1 em cada 40 habitantes do Norte estão ou estiveram infetados. Número de casos pode “abrandar” para a semana

Ennio Leanza / EPA

Apesar de o Norte ser a região mais afetada, o número de casos diários de infeção pelo novo coronavírus pode “abrandar”, afirmou hoje um especialista da Universidade do Porto.

A “explosão” de novos contágios do coronavírus no Norte, que se iniciou há cerca de um mês, levou a esta passasse a ser a região com mais casos confirmados de infeção desde o início da pandemia, no início de março. Ontem, e segundo o Jornal de Negócios, o total acumulado de casos no Norte ascendeu a mais de 91 mil.

Isto significa que 1 em cada 40 pessoas na região estão ou estiveram infetadas.

Nos primeiros nove dias de novembro, o Norte soma 26.269 novos contágios, enquanto Lisboa e Vale do Tejo contabiliza 10.532. As duas regiões têm populações quase idênticas, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística.

Assim, até 9 de novembro, data a que se reportam os dados hoje divulgados pela Direção-Geral de Saúde (DGS), a taxa de incidência das infeções pelo coronavírus era de 2,55% no Norte, acima da média nacional, que se cifra em 1,82%.

No entanto, este cenário pode mudar já nas próximas semanas.

Em declarações à Lusa, Óscar Felgueiras, explicou que os modelos matemáticos apontam para uma “estabilização na ordem dos 3000 casos diários para a região Norte” nesta e na próxima semana. Contudo, sublinha que pode começar a haver uma descida no número de casos na próxima semana”, sublinhou, considerando “cedo para avaliar”.

“Não é totalmente óbvia a associação de entrada em vigor das medidas com o efeito, mas eventualmente o comportamento das pessoas pode ter mudado de algum modo”, afirmou.

Apesar de ser ainda necessária uma “consolidação e avaliação dos dados”, os modelos estatísticos indicam que o “pico de infeciosidade já poderá ter passado”, isto é, que o momento com o “maior número de início de sintomas na região, eventualmente, já terá passado”.

“É arriscado fazer uma afirmação taxativa, mas o modelo que tenho seguido diz-me que o pico de infeciosidade já terá passado, mas ainda está em consolidação. Só daqui a uma semana é que será possível determinar se houve ou não esse pico e quando foi”, esclareceu.

Embora o cenário indique alguma estabilização do número de casos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a covid-19, a “pressão sobre o sistema hospitalar é elevadíssima”.

O Norte está com uma incidência elevadíssima, superior a 1000 casos por 100 mil habitantes em 14 dias”, acrescentou.

Segundo Óscar Felgueiras, os dados da Direção-Geral da Saúde indicam que a incidência média de casos no Norte é de 1042 por 100 mil habitantes, na região de Lisboa e Vale do Tejo de 446 casos, com a média nacional a fixar-se nos 610 casos por 100 mil habitantes em 14 dias.

O especialista afirmou que “são mais de 20 os concelhos na região” cuja incidência ultrapassa quatro vezes o limite estipulado pelo Governo e que tal é “motivo de preocupação”.

“É óbvio que no Norte há uma incidência fortíssima e que é motivo de preocupação, mesmo que se consiga estabilizar a situação. Se tivéssemos num patamar mais baixo, esta estabilização seria uma boa notícia, mas tendo em conta a elevada incidência e a consequência que isso tem na afluência aos serviços de saúde isto não é sustentável e tem de haver um travão”, assegurou.

“Temos de ter consciência de que o travão ao ser colocado não vai atuar tão rápido, ou seja, tivemos uma subida muito rápida, mas a descida não vai ser tão rápida”, sublinhou. A par da incidência, existe ainda outro fator que “não é reconfortante” para a região Norte: “a positividade dos testes de diagnóstico que ronda os 20%”.

“Numa situação em que a positividade é tão elevada, significa que não há deteção de muitos casos, especialmente dos assintomáticos, que podem não ser muito preocupantes por si só, mas que têm potencial para transmitir e fazer propagar o vírus”, salientou.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. É já tempo de acabarmos com essa “guerrinha” entre o norte e a zona de Lisboa, somos todos portugueses.
    Penso que a “pandemia”, se a há, está a ser mal gerida, enquanto estes governantes não destruírem a economia, as empresas, o emprego e os idosos, parece que não querem parar.
    O mundo, como o conhecemos, dificilmente recuperará.

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