Ministro demitido culpa filho de Bolsonaro

Tânia Rêgo / Agência Brasil

O ex-ministro da secretaria-geral da Presidência do Brasil, Gustavo Bebianno, afirmou esta quarta-feira que o filho do Presidente brasileiro Carlos Bolsonaro foi o responsável pela sua exoneração do governo.

Numa entrevista à rádio Jovem Pan, Bebianno criticou a postura do filho do chefe de Estado, chegando mesmo a afirmar que foi “demitido por Carlos Bolsonaro” e que este “inflamou a cabeça do pai”.

A minha indignação é ter servido como um soldado leal, disposto a matar e morrer, e, no fim da linha, ser crucificado, tendo levado um tiro nas costas, sendo chamado de tudo o que há porque o senhor Carlos Bolsonaro fez macumba psicológica na cabeça do pai. Eu não posso admitir isso, não é correto”, declarou o ex-governante

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que demitiu na segunda-feira o ministro da secretaria-geral, Gustavo Bebianno, afirmou, num vídeo partilhado nas redes sociais, que o motivo da exoneração deveu-se a “diferentes pontos de vista sobre questões relevantes”.

Porém, Gustavo Bebianno garante que Jair Bolsonaro “sofreu” com a sua exoneração: “Tenho a certeza de que ele tomou essa decisão com uma dose grande de sofrimento. Eu sempre vi nos olhos dele um grande carinho por mim”, afirmou à rádio Jovem Pan.

As críticas do ex-ministro ao filho do chefe de Estado foram constantes ao longo da entrevista, tendo Bebianno declarado que Carlos “coleciona inimigos”. “Se o Carlos fosse meu filho, eu estaria preocupado, porque ele coleciona inimigos”, afirmou, acrescentado que este “vive de teorias da conspiração, vive dentro de uma caixa”.

Bebianno relatou ainda que foi “diversas vezes” agredido verbalmente por Carlos, que é também vereador no Rio de Janeiro, no decorrer da campanha presidencial de 2018.

Apesar de ter sido exonerado, Gustavo Bebianno frisou que não tenciona atacar o chefe de Estado do Brasil, classificando-o como “um homem correto”. “Tenho caráter, não vou atacar o nosso Presidente, que é um homem correto”, acrescentou convicto de que o atual governo vai resultar.

Apesar de Gustavo Bebianno estar alegadamente envolvido em transferências monetárias relacionadas com “candidatos fantasma”, Bolsonaro afirmou que continua a acreditar na “seriedade” do agora ex-ministro.

Bebianno tornou-se o primeiro governante a deixar o executivo de Bolsonaro, após ter sido o protagonista da primeira crise que o atual governo enfrenta.

Na última semana, o jornal brasileiro Folha de S. Paulo noticiou que o Partido Social Liberal (PSL), de Bolsonaro, atribuiu 400 mil reais (95 mil euros) a uma candidata a deputada federal em Pernambuco três dias antes das eleições e que teve apenas 274 votos. Segundo o mesmo jornal, o dinheiro terá sido entregue à candidata a pedido do agora demitido Gustavo Bebianno, que, à data, era presidente do PSL.

// Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. “macumba psicológica”
    Hahahaaaaa…
    Ai Brasil, Brasil…
    O que se pode esperar de um governo cheio de fanaticos religiosos/doentes mentais?!

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