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Ramalho Eanes e Cavaco pressionam Presidente. Marcelo não fará política quando deixar Belém

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Hugo Delgado / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

Nas últimas semanas, Ramalho Eanes e Cavaco Silva apontaram falhas à situação política do país. Sem se referirem diretamente a Marcelo Rebelo de Sousa, as declarações foram interpretadas como uma chamada de atenção ao Presidente da República.

No início do mês, o general Ramalho Eanes advertiu para a governamentalização, “que se tem acelerado e intensificado”, das Forças Armadas, considerando que ameaça “o cerne espiritual” da instituição militar e a “lealdade de todos os militares” à ética.

A acontecer, escreve o Expresso, deixaria em xeque a autoridade do chefe supremo, a quem cabe zelar pelo normal funcionamento das instituições e garantir a independência da instituição militar.

As declarações não foram interpretadas como uma crítica ao atual Presidente, mas a recondução do chefe do Estado-Maior do Exército provou que não é por criticar o Governo que um chefe não é reconduzido, o que pode ajudar na tese da “governamentalização”.

Poucos dias depois, Cavaco Silva publicou um artigo no Expresso no qual acusou o Governo de arrastar o país para a cauda da Europa, por insistir em opções erradas ditadas por “interesses eleitorais“ e “preconceitos ideológicos”.

O antigo Presidente considera que o Executivo socialista, “apoiado pelos partidos da extrema-esquerda, não foi capaz de aproveitar as boas condições de sustentabilidade da economia portuguesa herdadas” do executivo PSD/CDS.

As críticas e a chamada de atenção para que Portugal saia da situação de “empobrecimento” e de “democracia amordaçada” picaram o Presidente da República que, sem responder a Eanes, respondeu a Cavaco.

Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que, após deixar a Presidência da República, nunca fará quaisquer comentários aos seus sucessores.

À direita, há quem defenda que, se o Orçamento do Estado para 2022 não passar e o Presidente se vir forçado a convocar eleições, “muita gente vai perguntar como é que ele convoca eleições quando sabe que o PSD está a viver uma crise de liderança”.

De acordo com o semanário, há também quem avise que, se houver eleições e os resultados não alterarem o xadrez parlamentar, Marcelo pode ter de fazer o que Cavaco Silva fez em 2015 quando exigiu à esquerda um acordo escrito para governar.

  ZAP //

13 Comments

  1. Mas afinal esse senhor Cavaco Silva quem se julga que é, para andar a “botar faladura” a toda a hora? Não lhe chega já os anos que passou na chefia do governo (durante os quais foi um fartar vilanagem), secundados com 2 mandatos presidenciais durante os quais (especialmente no último), só faltou passar um atestado escrito a todos os portugueses classificando-os como “lixo”? Em que escândalos terá este senhor andado envolvido para além dos BES, BPP etc. c/ informação privilegiada, enquanto outros perderam as economias de uma vida?
    Vá passear, para não o mandar para outro lado, e deixe-nos em paz, ficando bem caladinho para ninguém se lembrar de si.

    • Os maiores financiadores da campanha presidencial do Cavaco foram o Rendeiro do BPP, o Oliveira e Costa do BPN e Salgado do BES (alem do financiamento da restante família do BES).
      Tudo boa gente…

    • O “Sr Cavaco Silva”, como o Sr BS lhe chama, esteve 10 anos como Primeiro ministro e 10 anos como Presidente da Republica eleito democraticamente pelo povo; e, profissionalmente, era um ilustre e reputado economista internacional, com carreira profissional feita antes de estar na política .
      Talvez o Sr. BS tenha credenciais mais relevantes que lhe permitam desrespeitar este homem – e por isso peço que as apresente aqui, pois certamente terá feito mais pelo país do que Cavaco Silva.

  2. E enquanto foi presidente da República não me recordo de o ver a falar (excetuando os comentários de que não iria comentar). E agora quer falar? Sem faltar ao respeito, esse senhor é claramente um mono.

  3. Enquanto o sistema politico não for alterado, isto não anda

    É muita Gente à volta do mesmo e não se chega a lado algum

    Como se diz na Gira muita Parra e pouca Uva

  4. Que “democratas” são estes que pretendem calar a voz de antigos Presidentes da República?
    Já de esqueceram de outros exemplos, em especial o Dr. Mário Soares?
    Entendem que o país está bem e caminha para um futuro melhor?
    Também já se esqueceram o que o Sócrates dizia que estávamos muito bem, anunciando obras faraónicas, TGV, 3ª autoestrada Porto/Lisboa, etc. etc. e pouco depois não havia dinheiro para pagar aos funcionários públicos?
    Os escândalos políticos já são muitos e não se vislumbraram melhorias, antes pelo contrário, a situação atual é bem demonstrativa que caminhamos, cada vez mais, para o fundo e cauda da Europa, sendo apenas “mestres” a entender a mão aos subsídios;
    Se Marcelo fala de tudo e de todos, extravasando até as suas funções, outros não poderão falar e ter a sua opinião?
    Em que país estamos?

    • Em que país estamos?
      Num país que inventou uma espécie de nova monarquia. A monarquia em que o Costa é o rei, o governo e seus familiares são a família real, os militantes do PS são a alta nobreza, e a função pública é a baixa nobreza.
      O resto dos portugueses existem apenas para “contribuir”…
      Quer exemplos? Veja o caso da Covid 19. Em plena pandemia, funcionários públicos ficaram em casa de férias a gozar a totalidade do vencimento, enquanto a esmagadora maioria de patrões e trabalhadores liberais foram obrigados a parar e não tiveram direito a qualquer apoio.
      Quer mais exemplos? No mesmo dia que o Costa diz que os impostos altos nos produtos petrolíferos vieram para ficar, e que isso é necessário para combater os gases com efeito de estufa, interrompe os trabalhos na Assembleia, apanha um avião e vai ao Porto de propósito para inaugurar a exposição dos quadros Miró em Serralves, voltando depois a Lisboa para reiniciar os trabalhos na Assembleia.

      • “interrompe os trabalhos na Assembleia, apanha um avião e vai ao Porto de propósito para inaugurar a exposição dos quadros Miró em Serralves, voltando depois a Lisboa para reiniciar os trabalhos na Assembleia”

        Hahahahah….privilégios de rei, certamente. Ao Costa não lhe falta lata, isso é certo!

    • Pretendem calar?!
      Quem/quando/onde?
      O Cavaco pode falar à vontade, e até seria interessante que ele falasse mais – principalmente do “seu tempo” e dos seus amigos, como o Salgado, o Rendeiro, o Oliveira e Costa, das PPP’s de luxo (Lusoponte, etc), dos milhões em subsídios para a agricultura ou para a indústria têxtil que foram parar a carros de luxo/mansões, da suas ações do BPN/SLN, da permuta da sua casa de férias, etc, etc…
      Seria mesmo muito interessante!…

      O TGV (ou parecido) já devia estar construído.

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