Rio e Ventura são “líderes autocráticos” (e essa é “a única possibilidade” de aproximação entre PSD e Chega)

“Onde está o meu partido?” Paula Teixeira da Cruz junta-se às vozes críticas do acordo firmado entre o PSD e o Chega nos Açores. A ex-ministra do Governo de Passos Coelho considera que “empobrece o PSD” e diz que a única semelhança entre os dois partidos está nos seus “líderes autocráticos”.

Paula Teixeira da Cruz apela, tal como o ex-ministro social-democrata Jorge Moreira da Silva, a um congresso extraordinário para efectuar “uma clarificação face ao que ocorreu nos Açores”, mas também para fazer “uma clarificação sobre o que se nos depara no continente”, conforme declarações à Rádio Renascença.

“Quero saber para onde vai o meu partido e quem é o meu partido nesta altura”, acrescenta a antiga ministra do Governo PSD.

Paula Teixeira da Cruz entende que “o PSD renegaria as suas raízes se fizesse – como está a fazer – um acordo [com o Chega], quer nos Açores, quer o que se prepara para fazer em Portugal continental”. “Tudo isto empobrece o PSD, limita o PSD. Onde está o meu partido?”, salienta ainda.

A ex-vice-presidente do PSD nota que o “ADN social-democrata” impede qualquer proximidade com o Chega.

Para ela, “a única possibilidade de reunião que há entre os dois partidos” é pelo facto de terem “líderes autocráticos que, como líderes autocráticos que são, pensam que tudo é possível”.

Uma situação que considera “lamentável”, realçando que o PSD não é “um partido livre” neste momento.

“Sempre fomos um partido livre, não é agora que nos vão tirar essa liberdade”, conclui, porém, Paula Teixeira da Cruz.

Em declarações ao jornal Sol, a ex-ministra já tinha dito que “não faz sentido ter uma aproximação com um partido que já teve a pena de morte no programa e que tem, neste momento, a prisão perpétua no programa”.

Os princípios não se sacrificam e é isso que acontece neste momento. Não vale a pena a conversa de que o Chega vai mudar. O Chega não vai mudar nada porque, se mudar, desaparece”, referiu ainda Paula Teixeira da Cruz ao Sol, concluindo que o Chega “nada tem ideologicamente a ver com o PSD” e que “por alguma razão André Ventura saiu do partido”.

A ex-ministra também criticou Rio nessa entrevista ao Sol, salientando que o líder do PSD convidou os críticos a deixarem o partido.

“O PSD tem vindo a seguir uma via que eu diria muito pouco democrática, mesmo relativamente aos seus próprios militantes”, atirou.

Ex-candidato à presidência do PSD defende Rio

Em sentido contrário, o ex-candidato à liderança do PSD, Miguel Pinto Luz, refere que a política de alianças com o Chega foi tema da campanha interna de Janeiro passado e apela a que não se propague o “discurso do adversário”.

Questionado pela Lusa sobre a proposta lançada pelo ex-ministro Jorge Moreira da Silva de um congresso extraordinário no PSD, na sequência do acordo com o Chega para viabilizar uma solução governativa nos Açores, o vice-presidente da Câmara de Cascais defende  que tanto ele como Rui Rio foram claros sobre este tema.

“Recordo os mais distraídos que nas últimas eleições o tema de potenciais alianças com o Chega foi discutido, ninguém pode acusar o dr. Rui Rio de não ter sido suficientemente claro sobre este tema. Eu fui claro. Rui Rio foi claro”, afirma Pinto Luz.

“Sejamos honestos, o que incomoda muitos dos que acordaram agora para esta discussão é que Rui Rio está hoje mais próximo de continuar a liderar o PSD e isso baralha o calendário de muitos”, afirma ainda.

Sem se referir directamente a Moreira Silva, Pinto Luz lamenta ver companheiros que respeita a “interiorizar e propagar o discurso do adversário”.

“Esta é uma hora de enorme responsabilidade para o PSD nos Açores, herdámos uma região com uma grave crise financeira e social num contexto agravado pela pandemia. Deixemos a política partidária e apoiemos José Manuel Bolieiro na difícil tarefa que vai ter pela frente para bem de todos os açorianos”, considera.

O autarca sublinha que foi “o primeiro no PSD a tomar uma posição pública, clara e objectiva sobre a política de alianças no centro-direita”.

“Fi-lo em contexto abstrato e de pensamento estratégico para a minha família política. Actualmente, vivemos uma situação concreta e decisiva para o futuro dos açorianos e qualquer tentativa de angariar ou dividir protagonismo, com quem de facto deve decidir, é um exercício de vedetismo ou vaidade em que não estou interessado”, acrescenta.

Quando foi candidato à liderança do PSD, Pinto Luz admitiu disponibilidade para formar alianças com qualquer partido representado no parlamento, incluindo o Chega.

Pinto Luz referiu, então, não fazer sentido que o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, faça alianças com a “esquerda radical” e que o PSD se “auto-limite” na sua capacidade de poder dialogar no centro-direita.

Moreira da Silva, antigo vice-presidente do PSD, defende a realização de u um congresso extraordinário para clarificar a estratégia de “coligações e entendimentos”, atacando a “traição” aos valores do partido pela solução governativa nos Açores.

 

ZAP // Lusa

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