Reduzir contactos sem deixar de viver. A “receita” de Graça Freitas para travar os contágios e achatar a curva

José Sena Goulão / Lusa

A diretora-geral da Saúde disse, esta segunda-feira, que é preciso reduzir contactos, mas sem deixar de viver, trabalhar, ir à escola, ao teatro, ao cinema ou de fazer compras.

Temos de continuar a viver. Só temos de diminuir o número de contactos, sem deixar de ir ao trabalho, à escola, ao teatro, ao cinema, ou de fazer compras” disse Graça Freitas na habitual conferência de imprensa sobre a situação da pandemia em Portugal, durante a qual agradeceu aos profissionais de saúde que têm acompanhado os doentes há oito meses.

Dirigindo-se aos cidadãos em geral, a diretora-geral da Saúde recordou que as únicas medidas contra a propagação do novo coronavírus são os comportamentos.

“Passam hoje oito meses sobre o primeiro caso de covid-19 em Portugal e todos aprendemos com cada dia que passou. Apelo para não se baixar a guarda por muito cansados que estejamos”, disse.

“Estamos numa fase ascendente e é da nossa responsabilidade achatar a curva“, adiantou, insistindo que quanto menos contactos se tiver no dia-a-dia menos hipóteses existe de transmitir a doença.

Graça Freitas explicou ainda o que quer dizer quando se refere a uma bolha nas advertências que tem feito para que as pessoas não misturem bolhas de contactos.

“O que é uma bolha? É um sítio isolado onde posso estar com algumas pessoas. É a família que mora na mesma casa. Os nossos amigos e os colegas não são da minha bolha. Não podemos facilitar no emprego e na escola em momentos em que estamos mais relaxados”, explicou, acrescentando que “é em casa, vida social, laboral que temos de fazer um esforço adicional todos os dias”.

Graça Freitas fez ainda um apelo aos responsáveis pelos diferentes setores de atividade para que criem condições para que alunos, trabalhadores, frequentadores dos espaços e espetáculos possam estar seguros.

DGS descarta novas regras para as escolas

Na mesma conferência de imprensa, a responsável descartou a aplicação de novas regras para as escolas. “As escolas têm sido locais relativamente seguros. Têm acontecido casos, mas não têm sido grande fonte de transmissão, sobretudo escolas com crianças mais pequenas, que de facto não contraem nem transmitem muito a doença”, afirmou.

“À medida que as crianças vão crescendo, os adolescentes e os jovens vão-se aproximando de um padrão parecido com o dos adultos”, reconheceu.

Medidas como decidir adoção de aulas à distância tornam-se mais fáceis no Ensino Superior, “por um lado porque essas pessoas já têm um padrão parecido com o dos adultos, como conseguem autonomamente seguir formas de ensino à distância”.

A diretora-geral da Saúde apontou que mais do que novas regras, importa “comunicar melhor essas regras à comunidade educativa e à comunidade da saúde”, quer as regras de prevenção quer os procedimentos a adotar quando existam casos.

Causas do excesso de mortalidade em 2020

A diretora-geral da Saúde afirmou ainda que só para o ano se saberá com certeza a que se deve o excesso de mortalidade de 2020, embora possam surgir pistas ainda este ano.

“Todos os países têm sempre uma demora, que é normal, entre saber o número de óbitos que aconteceram num determinado período e depois estudar as causas”, afirmou.

Salientou que “certezas só se terão para o próximo ano”, quando estiver acabado o trabalho de codificação das mortes ocorridas em 2020, mas admitiu que “dentro de semanas” poderá já haver “trabalhos indicativos que deem pistas sobre quais foram, de facto as causas de morte em 2020″.

Graça Freitas salientou que a codificação das causas de morte é feita por “profissionais altamente treinados para o efeito” e que exige “extremo rigor”, apesar de este ano haver “um sistema semiautomático para codificação das causas de morte, que ainda não vai dar certezas mas vai dar pistas e indicações”.

“Muitas vezes, as codificadoras têm que voltar a entrar em contacto com o médico que fez a certidão de óbito, se houver dúvidas, ninguém a pode alterar senão o médico que a emitiu”, referiu.

A responsável adiantou que “o mais brevemente possível” o boletim diário de atualização dos números da pandemia vai incluir os “números de casos em cada concelho durante 15 dias a dividir pela população desse concelho”.

Esses números de incidência acumulada “põem alguns concelhos em maior risco do que outros e é isso que orienta as medidas, não é nenhum estigma, porque hoje pode estar um concelho com mais casos e amanhã pode ser outro”.

Portugal ultrapassou, hoje, os máximos de óbitos e internamentos por covid-19 desde o início da pandemia com o registo de 46 mortos e 2255 doentes internados, 294 dos quais em cuidados intensivos, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim epidemiológico da DGS hoje divulgado, Portugal regista hoje 2506 casos, abaixo dos 3062 notificados no domingo, e 146.847 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, além de 2590 óbitos.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Mas giro giro era a sRa. directora informar nos seus befings diários quanto portugueses vão morrendo de tuberculose, cancro, acidente, gripe, velhice etc, etc… Isso é que era!

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