Médicos sérvios denunciam “desastre sanitário” no país

Alejandro Garcia / EPA

Cerca de 350 médicos denunciaram hoje um “desastre sanitário” na Sérvia e exigiram ao Governo o afastamento da célula de gestão do coronavírus num momento em que o país dos Balcãs regista uma retoma da pandemia.

Os profissionais de saúde, que integram o movimento “Unidos contra a Covid” dirigiram uma carta aberta ao Governo para exigir o despedimento da sua célula de crise e a abertura de um inquérito sobre as decisões que, na sua perspetiva, permitiram o recrudescimento do vírus.

“O abandono total das medidas de luta contra a epidemia no período pré-eleitoral (ajuntamentos, encontros desportivos, torneiros, celebrações), provocaram a parda de controlo da situação epidemiológica, que não pode ser justificada por motivos profissionais”, indicam os médicos.

A Sérvia regista mais de 350 contaminações diárias após ter suavizado rapidamente as medidas de restrição para permitir a organização de eventos desportivos e a realização das eleições legislativas em 21 de junho.

O número de mortes diárias atingiu recordes, enquanto a gestão da crise pelas autoridades foi o pretexto para manifestações violentas no início de julho.

De acordo com os números oficiais, 491 pessoas já morreram em consequência do novo coronavírus no país, que tem sete milhões de habitantes, mas os críticos do Governo consideram que o número foi minimizado.

O grupo de médicos acrescentou pretender exprimir-se “publicamente” porque, alegam, não vêm outra solução “face ao desastre de saúde pública em que se encontra atualmente o país”. A célula de crise contestou estas críticas.

“Todos têm direito à sua opinião”, reagiu em conferência de imprensa um dos seus membros, a epidemiologista Darija Kisic. “Infelizmente, não vemos [na carta] um único nome de um médico que seja especialista [na luta] contra as doenças contagiosas”, acrescentou.

Previamente, a célula de crise reconheceu que o número de mortos “é decerto mais elevado” que o balanço oficial, pelo facto de os doentes poderem ter falecido “sem serem testados”.

Hás duas semanas, manifestantes desceram à rua para denunciar a gestão da crise pelo Presidente Aleksandar Vucic.

O protesto foi desencadeado pelo anúncio de um novo recolher obrigatório durante o fim de semana, uma medida que acabou por ser anulada.

O sistema de saúde sérvio tem registado nas últimas décadas um êxodo em massa de pessoal qualificado mas com baixos salários, em particular em direção à Alemanha.

De acordo com o portal de informação económica novaekonomija.rs, citado pela agência noticiosa AFP, faltam no país 3.500 médicos e 8.000 enfermeiros.

Lusa // Lusa

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