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PSD e CDS marcham ao ritmo de uma crise política — e já se fala em eleições internas

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José Sena Goulão / Lusa

Rui Rio com Paulo Rangel, PSD

O cenário de crise política serviu de tónico para PSD e CDS começarem a estudar a escolha das suas lideranças face a legislativas antecipadas. Especulam-se eleições internas, tanto para sociais-democratas como para centristas.

A dois dias da votação na generalidade, Jerónimo de Sousa anunciou que o PCP vai votar contra o Orçamento do Estado para 2022. Com o Bloco de Esquerda a votar contra, o PS não chega para aprovar o documento, confirmando-se um cenário de crise política e eventuais eleições antecipadas.

Se, por um lado, poderemos ver a esquerda a cair, por outro, a direita pode-se continuar a erguer — ainda é incerto. Os ventos das últimas eleições autárquicas trouxeram um bom resultado para os partidos de direita, que ambicionam agora palcos maiores.

O alarme soou. PSD e CDS começam a estudar a escolha das lideranças, com prazos apertados, escreve o Público.

Embalada pelo cenário de crise política, a direção de Rui Rio quer eleições legislativas o mais rápido possível, de forma a anular a ascensão do seu rival Paulo Rangel. Por sua vez, os apoiantes do eurodeputado admitem apenas antecipar o congresso de janeiro para dezembro.

O dirigente nacional Paulo Mota Pinto já veio dizer que “o PSD pensa até que deve haver eleições [legislativas] o mais rapidamente possível”.

O presidente do conselho nacional justifica o adiamento das eleições internas com o facto de poder gerar uma perceção de que o PSD está “dividido”. Paulo Mota Pinto fala em “irresponsabilidade” e “aventureirismo” relativamente à ideia de eleições internas antecipadas.

Os defensores de Paulo Rangel argumentam que, mesmo que as eleições legislativas sejam antecipadas, estas só poderiam acontecer em fevereiro. Esta fação de sociais-democratas só admite antecipar a data do congresso nacional, passando para os dias 17, 18 e 19 de dezembro.

No CDS, paira uma nuvem semelhante. Nuno Melo teme que a direção de Francisco Rodrigues dos Santos tente adiar o congresso — marcado para 27 e 28 de novembro.

Em declarações à agência Lusa, o eurodeputado afirmou que “seria tão absurdo, seria tão contrário aos valores democráticos que o CDS sempre praticou, retirar-se aos militantes, através dos delegados ao congresso, a possibilidade de se pronunciarem nesse congresso que já está marcado sobre aquilo para que foram convocados”, considerando que “seria um ato inominável”.

“A possibilidade de a direção ir a votos em eleições legislativas recusando-se a ir a votos no congresso perante os próprios militantes, congresso que já está marcado, com convocatórias enviadas, seria, pela absoluta ilegitimidade, incompreensível e inaceitável, e eu não me passa sequer pela cabeça que isso pudesse suceder”, criticou.

O candidato à liderança do CDS-PP salientou que está em causa “decidir não só a estratégia para o próximo ciclo político em eleições legislativas, como a liderança que deverá estar legitimada para o fazer”, recusando que “algum expediente fosse lançado para que o congresso não se realizasse”.

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Na sua ótica, isso “seria uma distorção democrática tal, seria uma decisão tão absurda, que não só o partido não compreenderia, como o país certamente dificilmente aceitaria e veria com muitos maus olhos quem lhe passasse sequer pela cabeça uma ideia tão peregrina, porque resultaria na distorção de qualquer réstia de impulso democrático”.

Francisco Rodrigues dos Santos não tem dúvidas e força eleições antecipadas: com ou sem Orçamento do Estado aprovado na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa deve perceber “se este Governo tem ou não condições de governabilidade” e agir em conformidade.

“Parece-me evidente que este não é o caminho de decadência, miséria e empobrecimento de que os portugueses precisam”, disse o líder do CDS, citado pelo Observador.

  Daniel Costa, ZAP //

3 Comments

  1. estes gajos não estão a pensar em Portugal, estão a pensar só neles, na forma de chegar ao poder.
    Se fossem eles, assim como o Coelho, iam dizer que era necessário apertar o cinto, mas com eles na oposição já é só exigências.

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