São vários os países que querem a Sputnik V (mas isso pode ser um problema para a Rússia)

A procura externa pela vacina Sputnik V não pára de aumentar, mas a estratégia de espalhar a produção pelo mundo está a ser um problema para a Rússia.

A Sputnik V, vacina russa contra a covid-19 com eficácia de 91,6%, tem surpreendido o mundo inteiro. Segundo o Expresso, já são mais de 50 os países que querem a vacina, mas a elevada procura está a começar a causar problemas na distribuição.

Como a Rússia tem uma capacidade limitada para produzir a Sputnik V, o Russian Direct Investment Fund (RDIF), o fundo estatal que controla a distribuição da vacina, está a procurar fechar acordos com países onde a indústria farmacêutica está mais desenvolvida.

Nos acordos, estão incluídas cláusulas que permitem à Rússia receber milhões de doses da sua própria vacina.

O Financial Times avança que o RDIF assinou contratos de produção com 15 empresas em dez países diferentes, num total de 1.4 mil milhões de doses. Alguns dos países – como a China, a Índia ou a Coreia do Sul – vão produzir a Sputnik V para exportá-la, enquanto outros – como o Brasil e a Sérvia – terão de se preocupar apenas com o mercado interno.

Esta solução “resolve o problema da produção em larga escala, ao mesmo tempo que oferece disponibilidade local”, exclareceu Cyrillic Dmitriev, responsável da RDIF.

Ainda assim, a solução não é perfeita, uma vez que a vacina fica assim à mercê de uma “vasta rede” de “empresas privadas subcontratadas”, o que poderá tornar o processo mais lento. Algumas empresas garantiram ao Financial Times que vão demorar meses até conseguirem produzir a Sputnik V na máxima força.

As fábricas no Brasil e na Índia são responsáveis por produzir mais de metade das doses previstas pelo RDIF, mas adiantaram ao matutino que a produção dessas doses ainda nem começou.

Outro exemplo é a GL Rapha, a fabricante sul-coreana dedicada apenas à exportação, que admitiu não ter capacidade para cumprir o acordo que fez com o RDIF – 150 milhões de doses num ano. Face à incapacidade, viu-se obrigada a subcontratar a produção a outra empresa, além de já ter expandido as suas próprias instalações.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. A Europa poderia facilmente produzir sob licença a Sputnik V, permitindo-nos evitar vacinas pouco seguras, como as da Pfizer e da Moderna. Mas a Europa – tal como o Gouveia, aqui em cima – ainda trata de questões de saúde pública com uma mentalidade de guerra fria.

      • Dado o estúpido boicote feito a tudo o que é russo, é a maneira da Rússia conseguir a aceitação global de um medicamento seu, de alta qualidade. Uma vez essa aceitação conseguida, e a produção da Sputnik V iniciada no estrangeiro, já será possível destinar aos russos a produção doméstica. Parece estranho mas somos nós que os obrigamos a este processo.

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