Programa de Estabilidade. Centeno não arrisca e mantém défice em 0,2%

O Governo envia esta segunda-feira para Bruxelas o Programa de Estabilidade. Tudo aponta para que 2019 seja o ano do défice zero, mas Mário Centeno prefere ser cauteloso e mantém défice em 0,2%.

O Programa de Estabilidade com as previsões orçamentais de medidas de política para o período de 2019 a 2023 (PE 2019-2023) será revelado esta segunda-feira pelo Ministério das Finanças. Mário Centeno deve apresentar o documento em conferência de imprensa esta tarde, em horário ainda a definir.

Os dados dos últimos anos apontam para que 2019 seja o ano do défice zero. No entanto, o Governo mantém-se cauteloso e prevê no programa de Estabilidade um défice de 0,2%.

No início do mês, ao jornal Público, Mário Centeno revelou que a meta do défice seria de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), uma semana depois de Marcelo Rebelo de Sousa afirmar que o défice orçamental de 0,5% em 2018 representava “uma base de partida muito boa” para se chegar ao défice zero.

Na altura, o resultado de 0,5% foi melhor do que a estimativa do Governo, que apontava para um défice de 0,7%. Na verdade, esta é uma tendência comum, já que nos últimos Programas de Estabilidade, o défice orçamental foi sempre melhor do que as estimativas do Governo.

No seguimento deste padrão, 2019 pode mesmo ser o ano de erradicação do défice ou até de excedentes orçamentais, um cenário que o Governo prevê apenas para 2020 desde o primeiro Programa de Estabilidade e que deverá ser reforçado no documento apresentado esta segunda-feira, avança o Jornal i.

O FMI mostra-se, contudo, um pouco mais pessimista que o Governo português. No relatório divulgado na semana passada, estimava que o défice iria chegar, este ano, aos 0,6% do PIB. Em relação aos excedentes orçamentais, o FMI prevê que o primeiro excedente, de 0,4% do PIB, aconteça apenas em 2021.

No que diz respeito à dívida pública, o cenário deverá ser semelhante, uma vez que só o primeiro Programa de Estabilidade teve um resultado final pior do que o previsto.

Em 2016, o Governo apontou para um dívida de 124,8% do PIB, mas esta acabou por chegar aos 129,2%. No ano seguinte, a estimativa foi de 127,9% e o resultado acabou por ser 124,8%, Em 2018, o Executivo tinha previsto uma dívida de 122,2% e acabou com 121,5%. No Orçamento do Estado para 2019, Centeno apontava para uma dívida pública de 118,5%. O FMI é mais pessimista e fala em 119,5%.

As estimativas de Centeno no que toca ao crescimento económico apresentaram uma tendência contrária: nos dois primeiros anos, os resultados foram melhores que as previsões, mas em 2018 a realidade foi mais dura do que as expectativas. Nesse ano, o Executivo apontou para um crescimento de 2,3%, mas este acabou por ficar nos 2,1%.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Arriscar o quê?
    Este senhor durante a sua governação arriscou e meteu o País na Miséria.
    Onde está a viragem da Página da Austeridade da Troika? com todos os reformados que falo nenhum diz que teve qualquer aumento de Pensão… Mentirosos

    • Ó meu caro, o que esperava? Milagres?
      Note-se que não sou socialista nem apreciador das ideias respectivas.
      Mas o homem não podia fazer diferente. O chefe dele é que aldrabou (com a conivência do Bloco, do PC e dos Melancias) a populaça.
      As contas não são difíceis de fazer. Não há dinheiro. As coisas melhoraram, é certo, mas se regressarmos aos hábitos do passado, estamos logo com a Troika de volta.
      A malta tem de perceber de uma vez: NÃO HÁ DINHEIRO. SERÁ ASSIM COM PS, PSD, CDS, PCP, BE, ou quaisquer outros. A isto acresce que já não temos soberania orçamental plena (e ainda bem, porque se assim não fosse, nem quero imaginar como estaríamos).
      A malta tem de perceber que vai ter de trabalhar mais anos e receber menos de reforma. É mau? Claro que é! Gosto? Não (especialmente porque, no meu caso, ainda nem a meio da carreira estou)!
      Bem sei que vieram aí uns idiotas criticar o estudo da FFMS que defendeu o aumento da idade da reforma para os 69 anos. O ministro veio logo dizer que nem pensar. Pois claro! Quando a bomba rebentar ele já estará reformado (os tais direitos adquiridos) e não irão mexer-lhe na pensão.
      Mas, a questão resume-se a aritmética simples. Se aumenta a esperança média de vida, isto é, o número de anos em que o pessoal recebe reforma (e admitindo que o sistema estava equilibrado antes), então terá de aumentar a idade média da reforma. Ou então diminuem-se as pensões. Ou, aumentam-se as contribuições. Ou matam-se os pensionistas! É só escolherem!
      O Sr. Costa mentiu e enganou os portugueses promentendo o que não podia cumprir. Professores, polícias, enfermeiros, já começaram a abrir os olhos. Falta o resto da populaça!

    • É… o país estava super-mega rico; o Cem-tino é que o pôs na miséria!…
      “com todos os reformados que falo nenhum diz que teve qualquer aumento de Pensão… Mentirosos”
      Exacto – se não dizem, esses reformados, ou tem uma reforma de luxo ou são mentirosos!!
      Quero ver um reformado com uma reforma baixa (abaixo de salário mínimo) que não tenha sido aumentada!

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