Medina apresenta auditoria sobre manifestações em Lisboa “nos próximos dias”

Miguel A. Lopes / Lusa

Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa.

O Presidente da Câmara de Lisboa revelou que “na sequência da auditoria”, que será conhecida nos próximos dias, irá tomar “as medidas para assegurar que não voltam a acontecer” falhas na proteção de dados de manifestantes.

Este domingo, Fernando Medina adiantou que a auditoria urgente que pediu no seguimento da partilha indevida de dados de ativistas russos e que vai analisar manifestações em Lisboa nos últimos anos será conhecida “nos próximos dias”.

“Nos próximos dias será apresentada publicamente e de forma clara”, disse o presidente da Câmara de Lisboa em declarações transmitidas pela Sic Notícias.

O autarca da capital revelou que “na sequência da auditoria” irá tomar “as medidas para assegurar que não se volte a acontecer nesta câmara”, afastando a possibilidade de apresentar a demissão por causa do envio de informações pessoais de três promotores de uma manifestação a favor do opositor de Putin, Alexei Navalny.

Informou ainda que está a ser realizada uma “auditoria completa sobre como foram tratadas as manifestações pela câmara”, explicou o presidente da autarquia da capital.

Fernando Medina também prometeu que vai responder aos ataques de que está a ser alvo. “Não ficarão sem resposta”, garantiu, acusando a oposição que querer “tirar dividendos políticos” e de lançar “acusações torpes”, tais como o “delírio” de acusarem a Câmara de Lisboa de “conluio com o regime de Putin”.

Medina critica “utilização alterada” da lei de manifestação pela IL

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa criticou este domingo o arraial promovido pela Iniciativa Liberal (IL), considerando que se tratou “de uma utilização alterada” da lei de manifestação e que contrastou com “o comportamento exemplar” dos lisboetas.

“Relativamente àquilo que assistimos da parte da Iniciativa Liberal, trata-se de uma utilização alterada daquilo que a lei prevê, que é a liberdade de manifestação, que foi utilizada da forma que se viu de um partido político que atuou em exceção e contrária ao que vimos por toda a cidade”, disse Fernando Medina aos jornalistas, após a inauguração do Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha.

Em reação ao arraial promovido no sábado em Lisboa pela IL e que reuniu centenas de pessoas, numa altura em que a capital está em alerta devido ao elevado número casos de covid-19 e que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) decidiu cancelar os festejos de Santo António, o autarca sublinhou que “um partido político decidiu dar um sinal contrário”.

O presidente da CML frisou que o IL “não cumpriu as regras da Direcção-Geral da Saúde” e pensou que “podia fazer de uma manifestação um festejo à revelia de qualquer regra”.

“Toda a cidade compreendeu a exigência do momento e a importância de fazermos mais um esforço até à vacinação estar mais ampliada para não expandir e propagandear a doença”, disse, realçando que “o comportamento ficou com esse partido”.

Fernando Medina destacou ainda o exemplo que os lisboetas deram na noite dos Santos Populares.

“No momento em que a pandemia dá sinais de crescer na cidade de Lisboa, o que nós assistimos foi um comportamento absolutamente exemplar da generalidade das pessoas”, disse.

Apesar de a Câmara Municipal de Lisboa ter cancelado os festejos tradicionais dos Santos Populares e de as autoridades de saúde terem emitido um parecer desfavorável, a IL agendou um arraial comício para a tarde de sábado, ocupando o Largo Vitorino Damásio, em Santos, com dezenas de mesas, quiosques de venda de bebidas, assim como quatro generosos assadores para sardinhas e bifanas.

Num parecer a que a agência Lusa teve acesso, o Delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos da Silva, mostrou-se “desfavorável relativamente a todas as atividades que extravasem o referido comício político”, defendendo que “atendendo ao princípio de precaução em saúde pública, e pela situação epidemiológica atual na cidade de Lisboa, a mesma não deverá ocorrer e ser adiada”.

Em Agosto de 2020, depois de o PCP ter decidido manter a realização da Festa do Avante, o presidente e único deputado da IL, João Cotrim de Figueiredo, apresentou na Assembleia da República um requerimento para que fosse divulgado na íntegra o parecer da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre aquela iniciativa.

No requerimento, o presidente da IL alegava existirem “dois pesos e duas medidas em matéria de grandes eventos” em Portugal e que a realização da Festa do Avante colocava em causa “os sacrifícios dos últimos meses”, ao longo dos quais as regras de contenção da pandemia impediram a realização de festas.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. PARTILHA DE DADOS – Senhor Fernando Medina, as medidas a serem tomadas, mas, que não sejam somente aquelas onde ,conforme o ditado popular: “o pau enverga nas costas do rico e quebra-se nas costas dos pobres”. Adianto-lhe mais uma sabedoria popular: ” devagar com o andor, que o santo é de barro”. É o que pensa joaoluizgondimaguiargondim – [email protected]

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