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Afinal, primeira morte por covid-19 na Europa foi na Sérvia

Mário Cruz / Lusa

Um trabalhador da construção civil morreu de covid-19 em fevereiro de 2020 em Belgrado, 10 dias antes de outra pessoa ter morrido em França, podendo ter sido afinal a primeira morte pela doença no continente, avançou a agência Reuters.

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Investigadores sérvios revelaram na terça-feira que a vítima, um homem de 56 anos que não tinha viajado para o estrangeiro antes de ficar doente, deu entrada no hospital a 05 de fevereiro, com febre, tosse e falta de ar. Morreu poucas horas depois, tendo sido diagnosticado com pneumonia.

A equipa que voltou agora a investigar a sua morte recorreu a uma colheita de líquido do humor vítreo da vítima, que tinha sido congelado, tendo detetado a presença da covid-19.

Um estudo com base no caso, publicado recentemente na Frontiers in Medicine, parece comprovar que a doença já existia na Europa bastante tempo antes de que se pensava anteriormente, disse o patologista forense Milenko Bogdanovic, citado pela agência.

“Provavelmente foi a covid-19 que causou o surto de pneumonia de origem desconhecida em janeiro e fevereiro de 2020, que foi muito falada na altura”, acrescentou.

Até agora a primeira morte confirmada por covid-19 na Europa era associada a um cidadão francês, que morreu no dia 15 de fevereiro de 2020. A primeira infeção tinha sido detetada no mesmo país no dia 24 de janeiro.

A Sérvia tinha anunciado o seu primeiro caso a 06 de março de 2020.

Falar pode transmitir infeção

O novo coronavírus pode ser transmitido por pessoas infetadas assintomáticas através da fala, ou seja, falar perto um do outro também é um risco, assim como a proximidade numa ida a uma consulta, noticiou esta quarta-feira a agência Lusa.

A infeção de covid-19 pode ser transmitida por pessoas infetadas assintomáticas durante a fala, revelaram investigadores, que recomendam o uso de máscara e viseira em situações de proximidade como a ida a uma consulta ou ao cabeleireiro.

A maioria dos estudos foca-se no fluxo do ar exalado através da tosse ou do espirro, que podem enviar aerossóis a longas distâncias. Contudo, falar perto um do outro também é um risco, uma vez que o vírus pode ser transmitido através da fala.

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Marcelo Seabra / Ag.Pará

Em comunicado, o American Institute of Physics, relativo ao estudo publicado no boletim científico Physics of Fluids, revelou que cientistas japoneses usaram fumo e luz laser para investigar o fluxo de ar expelido perto e ao redor de duas pessoas, enquanto conversam em vários contextos comuns, como salões de cabeleireiros, clínicas médicas ou unidades de cuidados prolongados.

Nessa investigação, os cigarros eletrónicos foram usados para produzir fumo artificial, contendo gotículas de cerca de um décimo de diâmetro, semelhante ao tamanho de uma partícula do vírus.

O líquido usado nestes dispositivos de vaporização, uma mistura de glicerina e propilenoglicol, produz uma nuvem de minúsculas gotículas que espalham a luz de um laser, permitindo visualizar os padrões do fluxo do ar.

“Analisamos as características da difusão da expiração do ar com e sem máscara quando a pessoa estava em pé, sentada, de bruços ou deitada com a face para cima”, referiu a autora Keiko Ishii.

Para estudar o efeito da fala na expiração, a palavra “onegaishimasu”, uma saudação típica japonesa em ambientes de negócios, foi pronunciada repetidamente durante a filmagem da nuvem de vapor resultante.

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As experiências foram realizadas num salão de cabeleireiro, em Tóquio, com posturas escolhidas para simular cenários típicos de atendimento ao cliente, incluindo a lavagem em que o cliente está deitado e o técnico em pé e inclinado sobre o cliente.

“Contactos face a face semelhante ocorreriam não apenas naquele contexto, mas também em cuidados médicos e de longo prazo”, disse Ishii.

As demonstrações revelaram que o ar exalado por uma pessoa sem máscara quando está a falar tende a movimentar-se para baixo sob a influência da gravidade, motivo pelo qual se um cliente ou um doente estiver deitado pode ser infetado.

Quando uma máscara é usada num contexto em que a pessoa está em pé ou sentada, a nuvem de vapor tende a prender-se ao corpo da pessoa, que é mais quente do que o ar ao seu redor, e movimenta-se para cima ao longo do corpo, motivo pelo qual se o profissional estiver inclinado, o aerossol tende a desprender-se do corpo da pessoa e cair sobre o cliente ou doente.

Os investigadores também fizeram experiências com protetores faciais e descobriram que estes podem impedir que os aerossóis que saem da máscara cheguem ao cliente ou ao doente. A investigadora concluiu que “é mais eficaz usar máscara e protetor facial ao fornecer serviços a clientes”.

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  ZAP / Lusa //

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