Português infetado com coronavírus no Japão já foi transferido para o hospital

Franck Robichon / EPA

O português infetado com o coronavírus Covid-19 num navio de cruzeiros no Japão foi esta terça-feira transferido para um hospital na cidade de Okazaki.

A mulher de Adriano Maranhão afirmou à agência Lusa que tinha acabado de falar com o marido, que estava a ser transportado de autocarro em direção ao Fujita University Health Hospital, um hospital recém-construído e cuja inauguração estava prevista para abril.

“Após os testes e análises, que se parte do princípio que lhe vão fazer, irão encaminhá-lo para outro hospital”, disse Emmanuelle Maranhão, que estava a enviar um e-mail dirigido à embaixada portuguesa no Japão a solicitar o acompanhamento do marido, tripulante do cruzeiro Diamond Princess, onde foram confirmados 700 casos, que resultaram em quatro mortes, com o último óbito a ser anunciado já hoje pelas autoridades japonesas.

“Espero agora que alguém vá junto destas autoridades e acompanhá-lo, não digo estarem ao lado dele, obviamente, porque vai estar em isolamento, mas alguém tem de estar lá a representar a família, a representar Portugal, a representar este português, já que a empresa também tem um representante, mas pelos vistos não o consigo encontrar em lado nenhum”, desabafou Emmanuelle Maranhão.

“É muito importante que o Governo neste momento não saia do lado dele”.

Afinal, sublinhou, “a embaixada tem de lá estar para o ajudar… a traduzir, a perceber o que está a acontecer com ele, o que é que lhe vão fazer, quais são os resultados… porque se não falarem inglês ou ele não perceber, alguém tem de estar ao lado dele”.

Na segunda-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, dissera que o português, canalizador no navio de cruzeiros atracado no porto japonês de Yokohama, seria enviado esta madrugada para um hospital de referência local.

Novo caso suspeito no Porto

Entretanto, ao fim do dia desta segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) informou que mulher proveniente de Milão, em Itália, é o 15.º caso suspeito de Covid-19 em Portugal e está internada no Centro Hospitalar e Universitário de São João, no Porto.

De acordo com o comunicado, a mulher foi encaminhada para o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), onde serão “realizadas colheitas de amostras biológicas” para análise naquela unidade hospitalar.

Um outro caso suspeito em Portugal de infeção pelo novo coronavírus de uma pessoa também proveniente de Milão foi na segunda-feira declarado negativo. Os restantes 13 casos suspeitos no país deram negativo após análises.

Como se trata o Covid-19? Como uma gripe

Tal como escreve o semanário Expresso, doentes infetados pelo novo coronavírus são tratados como se tivessem qualquer outra infeção respiratória, tal como a gripe. Uma vez que não há ainda uma vacina ou um fármaco específico, os doentes recebem um tratamento de suporto para aliviar os sintomas que vão surgindo.

“O tratamento é meramente sintomático mas há imensa coisa para fazer. Tratam-se as dores no corpo, a febre, a falta de oxigénio ou as alterações hidrolíticas e daí pode avançar-se para entubação, ventilação mecânica ou até para a oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO). E isto pode ser o suficiente para que a infeção se trate por si”, explicou ao jornal Margarida Tavares, infeciologista do Hospital de São João, no Porto.

Após o aparecimento de uma complicação, é igualmente possível tratar. “Como acontece na gripe, é comum surgir uma infeção bacteriana após a infeção viral porque é mais fácil as bactérias instalarem-se em tecidos já afetados pelo vírus”, acrescenta.

O Expresso observa ainda que em doentes com outras patologias – como a diabetes ou insuficiência cardíaca – o tratamento torna-se mais complicado.

Quanto a Adriano Maranhão e ao tratamento que lhe foi prescrito enquanto ainda se encontrava no navio, a especialista não tem dúvidas.

“O médico japonês fez o que tinha de fazer e naquele caso paracetamol era exatamente o que também prescreveria, e nem sequer como tratamento fixo. Seria só em SOS, em caso de necessidade, porque precisamos de saber se a infeção está a desenvolver-se, se a febre mantém-se ou não. Se surgirem dores de garganta pode dar-se anti-inflamatórios. O importante é hidratar, alimentar e dar oxigénio se for necessário”, disse.

Primeira vacina experimental

A farmacêutica Moderna Inc. enviou o primeiro lote da sua vacina experimental contra o novo coronavírus a investigadores do Governo dos Estados Unidos da América, que farão os primeiros testes em humanos. O objetivo é o de verificar se a vacina da empresa norte-americana pode ajudar a suprimir a epidemia originária da China.

Segundo um comunicado da farmacêutica, o laboratório enviou na segunda-feira frascos de vacinas desde a sua fábrica em Norwood, Massachusetts, para o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas em Bethesda, Maryland, disse a companhia.

O instituto espera que nos finais de abril comece um ensaio clínico a 20 a 25 voluntários saudáveis, que vai testar se duas doses de vacinas são seguras e induzem uma resposta imune que provavelmente proteja contra a infeção, disse o diretor do instituto, Anthony Fauci ao The Wall Street Journal.

Os resultados iniciais podem estar disponíveis em julho ou agosto.

Mais de 2.500 mortos na China

O surto do Covid-19, que começou na China no final do ano passado, já matou 2.627 pessoas e infetou mais de 79 mil, de acordo as autoridades de saúde dos cerca de 30 países afetados. Além de 2.592 mortos na China continental, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Hong Kong, Filipinas, França e Taiwan.

Em Itália, sete pessoas morreram devido ao Covid-19.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou para uma eventual pandemia, considerando muito preocupante o aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.

ZAP // Lusa

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