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Ministério Público investiga nove casos de vacinação de pessoas não prioritárias

A Procuradoria-Geral da República confirma a instauração de nove inquéritos. Os casos da diretora da Segurança Social de Setúbal e do INEM do Norte estão entre os processos a analisar.

O Ministério Público já decidiu pela instauração de inquéritos relativamente a alguns dos casos vindos a público sobre o uso indevido de vacinas, avança o Expresso.

Segundo o JN, entre os inquéritos instaurados está a vacinação da diretora da Segurança Social de Setúbal, Natividade Coelho, que se demitiu do cargo após o caso ter sido tornado público, e a inoculação de funcionários de uma pastelaria do Porto, a mando do diretor regional do Norte do INEM, António Barbosa, que também colocou o lugar à disposição.

A vacinação de 126 funcionários do Centro Distrital de Segurança Social de Setúbal contra a covid-19 foi noticiada na quinta-feira pela SIC, que adiantou ainda que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social ordenou um inquérito com caráter de urgência.

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo confirmou à agência Lusa a vacinação de 126 pessoas da Segurança Social de Setúbal, que integravam a lista com a diretora, Natividade Coelho, bem como diretores de unidade e de núcleo, mas não assumiu a responsabilidade pela inclusão de dirigentes e funcionários daquela instituição pública que foram vacinados antes de muitos profissionais de saúde, bombeiros e utentes de lares.

Também na quinta-feira, a Associação Nacional de Emergência e Proteção Civil denunciou a vacinação profissionais não prioritários no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Em comunicado, o INEM negou ter pedido às autoridades de saúde mais doses da vacina do que aquelas que eram necessárias para vacinar os funcionários prioritários. Depois das acusações de ter dado a vacina a funcionários não prioritários, o INEM garante que nesses casos foram usadas apenas sobras.

“Este trabalho de pesquisa prossegue ainda relativamente a outras situações que também têm vindo a público”, refere a PGR.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, já tinha dito hoje que iria haver “tolerância zero” para vacinações indevidas e que o plano de vacinação contemplará listas suplementares para as vacinas sobrantes.

Hospital de Braga vacinou dois profissionais não prioritários para “não se desperdiçar vacinas”

O Hospital de Braga vacinou contra a covid-19 um total de 2.028 profissionais, entre os quais dois não prioritários, para evitar desperdícios, disse hoje a administração à Lusa.

Segundo a administração, a vacina aos dois trabalhadores não prioritários foi aplicada em 29 de dezembro, logo no primeiro dia da toma, face à não comparência de alguns profissionais agendados.

O objetivo foi “não se desperdiçar vacinas que seriam inutilizáveis num espaço temporal de breves minutos”.

A administração sublinha que aqueles dois profissionais, apesar de não prioritários, “prestam assistência em todo o hospital, incluindo áreas covid”. Os profissionais em causa são um informático e uma psicóloga.

O hospital explica que o agendamento dos profissionais de saúde para a toma da vacina é realizado quando chega a informação de que irá ser entregue uma nova remessa.

Por norma, a indicação da receção das novas remessas é comunicada num espaço temporal curto, “tendo de ser o processo de agendamento junto dos profissionais célere, para cumprimento de todos os critérios de vacinação definidos”, acrescenta.

“As vacinas chegam ao hospital descongeladas e existe uma janela temporal máxima para a sua administração de cinco dias após receção e de seis horas após preparação em seringa”, esclarece.

Até hoje, no Hospital de Braga já foram vacinados 2.028 profissionais contra a covid-19, dos quais 1.484 já tomaram as duas doses.

O hospital aguarda a receção de novas doses para dar continuidade à vacinação e abranger a totalidade dos seus cerca de 3.200 profissionais.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 2.227.605 mortos resultantes de mais de 102,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Desde março de 2020, Portugal já registou 12.757 mortes associadas à covid-19 e 726.321 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

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  ZAP // Lusa

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