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Tailândia em suspense. Único caso local é um DJ (mas não transmitiu vírus nas festas nem na prisão)

A Tailândia está a tentar resolver o mistério do único contágio local de covid-19 detetado nos últimos três meses, um DJ que trabalhou em várias casas noturnas. Porém, não foi descoberto nenhum caso relacionado uma semana depois, apesar da natureza altamente contagiosa do vírus.

De acordo com o jornal espanhol La Vanguardia, as autoridades, que já realizaram 570 testes, procuram possíveis infecções entre as mais de 1.000 pessoas que entraram em contacto com o DJ, que teve resultado positivo para covid-19 no dia 3 de setembro, quando foi feito um teste na prisão onde tinha entrado por um delito de drogas.

Este caso local isolado foi descoberto um dia após a Tailândia comemorar 100 dias sem detetar o contágio da doença na comunidade, que até agora causou mais de 3.400 infecções, incluindo 58 mortes.

As poucas infecções diárias que estão a ser detetadas no país são importadas e afetam os viajantes em quarentena.

O DJ, de 37 anos, que não viaja para o exterior desde o início da pandemia e cuja identidade não foi divulgada, está a ser tratado num hospital prisional em Banguecoque, enquanto muitos se perguntam porque é que não há mais casos relacionados com ele.

Dos 570 exames negativos realizados até ao momento, estão cinco pessoas que moravam com o DJ e 34 reclusos que estiveram em contacto com ele, que entraram na prisão no dia 26 de agosto, segundo dados oficiais.

Além disso, as autoridades instalaram cabines portáteis para facilitar os testes perto de três bares onde o paciente trabalhava, incluindo um local na popular Khao San Road, em Banguecoque.

Os locais de diversão noturna são áreas de risco para surtos, como o que ocorreu com dezenas de pessoas infetadas em marçouma área de bares e restaurantes em Thong Lor, distrito da capital.

A Tailândia, com uma população de quase 70 milhões de habitantes, foi o primeiro país a detetar o contágio do novo coronavírus fora da China em janeiro. Apesar da proximidade com o gigante asiático e de ser o principal destino turístico escolhido pelos chineses, a Tailândia tem escapado do grande aumento de infecções de outros países como Índia, Espanha ou Estados Unidos – e até mesmo do elevado número registados em nações mais próximas, como Indonésia (207 mil casos) ou Filipinas (249 mil).

A chave para esse sucesso também é um mistério, embora a Tailândia tenha a experiência de outras epidemias como a SARS, outro tipo de coronavírus, e a febre das aves, além do uso generalizado de máscaras e do costume de não tocar na saudação.

O governo tailandês ordenou medidas rígidas de contenção em março, como controlo de movimentos, recolher noturno, uso obrigatório de máscaras em supermercados ou transportes públicos, e encerramento de fronteiras.

  ZAP //

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