Reabertura total das escolas pode originar quarta vaga de covid-19

Rodrigo Antunes / Lusa

A vacinação por si só, e ao ritmo a que está prevista, será insuficiente para controlar a covid-19 e evitar a ocorrência de novas vagas em Portugal.

Um grupo de cientistas avisa, num recente estudo, que se o alívio das medidas planeado para este mês incluir a reabertura total das escolas e do espaço interior de restaurantes e bares, como está previsto, é provável que a média de contactos diários na população atinja níveis similares aos do outono e que possa ocorrer uma nova vaga de hospitalizações.

Intitulado Controlling the pandemic during the SARS-CoV-2 vaccination rollout: a modeling study, o estudo, que aguarda ainda publicação na Nature, debruça-se sobre quatro cenários de alívio de medidas.

De acordo com o Público, os seis investigadores portugueses e holandeses usam um modelo de transmissão para concluir que aplicar medidas semelhantes às do outono pode conduzir a uma quarta vaga que começará ainda este mês.

Ainda assim, será possível evitá-la se as restrições forem semelhantes às do verão do ano passado ou se forem aliviadas passo a passo ao longo deste ano.

Manuel Carmo Gomes, co-autor do artigo e um dos especialistas do grupo de trabalho que definiu as linhas vermelhas do processo de desconfinamento, avisa que “há uma fração ainda muito significativa de portugueses que pode contrair a infeção pelo novo coronavírus e essa fração é suficientemente grande para virmos a ter uma quarta onda”.

Isto poderá vir a acontecer “caso o desconfinamento ocorra demasiado depressa relativamente ao processo vacinal”, completa o especialista, citado pelo diário.

No fundo, se o calendário de vacinação que está previsto for cumprido – com a reabertura total das escolas a partir do dia 19 – é provável que tenhamos um ressurgimento da doença devido ao número de contactos, que será semelhante ao de setembro e outubro.

A reabertura total das escolas, nomeadamente do ensino secundário, “não pode acontecer demasiado cedo e na minha opinião vai ser“, diz Manuel Carmo Gomes.

Cenários

No primeiro cenário, sem restrições e tendo em conta a atual cobertura vacinal, os cientistas calculam que ocorreria uma quarta vaga maior de que as anteriores, com mais de 58 mil hospitalizações ao longo do ano.

No segundo, com medidas semelhantes às do outono e com as escolas abertas, ocorreria uma quarta vaga em maio, com quase nove mil hospitalizações entre 1 de abril e 1 de janeiro de 2022.

Medidas mais apertadas e semelhantes às de junho-agosto, não conduzem uma nova vaga, mas as restrições teriam que se manter até que uma percentagem elevada da população estivesse vacinada.

No terceiro cenário, a combinação das restrições com “algumas limitações adicionais de atividades sociais em espaços fechados e aulas não presenciais para alunos do secundário pode ajudar a replicar a média de contactos do verão, compensando a abertura das escolas do ensino básico”, escrevem os autores do artigo.

Segundo o quarto cenário, com uma reabertura gradual (nos próximos dois meses, manter o nível de contactos do verão; a partir de junho, passar para a média de contactos do outono de 2020; e, finalmente, em outubro, para níveis anteriores à pandemia) não haverá novas vagas e o controlo da pandemia será conseguido em fevereiro.

Por último, foi incluído um quinto cenário: o primeiro passo parte de um nível de contactos semelhante ao do verão, com um ponto intermédio de transição a 1 de abril, com escolas ainda fechadas; no segundo passo há um ponto de transição a 1 de maio em que o nível de contactos é idêntico ao de setembro/outubro (com todas as escolas abertas); no terceiro passo, a 1 de julho, volta-se à situação do verão de 2020, com as escolas fechadas.

Mesmo com este calendário, teríamos um ressurgimento da doença, ainda que não no nível de janeiro passado.

Escolas são “lugar seguro”

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, disse à TSF que as escolas continuam a ser um local “muito seguro” e que o problema está fora do recinto escolar.

“Temos assistido a situações de adultos fora da escola, nomeadamente junto das zonas ribeirinhas, das praias, que nos envergonham. Às vezes apetece-me pegar nesses adultos e ‘enfiá-los’ dentro da escola”, lamenta.

Em relação à testagem, referiu que os testes serão realizados apenas quando os alunos do secundário regressarem às aulas presenciais. “É para alunos com 15 e mais anos, ou seja, quando chegarmos a essa fase de desconfinamento que envolve os alunos do secundário, se os pais entenderem, os alunos poderão ser testados.”

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Escolas até podem ser lugar seguro, mas os alunos a partir do 2ºciclofora das escolas são um perigo eminente, já que não respeitam nenhuma das normas. Por isso estes alunos deviam de ter aulas não presenciais.

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