Novo Banco. Centeno admite “falha de comunicação” mas não “falha financeira”

Stephanie Lecocq / EPA

O ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu esta terça-feira que possa ter existido uma “falha de comunicação” com o primeiro-ministro, António Costa, sobre a injeção de 850 milhões de euros no Novo Banco.

Em entrevista à TSF, o responsável máximo pelas Finanças portuguesas admitiu uma falha de comunicação no que respeita ao capital emprestado ao Fundo de Resolução, o qual irá posteriormente ser cedido ao Novo Banco, mas recusou qualquer falha financeira.

Podemos admitir uma falha na comunicação entre o Ministério das Finanças e o primeiro-ministro, mas não uma falha financeira”, disse, recordando que os 850 milhões de euros em causa estavam registados e inscritos no Orçamento do Estado.

Uma falha financeira neste campo, continuou, “teria um caráter desastroso” ao contrário da falha de comunicação que considera “fácil de resolver”.

O Expresso noticiou na quinta-feira que o Novo Banco recebeu esta semana mais um empréstimo público no valor de 850 milhões de euros. A notícia surgiu depois de António Costa ter garantido, nessa tarde, no debate quinzenal no Parlamento, que não haveria mais ajudas de Estado até que os resultados da auditoria fossem conhecidos.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro explicou que não foi informado pelo Ministério das Finanças do pagamento de 850 milhões de euros ao Novo Banco, tendo já pedido desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida durante o debate quinzenal.

Sobre a sequência dos acontecimentos, Mário Centeno garante que António Costa não sabia da transferência no momento em que falou no Parlamento.

“Primeiro-ministro no momento em que responde não tinha informação de que injeção teria acontecido no dia anterior e acho que é essa a dimensão em que pedido de desculpas [ao Bloco de Esquerda] decorre”, esclarece o ministro das Finanças.

“O [valor de] 850 milhões de euros é o empréstimo”, recorda Mário Centeno em declarações à TSF, dizendo que “a injeção de capital é maior”, mas “não é uma situação fácil”, reiterando que esta situação está a ser feita sem prejuízo das contas públicas.

Mário Centeno frisa ainda que “ninguém faz injeções sem auditorias“, sublinhando que “há vários níveis de validação” neste tipo de situações. Trata-se de “um empréstimo” e não de “uma despesa” para pagara no futuro, reiterou ainda.

“Portugal não se pode dar ao luxo de, no meio de uma crise, colocar um banco em risco, é uma irresponsabilidade”, disse, observando, contudo, que “não há um único euro de desrespeito pelos contribuintes“.

Relação com Costa não fica abalada

Na mesma entrevista, Mário Centeno considera que a sua relação com o primeiro-ministro não sai abalada com esta situação e com a “falta de comunicação”.

“A minha relação política com o primeiro-ministro, membros do Governo, Assembleia da República e órgãos de soberania é de enorme transparência e lealdade face ao que é o esforço em atingir objetivos que o Governo tem e não vejo sinal que possa ter sido abalada”, assegurou Mário Centeno.

Antes, na mesma entrevista, recordou ainda que a sua relação com António Costa é uma das mais longas em democracia.  “Este ministro das Finanças e primeiro-ministro têm a relação institucional mais longa da democracia” nestes cargos.

No total, recorda o jornal Eco, o Fundo de Resolução injetou 1.035 milhões de euros no Novo Banco por causa dos prejuízos de 2019, isto no âmbito do mecanismo de capital contingente criado em 2017, aquando da venda de 75% do capital da instituição ao fundo de investimento americano, a Lone Star.

“Este mecanismo funciona como uma espécie de garantia pública, cobrindo as perdas do Novo Banco com um conjunto de ativos tóxicos que foram herdados do BES. Até hoje, o banco liderado por António Ramalho já utilizou cerca de 2,9 mil milhões de euros do mecanismo, sendo que pode pedir os restantes mil milhões até 2026, ano em que termina esta garantia”, detalha ainda o mesmo jornal de economia.

Duas decisões para tomar

Na mesma entrevista, Mário Centeno revelou ainda ter duas decisões para tomar: se fica na presidência do Eurogrupo e na pasta das Finanças, no Governo.

O ministro das Finanças pouco disse sobre as notícias que dão como certa a sua saída do Eurogrupo, deixando a porta aberta para todos os cenários.

As notícias falsas caem no melhor dos tecidos. Não tem fonte, nem sustentação em frases que eu possa ter dito. Estamos muito concentrados. Os jornalistas tentam fazer análises psicanalíticas… Há quem diga que fala com Jesus Cristo. Estou muito empenhado no trabalho que tenho para desenvolver”, disse, aludido à informação avançada esta semana por um jornal alemão que o colocava fora da corrida.

Perante a insistência dos jornalistas da TSF, o responsável pela pasta das Finanças disse que tomará uma decisão até 13 de julho.  Pode sair ficar ou pode sair? “Essa é a única coisa certa”, sublinhou Mário Centeno.

Tal como recorda o semanário Expresso, para continuar à frente do Eurogrupo, Mário Centeno tem obrigatoriamente de ser ministro das Finanças. O contrário não se verifica.

Sobre a possibilidade de continuar como governante no Executivo de António Costa apesar de deixar o cargo europeu, Centeno reconheceu que “são duas decisões” distintas, deixando a janela entreaberta. Será sempre uma “decisão pessoal”, reiterou.

ZAP //

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Aqui o problema não está na comunicação mas sim na acção. Quando na presente situação há nova gente a passar fome e os apoios tardam, há celeridade em “ajudar” o NB com os seus altos quadros recém aumentados, do que aqueles que esperam por apoios à subsistência. Neste caso vejo, uma vez mais, o lobby político e bancário, com regalias futuras para o M.C. na banca.

  2. Vai dar banho a outro, estamos a falar de uma injecção de 850 milhões pá, não há lugar para falhanços de comunicação.
    Gostava de uma boa Explicação, porque é assim tão grave para a economia um banco ir a falência? ora quem deve ao bancos pelos vistos a divida é vendida a outro banco e tem que continuar a pagar… os únicos a perder talvez os investidores a fundo perdido por isso os juros são mais altos…
    Eu só relembro que o caso Modof o responsável já foi preso e os afectados já foram pagos enquanto que cá ainda andamos a ver se encontramos culpados…
    Vamos ser sinceros o caso do novo banco é um saco sem fundo não há ponta por onde se lhe pegue. a banca não tem mercado para pagar esta divida aos portugueses?
    A banca hoje em dia parece a papelaria da esquina… só falta vender bimbis e colheres de pau…
    As grandes empresas conseguem financiamento lá fora, a banca portuguesa só cheira…

  3. Claro que foi uma falha e sem grande importância, são apenas 850 milhões de euros, é apenas mais umas migalhas a juntar ás restantes já aplicadas neste Banco e também tendo em consideração as pessoas envolvidas e sua doutrina política, acho justo que estejam perdoados e ponto final.

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