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Ocidente exige libertação de Navalny. Rússia recomenda que cada um trate “dos seus próprios problemas”

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O líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, foi esta terça-feira condenado a três anos e meio de prisão por um tribunal de Moscovo, por violar os termos de uma sentença por fraude de 2014 e a liberdade condicional imposta na altura.

Os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França foram os primeiros países ocidentais a reagir à confirmação de uma pena de prisão para o opositor russo Alexei Navalny, e exigiram em uníssono a sua “libertação imediata”.

Em Washington, a diplomacia dos Estados Unidos manifestou “profunda preocupação” após a condenação de Navalny e apelou à Rússia que garanta a sua libertação “imediata e sem condições”.

“Apesar de trabalharmos com a Rússia na defesa dos interesses dos Estados Unidos, vamos coordenar-nos estreitamente com os nossos aliados e parceiros para que a Rússia preste contas por não ter respeitado os direitos dos seus cidadãos”, defendeu em comunicado o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

“À semelhança de qualquer cidadão russo, Navalny deve usufruir os direitos garantidos pela Constituição russa”.

“Reiteramos o nosso apelo ao Governo russo para que liberte imediatamente e sem condições Navalny e ainda as centenas de outros cidadãos russos injustamente detidos nas últimas semanas por terem simplesmente exercido os seus direitos, nomeadamente o direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica”, acrescentou.

Em Londres, o Governo britânico também apelou à “libertação imediata e sem condições” e denunciou uma decisão “perversa” da justiça russa.

“O Reino Unido apela à libertação imediata e sem condições de Alexei Navalny e de todos os manifestantes pacíficos e jornalistas detidos nas duas últimas semanas”, declarou em comunicado o chefe da diplomacia Dominic Raab, ao considerar que a decisão “perversa” da justiça russa demonstra que o país não preenche “os compromissos mais elementares aguardados por qualquer membro responsável da comunidade internacional”.

Em Berlim, Heiko Maas, ministro dos Negócios Estrangeiros do executivo da chanceler Angela Merkel, também se pronunciou pela “libertação imediata” do opositor e definiu a pena infligida como um “golpe severo” contra o Estado de direito na Rússia.

“O veredito de hoje contra Alexei Navalny é um golpe severo contra as liberdades fundamentais e o Estado de direito na Rússia”, declarou Mass na rede social Twitter. “Navalny deve ser libertado imediatamente”.

A própria chanceler da Alemanha exigiu a libertação imediata de Navalny. “O veredicto contra Alexei Navalny está muito longe das regras do Estado de Direito. Navalny tem de ser libertado imediatamente. A violência contra os manifestantes pacíficos tem de parar”, instou através de uma mensagem publicada no Twitter pelo porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.

O Governo francês também se associou aos protestos ocidentais e emitiu um comunicado oficial onde considera “inaceitável” a condenação e pede ma “libertação imediata” de Navalny.

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Ao pronunciar-se sobre a condenação, o Conselho da Europa considerou a decisão “contrária às obrigações internacionais da Rússia em matéria de direitos humanos” e que “desafia toda a credibilidade”.

O julgamento “que ordena a detenção de Alexei Navlany (…) desafia toda a credibilidade e transgride as obrigações da Rússia em termos de direitos humanos”, considerou Dunja Mijatovic, comissária para os direitos humanos da organização pan-europeia.

Debaixo de fogo, a Rússia acusou esta terça-feira as capitais ocidentais de estarem “desligadas da realidade”, após os apelos internacionais para a libertação de Navalny.

“Não há nenhuma razão para se imiscuírem nos assuntos de um Estado soberano. Recomendamos que cada um se ocupe dos seus próprios problemas”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, numa entrevista à rádio RBK, citada pelas agências noticiosas russas.

Navalny adoeceu gravemente durante um voo da Sibéria para Moscovo em agosto. Foi levado primeiro a um hospital em Omsk, no sudoeste da Sibéria e, depois, levado para Berlim para receber tratamento. Laboratórios alemães, franceses e suecos determinaram que foi envenenado por um agente nervoso Novichok da era soviética.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, assim como a Organização para a Proibição de Armas Químicas, demonstraram que fora exposto a um agente neurológico Novichok da era soviética, facto que impulsionou a aplicação de sanções do bloco europeu contra Moscovo.

Navalny há muito considera o Kremlin responsável pelo seu envenenamento, mas Moscovo nega as acusações. Na semana passada, o Presidente russo Vladimir Putin afirmou que Navalny não era “suficientemente importante” para ser um alvo do Kremlin – e, se fosse, a Rússia teria “terminado o trabalho”.

  ZAP // Lusa

1 Comment

  1. Apenas me resta concluir lendo paragrafo final, de que a Rússia, considera “trabalho” mandar executar opositores.. Jazzzuuuuuuuuuuzzzzzz

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