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Na Rússia, os mais céticos que rejeitaram a vacina recorrem a certificados digitais falsos

Georgi Licovski / EPA

Na Rússia, os mais céticos que rejeitaram a vacina contra a covid-19 estão a comprar certificados de vacinação falsos na Internet.

Serguei (nome fictício), de 30 anos, é um jovem da região de Krasnodar, na Rússia, que não tem intenções de ceder quanto à vacinação contra a covid-19.

Ao ver de perto os esforços das autoridades para convencer a população a tomar a vacina, Serguei suspeitou de que a pressão aumentaria sobre aqueles que, como ele, rejeitam o fármaco.

O jovem encontrou na Internet um vendedor de certificados de vacinação falsos e enviou as suas informações pessoais pelo Telegram. Três semanas depois de ter transferido 15.000 rublos (cerca de 174 euros), Serguei conseguiu obter no site do Governo russo o certificado que prova que terá sido inoculado com duas doses da vacina Sputnik V.

Apesar de a eficácia da vacina russa ter sido comprovada, muitos russos rejeitam o fármaco. “Nesta etapa, a vacina é experimental, e há muitos efeitos colaterais“, justificou Serguei à AFP, mostrando o seu certificado falso. “Não vou morrer porque o Governo quer que eu tome a vacina.”

Esta postura cética, combinada com a corrupção na Administração Pública do país, resultaram num mercado clandestino online, no qual dezenas de vendedores oferecem certificados de vacinação falsos.

Alguns clientes queixaram-se de que foram enganados, mas há quem tenha confirmado que tudo funcionou como desejavam.

A agência noticiosa avança que a procura é cada vez maior desde que a capital russa decretou, no dia 16 de junho, a obrigatoriedade da vacinação para todos os trabalhadores do setor dos serviços.

À AFP, um vendedor de certificados falsos revelou que recebe entre 20 e 30 pedidos todos os dias. “Pedem inclusive para ‘vacinar’ empresas inteiras“, detalhou, salvaguardando, contudo, que consegue entregar apenas cinco certificados falsos por dia.

A partir de 2.000 rublos (cerca de 23 euros) é possível obter um documento falso em papel. Mas para conseguir o mais importante, o documento digital introduzido nas bases de dados do Governo, o preço é até 15 vezes superior.

  ZAP //

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