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Portugal é um dos raros países que não vacina quem esteve infetado. Ordem exige prioridade para médicos

José Coelho / Lusa

A Ordem dos Médicos insistiu esta segunda-feira na necessidade de incluir nos primeiros grupos de vacinação os profissionais de saúde e as pessoas com 80 anos ou mais que já tiveram covid-19 há mais de 90 dias.

A Ordem reclama, em comunicado, a rápida revisão da norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) que “impede a vacinação prioritária de médicos que já tiveram covid-19”.

A instituição defende que os médicos e outros profissionais de saúde com infeção prévia a SARS-CoV-2 contraíram a doença, na maioria dos casos, no exercício profissional e encontram-se novamente em risco, devido à “possibilidade de reinfeção”.

Podem também, de acordo com a Ordem, “ser veículo de transmissão da doença na comunidade”, em particular a doentes mais fragilizados que necessitam de cuidados de saúde por patologia não-covid.

“A evidência científica disponível documenta um risco crescente de reinfeção após os 90 dias, sobretudo nos indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e nos imunodeprimidos”, defende a Ordem dos Médicos .

Sustenta igualmente que deve ser considerado o aumento do risco com a circulação de novas variantes. “Esta recomendação de vacinação segue as orientações da Organização Mundial de Saúde e já está em vigor em muitos outros países, tais como França, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido e EUA”, lê-se no documento.

“O risco acrescido que os médicos enfrentam nas várias linhas de atividade, a existência de muitos casos de infeção recente sem tradução nos testes serológicos e o aumento da capacidade de vacinação no âmbito da resposta nacional à pandemia a SARS-CoV-2, tornam urgente a rápida revisão da norma 002/2021 da Direção-Geral da Saúde que impede que os profissionais de saúde que já estiveram infetados pelo SARS-CoV-2 possam ser vacinados na primeira fase de vacinação”, alega a OM.

Portugal é dos raros países que não vacina infetados

Num relatório revelado esta segunda-feira, citado pela TSF, o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) identifica 15 países que dão as duas doses a quem já esteve infetado – Bélgica, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polónia, Roménia e Suécia -, sete que administram uma dose – Áustria, Estónia, França, Itália, Espanha, Eslováquia e Noruega -, um que não recomenda vacinar – Islândia – e outro – Portugal -, onde o assunto está “em discussão”.

Segundo a DGS, o assunto “encontra-se continuamente em análise”, mas a vacinação de pessoas recuperadas só “poderá vir a ocorrer logo que a disponibilização de vacinas aumente”.

“Neste momento, encontramo-nos num cenário em que o número de vacinas é limitado“, pelo que “o entendimento é que, à data, devem ser priorizadas as pessoas com maior risco/vulnerabilidade de contrair a infeção por SARS-CoV-2 e que não tenham ainda tido a possibilidade de desenvolver resposta imunológica”, disse a DGS.

A autoridade de saúde justifica-se com o “princípio da maximização do benefício, perante a escassez de recursos (vacinas)”, defendendo, contudo, que “as pessoas que recuperaram de infeção por SARS-CoV-2 não devem ser excluídas do plano de vacinação”.

A Ordem dos Médicos e o seu Gabinete de Crise não concordam, dizendo que todos os que já estiveram infetados sejam vacinados com pelo menos uma dose de vacina na fase que lhes está destinada no plano de vacinação, desde que tenham passado pela covid-19 há mais de 90 dias.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, revelou que tem recebido vários relatos de centros de vacinação que estão a ignorar a norma da DGS e a vacinar aqueles que já tiveram a infeção, o que gera “um ruído de fundo grande e uma imensidão de queixas”.

  ZAP // Lusa

 

 

 

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