No combate à pandemia, o Peru não falhou. Foram as condições precárias que o atraiçoaram

Sergi Rugrand / EPA

Ao contrário do Brasil, o Peru apressou-se a agir. As medidas para conter o novo coronavírus foram tomadas muito cedo, mas as condições de vida precárias acabaram por atraiçoar o país.

Martin Vizcarra, Presidente do Peru, adotou uma abordagem radicalmente distinta da do vizinho Brasil: o estado de emergência foi declarado a 16 de março, a quarentena foi imposta e as fronteiras fechadas. Em todo o continente americano, o país foi o pioneiro a dar os primeiros passos para conter a pandemia, que traçava um cenário cinzento na Europa.

No entanto, as medidas adotadas pelo Governo não permitiram conter o número de casos de pessoas infetadas com covid-19 e o cenário é, atualmente, bastante negro: já não há ventiladores disponíveis, 85% das camas dos cuidados intensivos estão ocupadas e receia-se a sobrelotação dos hospitais peruanos.



O retrato é traçado pela CNN, que cita declarações de Alfredo Celis, médico e professor da Faculdade de Medicina do Peru. “A situação não é de emergência, estamos perante uma catástrofe. É o momento em que a pandemia ultrapassou a capacidade de resposta do setor da saúde.”

O Peru não errou. Ao contrário do Brasil, agiu rápida e assertivamente à pandemia, mas o vírus “acabou por expor as nossas condições socioeconómicas“, justificou à mesma estação norte-americana Elmer Huerta, médico peruano.

O confinamento torna-se uma tarefa ainda mais complicada quando a pobreza obriga a população a sair de casa para trabalhar, comer ou levantar dinheiro do banco. No Peru, apenas 49% das famílias tem frigorífico em casa, segundo dados do último censo feito em 2017. Este número traduz-se na necessidade de muitas pessoas terem de ir ao mercado diariamente por não terem como armazenar alimentos frescos.

O distanciamento social é outro calcanhar de Aquiles, num país onde esta enorme procura obriga a longas filas e multidões. “Não temos alternativa. Se não o fizermos não temos comida”, contou uma peruana enquanto esperava na fila de um mercado.

Um dos principais fatores para o fracasso é o facto de cerca de 71% da população ativa no Peru viver da economia informal e receber ao dia. Quem não saísse para trabalhar não recebia, logo não tinha dinheiro para comer.

As filas não foram apenas um problema dos mercados, como também dos bancos. O matutino explica que o Governo destinou entre 9% a 12% do PIB às pessoas que perderam os empregos ou trabalhavam por conta própria em empresas que perderam toda a receita. Ao todo, estavam em causa 6,8 milhões de famílias pobres e vulneráveis.

No entanto, como apenas 38,1% dos peruanos têm conta bancária, as filas às portas dos bancos para levantar o dinheiro não demoraram.

O estado de emergência foi prolongado até ao fim de junho, com recolher obrigatório. Contudo, todos estes entraves sociais e económicos resultaram no cocktail explosivo que fez o Peru derrapar perante uma pandemia.

ZAP ZAP //

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