rui Rio considera que, no “quadro parlamentar instável” que o país vive, a sua candidatura “poderia ser a que melhores condições tinha de, no quadro do espaço ideológico moderado, conseguir garantir a indispensável estabilidade e sobriedade na política nacional”.

Rui Rio diz que a sua decisão de não ser candidato às Presidenciais é “sustentada e coerente”, e assenta no resultado eleitoral de 4 de outubro, que ditou um “quadro parlamentar instável”.

“Foi por essa clarificação que esperei e é ela que me permite ter hoje uma leitura política final e uma decisão de não candidatura sustentada e coerente”, disse.

O ex-secretário-geral do PSD justifica também a sua decisão com a escassez de condições para levar por diante uma reforma do regime.

“A hipótese de uma minha candidatura a Presidente da República reside no facto de eu próprio, e muitos outros, considerarmos que tenho vantagens comparadas sobre os demais candidatos, naquilo que considero mais relevante para o próximo mandato presidencial: ou seja, assumir efetivamente um projeto de renovação e modernização do regime”, sublinha.

Rui Rio salienta no artigo de opinião que só assume um compromisso quando nele acredita “séria e convictamente”.

“Não gosto de dizer o que me dá jeito, quando tal é contrário à minha convicção. (…) Nunca pensei ser presidente da República só por o ser. Quereria ser presidente da República se, à luz do meu pensamento, visse utilidade para Portugal”, frisa.

De acordo com o ex-presidente da Câmara do Porto, o novo quadro parlamentar é um “potenciador de instabilidade política” e, por isso, o Palácio de Belém terá de ser mais do que nunca “um sólido referencial de estabilidade”.

“Se assim não for, se a Presidência for, também ela própria, um foco de perturbação e de permanente agitação, então poderemos estar a colocar seriamente em causa o futuro próximo de Portugal”, adiantou.

O ex-autarca do Porto e ex-secretário-geral do PSD no tempo da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa critica a decisão das lideranças do PSD e do CDS/PP de darem liberdade de voto aos seus militantes nas presidenciais de janeiro.

Face à decisão das direções dos partidos da coligação, Rio sublinha que, se avançasse na corrida presidencial, a sua candidatura “facilmente seria interpretada como divisionista, senão mesmo como desestabilizadora”.

“A diferença de opiniões não tem nada de grave nem de anormal em democracia. E se, nesta matéria em concreto, a minha visão não é coincidente com a das direções nacionais dos partidos de que estou ideologicamente mais próximo, cabe-me a mim respeitá-la e assumir que, assim sendo, a minha motivação para prestar este serviço ao país não chega, por si só, para justificar uma candidatura que, neste capítulo concreto, só fazia sentido se houvesse a mesma visão dos dois lados”, salienta.

Rui Rio alega, por outro lado, que seria muito difícil lançar fora de Lisboa uma candidatura com possibilidade de vencer.

“Num país profundamente centralizado como Portugal, lançar uma candidatura presidencial vencedora e nacionalmente reconhecida a partir de uma cidade que não a capital do país, é uma tarefa muito próxima do impossível“, sustenta.

“Como disse em 2 de setembro, não tinha, nem tenho qualquer dúvida que, do ponto de vista tático, devia ter lançado a minha candidatura nessa altura. Só que como também então o disse, os seus pressupostos não acomodavam condicionantes exclusivamente táticas: acomodavam como referi, um projeto para o país. E a exequibilidade desse projeto, pelas diversas circunstâncias da vida política nacional, apenas poderiam ficar claras após as eleições de 4 de outubro”, conclui.

/Lusa

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