Défice de 2019 vai ser o triplo do que diz o governo

Paulo Vaz Henriques / portugal.gov.pt

O primeiro-ministro António Costa

O défice público de Portugal vai ser o triplo do que prevê o governo. Em vez de 0,2% do PIB, o FMI projeta 0,6%, revendo assim em alta o valor avançado no final de novembro (0,4%) ou no início de outubro (0,3%).

De acordo com o novo Panorama Económico Mundial, o FMI considera que as medidas existentes vão dar um défice de 1354 milhões de euros em 2019, e não de 409 milhões de euros, como reafirmou o governo no reporte dos défices que o Instituto Nacional de Estatística enviou para Bruxelas no final do mês passado.

É uma diferença substancial, sendo que a missão que acompanha o pós-programa de ajustamento até já tinha explicado algumas das razões que explicam o desvio nas contas. O défice mais elevado “reflete um crescimento económico mais moderado” e a implementação de medidas como “o descongelamento das progressões nas carreiras” dos funcionários públicos, por exemplo.

Há ainda outras despesas que ajudam a explicar este deslizamento na meta do défice, de acordo com o Dinheiro Vivo. O Novo Banco vai precisar de um empréstimo muito maior do que está previsto no Orçamento do Estado. “O montante de recapitalização pode atingir 1149 milhões de euros em 2019, mais 749 milhões de euros do que o previsto no OE2019, confirma o Conselho das Finanças Públicas (CFP). No OE estão reservados apenas 400 milhões de euros para o efeito.

Já o peso da dívida cai, mas menos do que o esperado. Em vez de recuar para 117,9% do PIB  ou para 117,2%, a instituição dirigida por Christine Lagarde diz que o rácio da dívida desce para 119,5% do produto.

Esta quarta-feira, Vítor Gaspar, diretor do departamento de contas públicas do FMI, apresenta o estudo Monitor Orçamental, que irá reiterar estes valores. Avançará ainda com outros elementos que enquadram a situação portuguesa no contexto internacional.

O crescimento interno está a perder força, o que contribuirá para atrasar a redução do défice como quer o primeiro-ministro e o ministro das Finanças. Estes têm vindo a ensaiar que é possível que o governo termine este ano já muito próximo do equilíbrio orçamental, mas o FMI diz que não.

Segundo as contas atualizadas, o país vai ter de esperar até 2021 para que tal aconteça. A recuperação da economia portuguesa vai perder mais alguma força este ano face ao esperado anteriormente. Avançará cerca de 1,7% e a taxa de desemprego descerá menos, ou seja, foi revista em alta de 6,5% para 6,8% da população ativa.

O governo fez o Orçamento de 2019 assumindo que o desemprego fica nos 6,3%. A instituição sedeada em Washington alinha a sua projeção de crescimento pela mesma bitola da Comissão Europeia e do Banco de Portugal. O Conselho das Finanças está um pouco mais pessimista já que projeta um crescimento de 1,6%.

O FMI esperava que Portugal crescesse 1,8% em 2019. Todos os novos cenários que se estão a formar são notoriamente mais adversos que o previsto pelo Governo. A conjuntura internacional está cada vez mais apertada. Acresce que o orçamento está construído em cima do pressuposto de que a economia interna vai avançar 2,2%.

Já a meta do défice ficará intacta. Na semana que vem, as Finanças vão atualizar o cenário macroeconómico e as linhas orçamentais até 2023.

Europa a piorar

Portugal sofre um corte de uma décima no crescimento, mas a zona euro foi mais penalizada. A área da moeda única só deve crescer 1,3% este ano, a pior marca desde a última crise.

A região está a ser arrastada pelo abrandamento das suas maiores economias. A Alemanha, a maior delas, só deve avançar 0,8% em 2019, França cresce 1,3% e Itália está virtualmente estagnada com uma expansão de apenas 0,1%. Nem Espanha escapa: o maior parceiro económico da economia portuguesa cresce 2,1% este ano.

O FMI refere que “após um forte crescimento em 2017 e no início de 2018, a atividade económica global desacelerou notavelmente no segundo semestre do ano passado, refletindo uma confluência de fatores que afetam as principais economias. O crescimento da China reduziu-se após uma combinação de mais regulação para conter o sistema bancário paralelo e um aumento nas tensões comerciais com os EUA”.

“A economia da zona euro perdeu mais dinamismo que o esperado, uma vez que a confiança dos consumidores e das empresas enfraqueceu e a produção automóvel na Alemanha foi interrompida pela introdução de novas normas para as emissões” de gases poluentes. Em Itália, “o investimento caiu à medida que as taxas de juro soberanas aumentaram; e a procura externa diminuiu”.

Noutros pontos do mundo, o FMI menciona os “desastres naturais que prejudicaram a atividade no Japão”, bem como as referidas tensões comerciais “que penalizaram cada vez mais a confiança das empresas e, assim, o sentimento do mercado financeiro”.

Tudo somado, a economia mundial deve avançar apenas 3,2% em 2019, menos 0,2 pontos percentuais do que se pensava em janeiro.

ZAP //

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18 COMENTÁRIOS

  1. Dada a margem de erro do FMI nas anteriores previsões…. so era preocupante se dissessem que os calculos do governo estavam correctos.

    • Diabo és tu?!
      Uii… vai ser o triplo… de 0,2%!…
      Bancarrota com um déficit de 0,6%?
      Então a França com os anunciados 3,5% (que ultrapassa os critérios da UE) está mesmo falida…

      • O problema será depois. Este governo aumentou as despesas públicas em mais de 5 mil milhões. Quando as receitas fiscais diminuírem (com a quebra de atividade económica) e os encargos com o desemprego aumentarem, quero ver como ficarão as coisas. É buraco e dos grandes. Pelas minhas contas, num cenário de ausência total de crescimento, o nosso défice (considerando os atuais aumentos de 5 mil milhões na despesa corrente do estado e o acréscimo dos encargos com o desemprego e a diminuição de receitas) deverá rondar os 4 a 5%. E não é só a mim que dá valores nessa ordem.

        • Espero bem que não sejas como o Gaspar a fazer contas!…
          De qualquer modo, a obsessão pelo deficit max de 3% tem dado um belo resultado na UE…
          A França é o país que mais vezes o ultrapassou e agora a Itália diz que se está a borrifar para o deficit|!…
          Mas, o que eu gostava de saber é qual a tua solução para os problemas da divida e do deficit!

          • A solução é só uma: gastar menos do que se arrecada nos impostos. Sempre foi a única solução.
            Os estados não podem sistematicamente gastar mais do que arrecadam. Podem fazê-lo (e até devem) em períodos de crise, em que o Estado tem de puxar pela economia (caso contrário o marasmo será ainda maior). Mas não o podem fazer sistematicamente e muito menos em períodos de boa atividade económica. Nestes momentos até deveria haver superavit (contribuindo assim para a diminuição efetiva de dívida pública e não pela troca de dívida por dívida como temos visto). Mas também nestes períodos de melhoria económica seria possível baixar o nível de fiscalização sobre os portugueses, aumentando deste modo os seus rendimentos reais e permitindo-lhes poupar / consumir.
            O que se está a fazer é tudo ao contrário. Em períodos expansionistas as contas rondam o zero, mas ainda assim são negativos. Depois, com uma pequena crise, vem novamente um buraco dos grandes. E assim a dívida nunca parará de subir e os portugueses nunca terão qualquer alívio na carga fiscal.

            • Sim, estamos de acordo, mas, como se faz isso?
              Se já assim, para ter o deficit perto de zero, o Estado não está a investir o necessário na saúde ou na educação!…

    • O cativador-mor do reino só se tem preocupado com o défice. Mas nunca fala que os serviços públicos estão uma lástima, os comboios andam a cair de podres e o Zé está sobrecarregado de impostos desde os tempos do Gaspar.

  2. “No entanto, é preciso ler com cuidado esta previsão, já que o FMI, logo para 2018, parte de um valor para o défice que já está desactualizado. O relatório diz que o défice de 2018 foi de 0,7% (que era a previsão do Governo), quando este ficou afinal em 0,5%.”
    Fonte: Público.

    E assim, com noticias da treta, se afastam os leitores da imprensa…

  3. E não é pior porque todos estes valores são “martelados” com força (em Portugal, na Europa, no Mundo, aonde que que seja!).
    O dia que decidirem serem honestos, as contas estarão num desgraça…

  4. O Novo banco?!! Quem foi o responsável?
    Descongelamento?! PSD e PP não queriam mais descongelamento? Não queriam contar tudo a todos?

  5. Não há problema os bombeiros do costume estão prontos, depois da saída dos incendiários entram os bombeiros, sempre foi assim e a história volta a repetir-se.

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